sábado, 11 de abril de 2026

Esboço

A escrita tem uma grande importância no registro do que se passa no cotidiano; isso é até didático, é como uma fotografia a registrar o dia a dia.

Desculpe, é que, muitas vezes, não quero ser o escritor, muito menos o poeta; quero ser o leitor. Sei que há muitos querendo ler o que escrevo. Não, eu não quero escrever, não quero debruçar-me sobre o papel nestas horas vagas; neste momento, somente quero ler.
Querem cobrar que eu escreva perfeitamente, mas não quero, no momento, ser o escritor — não que, para escrever perfeitamente, seja necessário ser escritor — e muito menos o poeta; quero ser, agora, o leitor. Quero sentir na pele o que é, de fato, ser o leitor — com o olhar crítico, fervoroso e, muitas vezes, condenatório — e ditar o que deveria ter sido escrito ou não, se deveria, de fato, ter sido publicado ou não.

Quero ler e ler, sem mais nem menos; ler a ponto de dizer: "Não lerei este livro, porque não gostei do início", ou dizer: "Este livro não permite uma leitura completa, olha só...". Agora, eu quero exigir do escritor — ou, quem sabe, do poeta — que ele escreva perfeitamente e do jeito que eu quero.

Quero um texto perfeito, impecável, sem erros, de acordo com o seu estilo. Não quero um texto simples; quero um texto que eu olhe e me surpreenda, a ponto de dedilhar cada palavra. Não me venha com achismos e afins, principalmente se o texto for jornalístico. Se for uma boa crônica, que seja daquelas que, mesmo que eu queira ficar sério, me façam dar um risinho no canto da boca (um risinho, para não dizer que me entreguei por inteiro e me deixei levar pelas palavras).

Quero que na poesia "não haja verbos"; que se escreva apenas com adjetivos, palavras rebuscadas, metáforas, antíteses, sinestesias, hipérboles... Que se escreva o máximo possível de forma conotativa; não me venha com sentido real, quero tudo além do normal.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


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