Quando a gente pensa que a porta do inferno foi fechada, sempre há algo que acaba impactando muito — não apenas o psicológico de quem passa por determinada situação, como também de quem vê e não tem como fazer nada para ajudar. Que situação triste a que uma diarista passou ao ir, acompanhada da filha de 7 anos, cobrar o pagamento ao patrão!
Já cantava Renato Russo: 'Que país é este?'. Talvez continue sendo o país da impunidade, de pessoas clamando por justiça e nem sempre sendo ouvidas. O país onde ainda há quem falte com o respeito ao trabalhador; o país que, por sua vez, condena quem não tem condição financeira. Um país também racista, que paga quem deveria nos defender para nos oprimir. Infelizmente, uma polícia treinada para oprimir o pobre, como se fosse 'capitão do mato'.
A diarista foi cobrar o salário ao patrão e ele não quis pagar; a polícia chegou e a algemou. Gente, olhem que situação humilhante: uma trabalhadora sendo presa por reivindicar o pagamento do trabalho feito e, pior, ser algemada e colocada na parte de trás da viatura (isso mesmo, na parte de trás da viatura) como se fosse uma criminosa. Isso aconteceu em São Paulo; venho assistindo e acompanhando esse caso desde cedo. São cenas de descaso e desrespeito para com o trabalhador.
O que mais me deixou chocado foi a fala dela: 'Eu trabalhei, moça!'. Ela estava com a filha de 7 anos; dava para escutar a criança chorando e, ao mesmo tempo em que a mãe falava que trabalhou, dava para sentir a sua preocupação com a filha. Dava para sentir a incompreensão diante do fato, o inconformismo perante tamanha brutalidade, o desespero e a busca para que alguém a ajudasse, para que alguém escutasse a sua voz. Gente, o que vem se passando em nosso país? Que polícia é essa? Cadê os direitos humanos?

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