sexta-feira, 5 de junho de 2026

Flávio Bolsonaro Perdido: Lula Pode Ganhar no Primeiro Turno

Quanto mais o Flávio Bolsonaro cria suas falácias, mais ainda o Lula cresce nas pesquisas eleitorais. Continue, Flávio Bolsonaro!

Pesquisa Vox Brasil mostra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno com 42,1% e o Flávio Bolsonaro com 33,6%. Isso apenas vem mostrando que a sociedade brasileira está atenta ao que vem acontecendo no nosso país. Quem sabe, com isso, a sociedade passe a reconhecer o atual presidente Lula como um dos maiores estadistas e democratas de todos os tempos.

O senador Flávio Bolsonaro está perdido diante de seu possível envolvimento no caso do banco Master, após indícios de que dinheiro de Vorcaro teria sido usado para financiar o filme promocional sobre Jair Messias Bolsonaro. A investigação aponta para um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a produtora do filme "Dark Horse", tanto a empresa "Go Up Entertainment", quanto o "Instituto Conhecer Brasil" e a "Go 7 assessoria", foram alvos de busca e apreensão em São Paulo. 

O que vem restando do Flávio é criar falácias como forma de abafar o caso e tentar envolver a oposição em possíveis crimes com os quais sequer existe envolvimento, associar a oposição ao CV e PCC, quando na verdade ele está envolvido até o pescoço com as milícias responsáveis por lavagem de dinheiro de organização criminosa.

Falta clareza nas falas do parlamentar, que por sua vez mostra incapacidade de se defender diante das acusações e vive fazendo jogo político. Isto somente mostra que o senador está despreparado para os próximos debates das disputas presidenciais deste ano de 2026.

Montagem fotográfica mostrando o senador Flávio Bolsonaro de terno azul sorrindo à esquerda, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de terno cinza de perfil à direita ajustando a gravata
Montagem fotográfica mostrando o senador Flávio Bolsonaro de terno azul sorrindo à esquerda, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de terno cinza de perfil à direita ajustando a gravata. Imagem reprodução.


O Brazil Vai Virar Brasil no Governo Lula: O Resgate da Soberania Nacional

 O presidente que luta pela soberania do seu povo é digno de respeito e consideração. O Brasil tem um verdadeiro estadista e democrata assumindo a presidência, quanto a isso, não temos dúvida alguma. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem presidindo o nosso país de forma ímpar, resgatando assim os valores nacionais. Todos os santos dias o governo Lula mostra à sociedade brasileira que o Brasil tem tudo para dar certo.

A sociedade brasileira tem muito de que se orgulhar, o Brasil saiu mais uma vez do mapa da fome e bateu recorde no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), graças às políticas públicas que vêm sendo implementadas e aperfeiçoadas. Quanto ao tarifaço que o governo Trump vem impondo ao Brasil, o presidente Lula vem agindo de forma correta defendendo a nossa soberania nacional. O governo dos EUA por sua vez vem agindo com má-fé contra diversos países e criando mecanismos de retaliação.

Com mais quatro anos de governo Lula, o Brazil vai virar Brasil, diante da defesa da soberania nacional e da transformação da qualidade de vida da sociedade brasileira, através das políticas públicas. O Brasil tem tudo para dar certo sim, estamos, por nossa vez, resgatando os nossos valores nacionais. A defesa do sistema de pagamento do Pix é também de suma importância, pois o Brasil criou o melhor mecanismo de pagamento e o mais seguro.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de perfil, segurando e beijando a bandeira do Brasil durante um evento público noturno. Ele aparece em primeiro plano, à esquerda, com cabelos e barba grisalhos, vestindo uma camisa clara. A bandeira nacional está destacada, com as cores verde, amarela e o círculo azul com a inscrição "Ordem e Progresso" bem visíveis. Ao fundo, há uma multidão desfocada, bandeiras brancas e vermelhas, e estruturas de iluminação de um palco sob o céu escuro.
Luiz Inácio Lula da Silva beija a bandeira do Brasil durante evento público noturno. Ele aparece de perfil à esquerda, enquanto o pavilhão nacional ganha destaque no centro. Ao fundo, uma multidão desfocada empunha bandeiras sob a iluminação de refletores. Imagem reprodução 


A Fragilidade Oculta: Quando o Desejo de Ser Acolhida Rompe os Limites da Realidade

Parece nada mais e nada menos que cenas de filmes ou quem sabe de novelas, mulher de 37 anos, identificada como Amanda, se passou por criança de 12 anos como forma de ganhar moradia e atenção, a gente pode até achar engraçado, mas isso é completamente sério, a priori ela fez isso em 5 (cinco) estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás), mas, o que choca mesmo é saber que ela tem mais de 200 (duzentas) agulhas espalhadas pelo corpo dela e foram encontradas até nas partes íntimas. Mesmo que ela diga que foi ela mesma que inseriu as agulhas há algo de estranho nessa afirmação. 

É necessário saber o que de fato levou essa mulher a fazer isso, mesmo com as justificativas que já vêm sendo apontadas, é necessário saber se ela vem fugindo dos antepassados (a forma que ela foi criada, se houve alguma desavença familiar ou abuso), se ela foi vítima de alguma retaliação, foi explorada por alguém a ponto de não querer aceitar o seu próprio ser e se esconder por detrás de uma personagem de criança. É claro que a sua prática é vista como golpe; muitos a veem como estelionatária, mas como funciona a mente de uma pessoa que age assim? Tendo em consideração que as pessoas que a acolheram também tiveram o psicológico afetado. 

O que chama a atenção é que ela não agrediu fisicamente as vítimas e não se apropriou diretamente de dinheiro ou bens delas de forma violenta. Embora as famílias tenham arcado voluntariamente com despesas altas, tratamentos médicos caros e presentes, não há registros de desvios bancários ou furtos convencionais.

Mais que necessário que essa pessoa presa seja encaminhada para os devidos tratamentos psicológicos, pois ela não pode ser vista apenas como uma criminosa, pois é visível que, diante dos fatos, ela não apresenta nenhum tipo de risco para a sociedade, quem sabe uma pessoa precisando ser acolhida e que carrega muitos traumas do passado e encontrou essa forma para ser aceita. Não apenas ela precisa de tratamento psicológico como também as vítimas, que por sua vez tiveram a intenção de ajudar (isto mostra que mesmo diante de tal situação, ainda vivemos num mundo em que há pessoas que carregam dentro de si a solidariedade).

Lado Esquerdo (A Suspeita): Mostra uma fotografia real de costas da mulher de 37 anos (Amanda) no momento de sua identificação policial. Ela possui cabelos escuros amarrados, veste uma camiseta branca com estampas cinzas de estrelas e calças com padronagem lilás. Ela está posicionada de frente para uma porta verde. Lado Direito: (A Farsa Infantil): Apresenta uma composição simbólica que representa o personagem infantil criado para o golpe. Sobre uma superfície felpuda branca e encostados em uma almofada cinza, veem-se um pequeno urso de pelúcia em formato de coelho cinza e branco e uma mamadeira cheia de leite com tampa amarela.
Lado Esquerdo (A Suspeita): Mostra uma fotografia real de costas da mulher de 37 anos (Amanda) no momento de sua identificação policial. Ela possui cabelos escuros amarrados, veste uma camiseta branca com estampas cinzas de estrelas e calças com padronagem lilás. Ela está posicionada de frente para uma porta verde. Lado Direito: (A Farsa Infantil): Apresenta uma composição simbólica que representa o personagem infantil criado para o golpe. Sobre uma superfície felpuda branca e encostados em uma almofada cinza, veem-se um pequeno urso de pelúcia em formato de coelho cinza e branco e uma mamadeira cheia de leite com tampa amarela. Imagem reprodução 


quinta-feira, 4 de junho de 2026

O poeta e o povo

E os poetas, os poetas
Necessitam falar,
Tirar tudo o que esta preso por dentro,
Sem medo, tem de falar
Para o povo, muito mais
Do que sente.
O poeta não pode calar,
Diante ao sistema,
Diante a tudo o que se passa,
Diante a opressão,
Diante ao massacre social.
O poeta tem de falar
O poeta tem de escrever,
Nada pode calar a boca do poeta,
O poeta tem de ser livre,
Tem de romper barreiras.
O poeta tem de respirar
E se o ar esta poluído
Buscar uma forma de falar
Se a água está poluída
Buscar uma forma de falar,
Se estão matando a natureza
Buscar uma forma de falar,
A sociedade precisa saber,
Que estão destruíndo
O que há de mais precioso,
A natureza.
Se querem cortar os direitos
Trabalhistas, o poeta tem de falar
Se o povo não tem como
Se sustentar, o preço
Dos alimentos estão auto
O poeta tem de falar,
Levantar o povo
E juntos protestar,
O poeta não pode morrer,
O poeta tem de sobreviver
O poeta tem de buscar,
O poeta, o poeta tem que
Ir além da poesia,
O poeta tem que ter ousadia
O poeta pertence ao povo.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Liberdade e respeito para todos

Liberdade e respeito para o meu povo
Sofrido, que tanto vive na miséria
Liberdade e respeito para o meu povo
Esquecido pelos tiranos
Do plenário.
Liberdade para os poetas, escritores,
Cantores, jornalistas,
Liberdade de expressão,
Liberdade para poder
Reivindicar, liberdade
Para o povo, liberdade
Para todos.
Liberdade e respeito as
Classes trabalhistas,
Respeito aos alunos e professores
Das escolas públicas,
Justiça para as injustiças,
Chega de exterminarem
As crianças e jovens.
Chega de enganarem
O povo, chega de alienação
Nos meios de comunicação
Liberdade e respeito para
Todos.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Naquele dia

Doeu no peito
Quando você me abandonou
O café me tornou mais forte.

Na imagem o poeta e escritor Valter Bitencourt Júnior usando óculos com armação preta e camisa cinza.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.




domingo, 31 de maio de 2026

Quebrando as barreiras do preconceito: Erika Hilton faz uma grande diferença na política brasileira

A eleição de Erika Hilton como a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é um grande marco na história brasileira. Se há um imenso machismo de muitos homens para com as mulheres, uma mulher trans assumindo esse posto quebra inúmeros tabus. Esse tipo de acontecimento se torna fundamental para que seja desconstruído o preconceito que muitos carregam dentro de si. É visível que toda a repercussão em torno do caso ocorre pelo fato de se tratar de uma mulher trans.

Recentemente, vi uma publicação feita pelo apresentador Alex Lopes que mostrava imagens gravadas durante um ato realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. No vídeo, Erika Hilton aparece sendo ovacionada e chamada de presidenta, acompanhada da legenda: "Próxima Presidenta da República? Érika Hilton é ovacionada em encontro em Universidade Federal". Realmente, Erika Hilton é presidenta — no caso, da Comissão de Defesa da Mulher —, portanto não é de estranhar que ela seja chamada por esse título.

Porém, a publicação traz a visão de uma possível "futura presidenta da República". Acredito que esse post foi um erro de interpretação proposital e provocativo para testar a reação das pessoas. O algoritmo, por sua vez, entregou o conteúdo exatamente para o público que iria condená-la sem ao menos analisar os fatos. Quem tece os melhores comentários acaba recebendo as piores respostas daqueles que estão ali dispostos a atacar, atacando não apenas a postagem, mas a própria deputada.

Se uma mulher trans gera tanto incômodo ao assumir a Comissão de Defesa da Mulher, seria maravilhoso ver a primeira mulher trans assumindo a presidência do país; seria mais uma grande conquista. E por que seria uma grande conquista? Porque esse espaço pertence a todos aqueles e aquelas que lutam por um país e por um mundo melhor, quebrando as barreiras do preconceito e das desigualdades. Erika Hilton tem se destacado como uma das maiores deputadas da atualidade, digna de respeito, que sabe lutar com propriedade e de forma lúcida na defesa de seus direitos e dos direitos da sociedade. Inclusive, o ato realizado na UFMG foi uma audiência pública pelo fim da escala 6x1.

O Brasil ainda tem jeito, e isso é maravilhoso. Ver o país se tornando um espelho para as outras nações, diante de pessoas firmes e que realmente têm um compromisso verdadeiro com a população, nos mostra que devemos ocupar os espaços públicos e suas instituições, porque eles pertencem a todos nós!

Retrato em close da deputada Erika Hilton. Ela tem longos cabelos loiros ondulados, usa blazer branco, colar dourado trabalhado e brincos grandes com pérolas pendentes. O fundo é neutro e sua expressão é séria e marcante.
Erika Hilton 





sábado, 30 de maio de 2026

O Brasil bate recorde no IDH e sai do Mapa da Fome: Por que a grande mídia esconde isso?

O Brasil alcançou o melhor índice de desenvolvimento humano da história pela primeira vez, mas por que será que não estão falando sobre isso devidamente? Por que muitos ocultam os avanços que o nosso país vem tendo atualmente? Assim como também muitos não apontam as devidas melhorias e o que ainda precisa ser melhorado?

É necessário que a sociedade acompanhe os avanços e melhorias de seu próprio país. Assim como também é importante reconhecer as políticas públicas que vêm sendo geradas e melhoradas ao longo de anos e anos de muitas lutas e grandes conquistas. Será que isso não gera like? Não gera comentários e compartilhamentos? Será que o que importa mesmo são informações muitas vezes manipuladas e controladas por grandes interesses econômicos? Sabe-se que há algo de errado em nosso país, e a hipocrisia se faz presente na medida que muitos se fazem de cegos para não enxergar as devidas melhorias e tentam vetar os próprios direitos enquanto cidadãos e cidadãs.

O Brasil tem tudo para dar certo, e o governo Lula vem mostrando isso todos os dias. Diante disso, é preciso destacar a importância do jornalismo independente, que vem ganhando um papel significativo ao levar as devidas informações para a população. Essa nova vertente comunicacional, por sua vez, contribui para desconstruir uma mídia comercial que pouco se importa com as políticas públicas.

Os relatórios da ONU apontando as melhorias do índice de desenvolvimento do nosso país são de suma importância, assim como os relatórios que mostram como o nosso país saiu mais uma vez do mapa da fome. Isso prova que uma boa gestão de governo se faz na criação e no desenvolvimento de políticas públicas, combatendo, assim, as desigualdades — e quem combate as desigualdades contribui diretamente para a diminuição da fome, da calamidade pública e da violência.

Bandeira do Brasil hasteada em um mastro sob um céu azul intenso. O tecido verde, amarelo e azul ondula com o vento, destacando a faixa branca central com a inscrição nacional "Ordem e Progresso" cercada por estrelas brancas.
Bandeira do Brasil. Imagem reprodução 


Tela Brasil e incentivos à educação: as políticas públicas que transformam o país

O Tela Brasil é mais uma grande iniciativa do governo Lula de valorização do cinema nacional. O programa disponibilizou, a partir de hoje (30), mais de 500 obras audiovisuais nacionais. É um passo significativo no fortalecimento da memória cultural e de seus resgates históricos — a garantia de acessibilidade ao público em si —, que, por sua vez, não pode abrir mão de iniciativas como essa.

O programa Tela Brasil foi divulgado e lançado no evento Rio2C 2026 pelo presidente Lula e pela ministra da Cultura, Margareth Menezes. Durante a cerimônia, houve a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), permitindo a integração gradual da TV Brasil à plataforma e a ampliação da oferta de conteúdos públicos nacionais.

O evento, para lá de democrático, reuniu representantes do setor audiovisual: artistas, cineastas, produtores, pesquisadores, gestores culturais, influenciadores e profissionais da comunicação pública.

É necessário também trazer aqui outras grandes iniciativas do governo Lula, que são o MEC Livros, o MEC Idiomas e o programa Pé-de-Meia. O Brasil continua passando por grandes transformações. O incentivo à educação pública é o que de fato transforma o país; tudo isso faz parte de políticas públicas implementadas pelo governo e faz uma grande diferença. Pobre do país que não tem políticas públicas que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas através da acessibilidade à informação e de planejamentos de melhorias na qualidade de vida.

Por fim, unindo ambas as iniciativas, o Brasil garante nada mais, nada menos que a sua soberania. O país demonstra sua capacidade de transformação por meio do ensino e da tecnologia, elementos que fazem parte fundamental da sociedade brasileira e do mundo.
Logotipo "TELA BRASIL" em letras brancas no centro de um fundo preto. À direita da palavra "TELA", há um ícone de projetor amarelo e branco. Bordas superior e inferior decoradas com formas geométricas abstratas em azul, amarelo, verde e preto.
Imagem Reprodução/Ministério da Cultura.


Beijo

Meu coração
Prisioneiro
Libertou-se.

Na imagem o poeta e escritor Valter Bitencourt Júnior em formato de desenho colorido.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Chuva no sertão

Desenhei nos teus lábios
O desenho dos meus lábios
Seco, matei a sede!

Na imagem Valter Bitencourt Júnior em formato de desenho colorido.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Um dia o povo será pelo povo

Um país em crise
Pessoas sendo
Desempregadas,
Alimentos em valor
Elevado.
No meio da miséria
Instalaram
As olimpíadas,
Para a felicidade
Dos que nada tem,
Para enganar
A sociedade.
A corrupção todos,
Todos sabem,
Mas, continuam
Acreditando no governo.
Nos jornais da para vê
A violência, o Brasil
Sangra, o mundo sangra,
Desvalorização a instituição
Pública,
Eles não ligam pra gente
A sociedade sente na pele
A miséria, a desgraça,
A dor, a sociedade sente
E cala, nada fala.
Este é o meu país,
Este é o mundo.
E tudo avança,
Querem que trabalhemos
Até morrer, temos
De produzir, produzir,
Produzir até a morte,
Temos de trabalhar
Para o estado,
Temos de pagar imposto,
Temos de sustentar o governo,
Temos de sentir na pele
A opressão e nada
Podemos falar.
A polícia cala a nossa boca,
Recebendo as ordens do estado,
As redes de televisão,
A rádio, por sua vez
Aliena o povo, o povo
Por sua vez se conforma.
O povo pode dá a voz,
Principalmente os que sabem
Que não tem nada a perder.
Um dia o povo vai vencer
E o povo será pelo povo.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior usando óculos e camisa polo cinza.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


sábado, 23 de maio de 2026

Rosa

Nascem botões
Brotam
Fascinam,
Encantam
Reconciliáveis
Quando tudo
Está ao avesso.

Imagem em preto e branco, na imagem aparece Valter Bitencourt Júnior segurando uma caneta.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Morte cruel

Voa pássaro...
E no fim deixe saudade
Nesse mundo
Que reza por ti!
Oh! Morte cruel,
Cortarei tuas asas
Para caminhar contigo.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior usando óculos com armação preta e camisa branca.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


E você canta

Belas cortinas
Estampadas no seu sorrir,
Disfarce do seu dia,
Ilusão da sua noite.
O silêncio fala
E você canta!

Na imagem Valter Bitencourt Júnior em formato de desenho colorido.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


sexta-feira, 22 de maio de 2026

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

A "Lei Rouanet da Direita" e o Espetáculo da Hipocrisia Política

A cobrança de CPMI feita por Flávio Bolsonaro, solicitando que Vorcaro compareça para esclarecer seu possível envolvimento no caso Master, é emblemática. Além disso, ele também quer explicações sobre os encontros de Vorcaro com a oposição. Flávio Bolsonaro não quer ficar sozinho nessa e joga a responsabilidade sobre os adversários, o que compromete ainda mais a sua imagem. Ele se mostra incapaz de se defender sem recorrer a esse jogo de camuflagem, apontando para os demais candidatos.

Como já publiquei nas redes sociais: "Eu adoro quando essa gente cobra CPMI e o tiro acaba saindo pela culatra, servindo apenas para comprovar a própria cumplicidade que tanto quer negar. Vai que é tua, Flávio Bolsonaro! 😂😂😂😂". Em outra postagem, complementei: "A incapacidade de Flávio Bolsonaro de se defender diante das acusações sobre o caso Master somente aponta o quanto ele está despreparado para os próximos debates políticos. Esse jogo de apontar para os outros candidatos apenas enfraquece seus argumentos, os quais, muitas vezes, fogem da veracidade dos fatos."

Eles estão perdidos e não sabem o que fazer para reverter essa situação. O que restou foi tentar atribuir o caso à oposição como forma de manipulação. Também publiquei nas redes sociais: "A hipocrisia da 'Lei Rouanet da direita': usam o moralismo contra a Rouanet oficial enquanto articulam R$ 134 milhões privados com um banqueiro sob investigação para a cinebiografia de Bolsonaro, feita para autopromoção. Cultura? Não, balcão de negócios na mira da PF." Essa turma vem trabalhando e contribuindo para grandes esquemas de desvio de dinheiro público no país, desde o caso do INSS até o caso do banco Master.
Mas que direita é essa? Que turma é essa que se formou em nosso país? Como publiquei recentemente: "Pensando bem, ao comparar a direita da nossa atualidade com a direita de antigamente, o que as diferencia é que, hoje em dia, a mesquinhez dessa turma ganha uma dimensão maior graças aos avanços tecnológicos. Essa gente sinaliza para o mercado e para os seus próprios interesses, importando-se pouco com o povo. Não é de estranhar o grande envolvimento dessa turma nos casos do INSS e do Master." É a lógica do favorecimento do mercado para atender a interesses particulares.

Resta saber se o eleitor se lembrará desse balcão de negócios e dessa camuflagem nos próximos debates. A tecnologia que hoje amplifica a mesquinhez dessa turma também serve para registrar a hipocrisia. O espetáculo acabou; agora, o que o Brasil espera são respostas reais.

Charge política gerada por IA mostrando um homem de terno com manga camuflada em um escritório. Cartazes trazem os títulos sugeridos sobre o caso Master e a "Lei Rouanet da direita".
Charge política gerada por IA mostrando um homem de terno com manga camuflada em um escritório. Cartazes trazem os títulos sugeridos sobre o caso Master e a "Lei Rouanet da direita".


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Viver

É gostoso
Você saber
Amar a vida
É como você
Se banhar
Em um mar
De pétalas
De lírios
E sentir
O cheiro
Do lis
Vagarosamente.
É belo
Saber viver
O dia
Não deixando
Que ele escureça.

...

Não deixando de sentir...


Na imagem Valter Bitencourt usando óculos e camisa polo cinza.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Te amo

Sai facilmente
A palavra:
Te amo;
Com um toque
Brilhante em sua face
Seguindo, e vindo,
E controlando...
O seu sorriso
Constelar
Linda despedida
Da manhã!

Selfie de Valter Bitencourt Júnior usando óculos e camisa branca.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

A Engrenagem da Mentira e a Economia da Atenção

Da família Bolsonaro restam apenas as mentiras como tentativa de ocultar a veracidade dos fatos. Eles se sustentaram por meio de boatos e falsidades durante muitos anos, evidenciando que esse grupo político parece incapaz de sobreviver sem a desinformação. Contudo, essas fraudes estão sendo desmascaradas, o que vem deixando o clã desesperado. Esse processo de esclarecimento ganha força graças aos jornalistas investigativos independentes. É fundamental reconhecer o papel da imprensa na atualidade, que assume uma importância central na defesa da verdade factual.

A luta pela regulamentação das redes sociais continua, mas mudanças plausíveis já são visíveis. Os algoritmos começam a atuar no combate aos boatos. Embora mentiras surjam a todo momento, elas perdem força rapidamente devido à atuação dos verificadores de fatos. Hoje, esses mecanismos de checagem estão implementados em diversas redes sociais, somando-se a uma variedade de fontes e sites que possibilitam a validação de publicações duvidosas.

Na era da inteligência artificial, ainda há muito a ser feito diante das deepfakes e da monetização algorítmica, desenhada para gerar impacto emocional — seja positivo ou negativo. Sempre há quem caia nas armadilhas arquitetadas pelas Big Techs. Por outro lado, a sociedade compreende a cada dia o funcionamento dessas plataformas, e muitos usuários já começam a verificar os fatos de forma autônoma.
A mentira, contudo, não é exclusividade de um único grupo político. O ecossistema de notícias falsas e distorções conta com a colaboração de terceiros, que aceitam fraudes como verdades absolutas. Há também a mídia comercial, que utiliza seu poder informativo para monetizar boatos e manipulações. Muitas vezes nos tornamos reféns dessa estrutura, o que ressalta a relevância do jornalismo independente para desestruturar os interesses dessa outra gigante da macroeconomia.

Esse sistema necessita de pessoas desinformadas. Quanto mais o indivíduo se condiciona a compartilhar conteúdos sem checar a procedência, mais ele se torna refém de políticos que vivem da mentira e de veículos comerciais cúmplices. Vivemos também a era dos influenciadores digitais. Impulsionados pela necessidade de sobrevivência, até mesmo os bons criadores tornam-se cúmplices das plataformas. Eles aceitam pequenos lucros de monetização, o que alimenta o poder das gigantes da macroeconomia, companhias que exploram as necessidades financeiras de seus usuários para obter lucros ainda maiores nos bastidores. Os influenciadores aprendem a utilizar as redes para ganho financeiro, muitas vezes desconsiderando o impacto na própria imagem. Esse cenário reflete o comportamento dos próprios usuários, que consomem as redes de forma compulsiva, buscando um ganho ilusório no acúmulo de informações, imagens, vídeos e textos na tela infinita.

Diante disso, a verdadeira chave para a desconstrução dessas gigantes depende da nossa postura. Quebrar essa engrenagem exige que deixemos de ser consumidores passivos de telas e passemos a exigir responsabilidade de quem publica, apoiando ativamente quem trabalha pela verdade.

Infográfico conceitual: sociedade combatendo desinformação digital e mentiras políticas com jornalismo independente e checagem de fatos em uma grande engrenagem tecnológica. Imagem: Gerada através de inteligência artificial
Infográfico conceitual: sociedade combatendo desinformação digital e mentiras políticas com jornalismo independente e checagem de fatos em uma grande engrenagem tecnológica. Imagem: Gerada através de inteligência artificial 


A Força da Base Familiar na Sociedade Global

Hoje é o Dia Internacional da Família, dia de debater sobre o desenvolvimento da família e a sua estrutura na sociedade em que vivemos. É a luta por qualidade de vida melhor e na defesa das políticas públicas que, por sua vez, têm uma grande importância no combate às desigualdades. O Dia Internacional da Família surgiu por iniciativa da ONU na década de 1980 e foi oficializado no ano de 1993. Quem sabe, um dia de conscientização e do respeito aos direitos que garantem a defesa e a proteção da família como um todo. De forma abrangente, Dia Internacional das Famílias.

É mais que necessário que continuemos discutindo sobre temáticas que têm por finalidade o desenvolvimento familiar, o combate à pobreza e à fome, assim como também discutir sobre a questão da migração, assim como as mudanças climáticas. Mas o que isso tem a ver? Tem, no quesito de compreensão de que, quando se fala de família, também se fala do espaço geográfico em que se vive.

Dia importante, e é necessário também citar que há o Dia Nacional das Famílias estabelecido no dia 8 de dezembro, assim como também tem o Dia Nacional das Famílias nas Escolas estabelecido no dia 24 de abril. A construção da família, por sua vez, se inicia da raiz, da base familiar, assim ganhando estrutura. Debater sobre o bem familiar, suas necessidades e meios de sobrevivência é, nada mais e nada menos, que um direito que tem de ser garantido e preservado.

Melhorias se fazem através de diálogo, através de conhecimento do que se passa no dia a dia, assim como nas ações.

Mosaico com seis fotos de famílias de diferentes etnias e culturas sorrindo. No centro, uma faixa azul destaca o texto em letras brancas: 'Feliz Dia Internacional das Famílias'. Imagem da internet.
Mosaico com seis fotos de famílias de diferentes etnias e culturas sorrindo. No centro, uma faixa azul destaca o texto em letras brancas: 'Feliz Dia Internacional das Famílias'. Imagem da internet.


O Efeito Pinóquio e o Espelho da Realidade

A gente sempre quer saber quem está falando a verdade, principalmente no meio político, em que muitos mentem descaradamente. Nasceu um novo mundo. Nesse novo mundo, os políticos que mentem ganham o "efeito Pinóquio": a cada mentira dita por eles, o nariz vai crescer. Todos passam a reconhecer os políticos de acordo com o tamanho do nariz, sabendo exatamente se estão mentindo ou se estão falando a verdade. Os verificadores de fatos, por sua vez, apontam a veracidade das declarações com base no tamanho do nariz dos governantes.

A sociedade vota em quem mente menos, ou seja, em quem tem o nariz no seu tamanho — suponhamos — normal. Quem já nasceu com o nariz grande não nasceu mentiroso, mas, se continuar mentindo, pense no quão feio será. Nesse mundo, os políticos que cometem crimes não terão seus delitos medidos pelo nariz, mas sim de acordo com as suas ações. O julgamento jamais deverá ser feito pelo tamanho do nariz, até porque seria um grande erro, já que se sabe que quem tem o nariz normal também pode cometer crimes. Mesmo assim, a justiça vai perceber imediatamente quando o político julgado estiver mentindo. Pense numa delação premiada justa, com um verificador de fatos visível, capaz de detectar tudo.

Contudo, o mundo que nasceu não é 100% justo. Nele, há pessoas que não são políticos partidários, mas que carregam sua própria visão política. Quem sabe muitos desses queiram ver aquele que tem o nariz maior como alguém capaz de dizer a "sua verdade" (para não dizer mentira) como uma forma de coragem. Isso, talvez, não se diferencie do mundo anterior, em que muitos ditavam mentiras em forma de verdade e havia quem visse nisso um ato de bravura.

Surge, então, a briga dos que lutam pelos políticos de nariz pequeno contra os que ganham narizes grandes de acordo com as mentiras proferidas. Esse mundo se transforma em um caos, porque ainda há instituições que não estão inclusas nesse efeito Pinóquio, assim como o restante da sociedade. Quem quer condenar os que mentem perde o direito na medida em que percebe que a perfeição do seu próprio nariz não o impede de mentir. Por outro lado, os que querem defender os que estão sob o efeito Pinóquio não aceitam nenhuma crítica contra eles.

Voltando para o mundo atual e saindo do universo do efeito Pinóquio, conseguimos perceber que ambos os mundos não se diferenciam. Vemos uma sociedade que aceita falas que vão, muitas vezes, de encontro aos seus próprios ideais, tolerando esses absurdos como se fossem um ato de coragem de quem os proferiu e enxergando essa pessoa como "verdadeira". Vemos uma sociedade cega a um ou mais candidatos, capaz de defendê-los com unhas e dentes, tentando passar a mão na cabeça deles e ocultando seus erros, por mais visíveis que sejam. Vemos a justiça se fazendo de cega e dando imunidade a quem age com má-fé. Vemos, também, a mídia manipulando e os algoritmos das redes sociais destruindo nossos neurônios, jogando-nos uns contra os outros como forma de gerar engajamento e monetizar o ódio sob o pretexto da liberdade de expressão.

Não adianta nascer um novo mundo ou criarmos uma nova realidade enquanto o ser humano perder a capacidade de enxergar o que se passa à sua volta. Quando isso acontece, seus ideais morrem, tornando-o incapaz de dialogar, de pensar, de questionar e de agir.

Ilustração editorial de político com nariz de Pinóquio em palanque. Ao fundo, telas, jornais e termos como "ÓDIO" e "MENTIRAS". À frente, multidão polarizada e hipnotizada por celulares em caos. Imagem gerada por IA.
Ilustração editorial de político com nariz de Pinóquio em palanque. Ao fundo, telas, jornais e termos como "ÓDIO" e "MENTIRAS". À frente, multidão polarizada e hipnotizada por celulares em caos. Imagem gerada por IA.


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Festival Led Apresenta: "Protagonismo Que Se Aprende: Competências Empreendedoras Para Construir Caminhos"

Olha esse convite para quem vai para o Rio de Janeiro ou já se encontra por lá. Palco LED Inspira - Galpão 1B, dia 15 de maio, às 16h, no Pier Mauá. incluam na agenda de vocês. "Um encontro para falar sobre "Protagonismo que se aprende: competências empreendedoras para construir caminhos".

Participações: Cecília Fonseca e Miranda, Marcos Vinícios Oliveira, Xico Sá e mediação de Tati Machado. Imagem divulgação
Participações: Cecília Fonseca e Miranda, Marcos Vinícios Oliveira, Xico Sá e mediação de Tati Machado. Imagem divulgação. 

Na imagem Xico Sá e confirmação de participação em evento "Festival LED.
Imagem divulgação. Na imagem Xico Sá e confirmação de participação em evento "FestivalLed




terça-feira, 12 de maio de 2026

Pileque

Desgraça alheia
Oh! Vida insignificante
Pra que tantos passos errantes?
Passos que deixam rastros
Não laváveis,
Sua euforia é disfarce.
Sequer
Sabe-se o fim
Terminados em discussões ou distorções
Por que nos fustigas,
Descabível pileque?
Desgraça do homem
Desse seu sorriso
Prefiro distância
Distância que me deixará
Marcas.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior fazendo uso de óculos e camisa preta e com leve sorriso no rosto.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Distante a mirar!

Águia que olha distante,
Já sofreu tanto
Quanto sofri?
Um olhar distante
É o que me resta!
Será que somos
Dois diamantes sem brilho,
Ou esquecidos, ignorados,
Menosprezados, não
Lapidados, desvalorizados o que há?
Só fico aqui sentado pensado
Distante a mirar!

Na imagem, o poeta e escritor Valter Bitencourt Júnior usando óculos de grau, camisa branca e com a mão direita próxima a boca.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


A Estética da Lama: Quando a Vida se Torna Irônica Com o Próprio Ser

Você tem que ser da forma que lhe moldam e, nessa, vai chegar o tempo em que você vai perder a sua própria identidade. Sabe que merda é viver no padrão em que nos querem transformar? É, e há quem se incomode com essa palavra: "merda". Mas não há sujeira maior que essa tentativa de limpeza que dizem ser ética. É tudo uma farsa e a gente segue feito marionetes.

Não se preocupem, senhores, não irei tirar a maestria de sua nobreza. É que estou de saco cheio dessa gente careta que tenta ditar o que temos de fazer o tempo todo. Não basta somente isso; querem que sejamos unificados, padronizados conforme os seus interesses. E sempre com as mesmas falácias, como se fosse bom somente o que eles ouvem, degustam e apreciam de forma "suave e tinto" (mais suave que tinto).

Você tem que escutar músicas clássicas — quem sabe as sinfonias de Beethoven ou qualquer outra —, escutar blues, MPB, músicas internacionais... Você não pode escutar essas músicas de hoje em dia, carregadas com letras vulgares, de múltiplos sentidos. Agora, eu quero saber qual é o seu gosto musical. Sei que você escreve; estou sabendo que você anda transformando palavras em imagens capazes de transmitir aromas, sons... Você tem um bom paladar, sabe aquelas coisas de etiqueta, se veste com aquelas roupas bonitas como se fosse detetive.

Que é isso? Cada ser escuta o que bem quiser e entender; cada ser se comporta do jeito que quiser. Escute o que você quiser! Não me venha com essa de "bom gosto"; o que pode ser de "bom gosto" para você, para outro pode não ser. Cada artista tem o seu público e cada público escuta o que quer. O artista não pode viver sem o público, logo, ele se sujeita a dar ao público o que muitos deles querem (não é difícil entender o que chamam de vulgar e o que condenam nas letras de múltiplos sentidos). Não me venha com essa de ser chique demais, de querer ser melhor que os outros; como diz um certo poeta: "quanto mais se eleva, maior é a queda". Imagine se escreverei somente sobre as árvores, sobre o cantar dos pássaros, o movimentar dos rios... Não, já é quase impossível. Olha o quanto tudo tem mudado e vem mudando; a geração de hoje vive um presente que não condiz mais com o passado.

Você quer saber qual é a minha indignação, você quer saber que revolta é essa, você quer saber os motivos. Não basta somente essa gente alinhada, mas uma parte de uma sociedade julgadora da qual eu faço parte. Não, não é para fazer sentido, se já não fazia sentido antes.
Sabe, meu bem, qual é o prazer de deitar no sofá ou, quem sabe, pular a janela, correr na chuva, gritar "olha o avião" ou, quando a energia elétrica que tinha faltado volta, se sujar de lama, sentir da chuva o cheiro de terra molhada, esquecer de bater o sapato no tapete (mas como pode sujar o tapete tão lindo?)? Não quero saber mais disso; quero sentir essa rebeldia circulando no sangue.

Apenas quero mesmo é ver o que você tem a me dizer diante dos seus questionamentos. Quero ver o quanto somos moldados e até em que ponto chegaremos; se ainda vamos pisar no chão firme a ponto de querer assumir a nossa própria identidade. Enquanto isso, diante da minha indignação, eu quero desenhar o futuro no pedaço de papel e rir do papagaio que só imita o que falamos, e ainda saímos de besta.

Os Beatles na capa do disco Abbey Road — Foto: Reprodução
Os Beatles na capa do disco Abbey Road — Foto: Reprodução


domingo, 10 de maio de 2026

A Posse e a Desconstrução do Ter: O Caminho para a Humanização

O ser vai, ao longo do tempo, aprendendo a ter posse do que há por sua volta; o "é meu" é uma das palavras de propriedade em que todos querem segurar e dominar. Percebo a forma como algumas pessoas agem: todos, por sua vez, querem mostrar ter posse de bens materiais ou não materiais.

Desde o início da humanidade, o ser quer mostrar ter domínio e posse das coisas e brigam por isso, porque nem todos querem abrir mão do que lhes pertence. É claro que tem o seu lado positivo e negativo: positivo no quesito de que tem a consciência de posse, desde que não venha a ferir os direitos dos outros; negativo no quesito de apego e apropriação. O ser é humano por ter a consciência do que lhe pertence e se torna desumano na medida em que faz uso dessa consciência como forma de domínio ao outro: a escravização humana provocada através dela mesma. O ser humano pode ter consciência do que lhe pertence, compreende o espaço e suas limitações. Sabe-se também que existe, diante da posse, muitos dos direitos negados.

Todos ganham essa característica de posse desde o nascimento, por mais que ainda não se identifique o nome das coisas e para que servem; a posse, por sua vez, se torna uma questão de sobrevivência. O ser sente o que falta e, ao longo do tempo, vai aprendendo sobre as suas necessidades e existência; e, a partir da posse das coisas, também vai aprendendo a abrir mão como forma de libertação. Mas esse abrir mão depende do tipo de posse — por exemplo, de bens materiais, quando o ser percebe a importância de compartilhar e que não vive sozinho; ou, quem sabe, de acreditar ser dono do outro por questões abstratas ou por morarem juntos. Do concreto ao abstrato, o ser muitas das vezes busca ter posse como forma de autoridade sobre as coisas; isso já é do próprio ser humano e de seus instintos.

Quem muito demonstra ter posse das coisas busca mostrar autoridade; o "é meu" pode se tornar uma forma de diminuir o outro ou fazer com que o outro tenha a consciência do que não lhe pertence e do que é de si mesmo. Assim como há os que dizem "ter", também há os que dizem "não ter", logo percebemos as desigualdades. A desigualdade formada através de uma história passada que deixou herdeiros e uma dívida histórica que veio se formando ao longo do tempo, de pessoas que se tornaram escravizadas por impostores que se apropriaram de terras e se fizeram donas. A propriedade privada se torna desumana quando sabemos que há uma grande concentração de terras nas mãos de uma única pessoa, pessoa essa que se utilizou, muitas das vezes, da mão de obra escrava por muitos anos; divisão de terras é a luta por direitos negados e a busca incessante de justiça.

Percebe-se que há o lado negativo e positivo: o processo de aprendizagem e o seu amadurecimento da compreensão do significado de posse e o significado e sentido de ser humano na medida em que aprende a compartilhar e ser íntegro; da posse à desconstrução dela mesma como forma de humanização da própria espécie.

Na imagem, Valter Bitencourt Júnior, em formato de desenho, usando óculos
Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


Como te entender?

Perdeu o fluir
Dos seus cantos,
Sua voz voa
A esmo,
Torna-se concha.
Você vai ao latifúndio
E volta, pra onde?
Não mais a entendo.

Valter Bitencourt Júnior, usando óculos e camiseta azul
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Solilóquio

Como as pessoas
Se isolam facilmente,
Volto a mim
E vejo que estou
Sozinho!

Valter Bitencourt Júnior, imagem produzida por IA em formato de pintura tinta olho, usando chapéu, camisa branca e calça.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.




Gostoso

Gostoso é um beijar
De abstinência,
Quando tudo está
Perdido.
É um traçar de guerra
Em toda amplidão,
Enquanto o beija-flor
Pede a paz vizinha.
É um colar de pérolas
No teu pescoço
Para realçar o batom.


Na imagem Valter Bitencourt Júnior, com camisa listas com as cores vermelha s branca, usando óculos de grau.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


sábado, 9 de maio de 2026

Malandragem

Vem do nada...
- Diga ai, cara!
Como vai “broder”...
E eu respondo
Vou indo, mano...
Como vai a mina?
A desconfiança responde
- A nega esta estirando
Os cabelos chapa.
- E a sua mãe,
Broow, como vai?
- A coroa vai levando
Meu...
-(Chega à bisteca).
...Beijos...
-seus cabelos, hem!...
Gata estilo rock hooll
Mana...
E o amigo dá no pé
No dia seguinte
Surge do nada
-diga ai, cara!...


Valter Bitencourt Júnior, usando óculos de grau escurecido com a luz do ambiente, usando camisa cinza com alguns traços brancos.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


quinta-feira, 7 de maio de 2026

A Ética sob Vários Olhares: Do Silêncio à Autonomia

Numa aula sobre ética, um dos primeiros ensinamentos foi não apontar os erros dos outros. Por que não apontar os erros dos outros? Essa foi uma das primeiras interrogações que surgiram na mente. É claro que ser humano algum é perfeito. Temos em mente, também, que quando deixamos um erro acumular, esse erro pode se tornar uma verdadeira bomba incontrolável; um erro é capaz de puxar outro erro, se transformar em outro e, assim, sucessivamente, gerando uma bola de neve. Mas, segundo os ensinamentos, seria antiético apontar os erros dos outros. Assim, vamos aprendendo a cobrir os erros dos outros, chegando ao ponto de nos tornarmos cúmplices sem que ao menos percebamos.

Esse ensinamento, por sua vez, pode ter várias interpretações. Uma delas é de que o ser pode apontar o erro dos outros como forma de esconder as próprias falhas. Seria plausível estender as mãos ao próximo como forma de apoio; saber o momento exato de falar sem causar constrangimento é criar vínculos construtivos no ambiente de convívio. O constrangimento público pode levar o outro a mentiras, assim como também pode causar diversos conflitos que podem acabar acarretando sérias consequências em ambos os lados. Percebemos a forma como a interpretação muda de acordo com o que tenho escrito mais acima: da acumulação de erros que pode gerar bola de neve até as medidas que o ser pode tomar. Tratar o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados nos torna humanos.

Porém, o ser se condiciona a aprender a fazer silêncio e deixar que o erro acumule, acreditando que essa é uma das formas de ser ético. Aceita como se fosse uma forma de respeitar o espaço do outro, quando, na verdade, esse ser está ferindo todos os elos de credibilidade. O sentimento de cumplicidade também pode se tornar presente; o ser logo se corrompe e acredita que esse também é um dos meios de que vai ter os próprios erros acobertados. Sem que ao menos perceba, o ser matou a ética.

A maior lição que eu tive foi de um senhor de idade, que me chamou e disse: "seja responsável pelos seus próprios erros, não pelos erros dos outros". Foi uma mensagem transmitida de forma subliminar. Suas falas complementaram os meus pensamentos e deixaram novas interrogações: "Por que assumir os meus próprios erros?", "Por que não assumir os erros dos outros?". O erro somente pode ser corrigido por quem tem autoridade sobre ele; assumir o erro dos outros é se submeter a futuras mentiras e quebra de elos. Outro pode criar a falsa segurança de proteção, enquanto quem assumiu o erro se torna refém e escravo de sua própria atitude.

Quem aprende a assumir os próprios erros aprende a ter autonomia. Ter autonomia não é fácil; quando o ser aprende a ter autonomia, ele consegue fugir das armadilhas que o cotidiano nos oferece. Aprendi a ver a palavra ética com vários olhares. Mas o que é mesmo a ética? Todos nós buscamos uma definição perfeita, quando, na verdade, a ética é a construção sólida que busca transparência de nossas ações; esse processo é longo e, por sua vez, pode passar por várias situações e transformações, positivas ou negativas.

Todo ser humano passa por diversos processos na vida. Uma simples aula pode se tornar um gatilho poderoso no desenvolvimento do processo humano; cada ser tem a sua maneira de interpretar, agir, pensar, e isso é fundamental, assim como a questão ética no seu estado mais bruto possível. De uma aula para as falas de um senhor de idade; das falas do senhor de idade para as próprias conclusões. De uma escrita para outras interpretações de quem vai ler e absorver, logo surgem novos questionamentos e aprendizagens. É isso que nos torna também humanos e conscientes.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior, usando óculos e camisa vermelha, ambiente de fundo de feira.
Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


terça-feira, 5 de maio de 2026

Laços de Humanidade: O Olhar Imprevisível do Cotidiano

A vida é como uma crônica em que o escritor escreve de forma imprevisível; o tempo passa na medida em que se relatam os acontecimentos cotidianos com o olhar que busca captar os mínimos detalhes. Sinto isso ao fazer a leitura do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar". Esse livro mostra a essência de cada um dos três escritores: Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier. As crônicas, por incrível que pareça, acabam complementando umas às outras.

Anteriormente, senti a necessidade de escrever sobre a borboleta amarela, mas o faço agora graças à leitura da crônica de Xico Sá, "O desafio da borboleta amarela". Nela, ele cita Rubem Braga e Clarice Lispector, apontando Humberto Werneck como o atual vencedor dessa arte de segui-la. É claro que acabei recorrendo também à crônica de Rubem Braga, "A Borboleta Amarela" — Retornando às leituras do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", surpreendo-me com a crônica de Gregório Duvivier sobre os caçadores de likes. Intitulada "A gente não quer só comida, a gente quer postar e quer ganhar like", ela me fez refletir sobre a borboleta amarela diante da tecnologia atual. Notei o falso prêmio das rolagens infinitas e o quanto estamos presos à tela, perdendo a borboleta de vista. Se antes era difícil enxergá-la, hoje tornou-se ainda mais; mesmo assim, continuamos alimentando nossa sede de forma ilusória. Maria Ribeiro, por sua vez, conecta esses pontos ao destacar a política como forma de união — seja em um show de Gilberto Gil e Caetano Veloso, ou na gratidão pela existência de Chico Buarque. Sua crônica "Obrigada, Bolsonaro" é carregada de ironia; talvez esse ser tenha sido um mal necessário para que, diante de momentos sombrios, lembremos que somos humanos necessitados de união para nos mantermos de pé.

É impossível não citar a crônica "A desaletrada da Rocinha", escrita por Xico Sá, que conta a história de uma senhora de idade. A história de Lindacy Menezes e a sua descoberta pelas letras aos seus 64 anos mostra a importância da arte da leitura e da escrita; o pedido de desculpa e se considerar desaletrada, e mesmo assim ter a ciência de que tomou gosto por dizer as coisas e contar a própria história, é de um valor extraordinário. Também é bom pontuar a importância de projetos literários nos bairros periféricos; foi graças à oficina "Festa Literária das Periferias" (FLUP) que foi descoberta a Lindacy e o reconhecimento de que fora revelada uma narradora de primeira, tendo Zuenir Ventura como alguém da plateia a prestigiar e também reconhecer o talento. Mas a crônica não para por aí; também cita questões de violência e a situação da Rocinha, assim como o caso Amarildo. Mas fico com as palavras finais do cronista, de agradecimento pelas lições de existência e o desabafo pessoal que por sua vez ganha o sentido universal, de se todos os ditos letrados fossem iguais à Lindacy. — Impossível não concordar com o cronista e seu lado humano de captar cada detalhe.

São três cronistas que se complementam de forma fantástica com várias outras crônicas incríveis. São crônicas para realmente ler em qualquer lugar e reacender o calor humano; é o despertar das ideias que compõem os laços da humanidade como o alçar do voo da borboleta.


Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro
Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro.


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Torto Arado: A luta da ancestralidade e a formação da identidade de um povo

O livro "Torto Arado", de Itamar Vieira Junior, não resgata a fala do povo em que a história é narrada. Mesmo não fazendo esse resgate da fala, ele conseguiu levar elementos e costumes antigos que ainda se encontram presentes em nossa atualidade; faz com que o leitor sinta-se, muitas das vezes, dentro do livro. O traço se torna contemporâneo e quebra a visão de regionalismo; ganha um sentido universal na medida em que a história é narrada, não como forma de resgatar as tradições apenas, mas de fazer com que o leitor seja levado ao contexto do que foi narrado por Bibiana e, mais à frente, Belonísia. No desenrolar da história, também dá para sentir a mudança de estilo de escrita, como se apontasse Belonísia com uma idade avançada. O autor soube diferenciar a forma que cada uma narra a história, o traço da escrita e o aspecto de cada uma: de alguém que foi ganhando uma visão politizada para alguém que se tornou da terra e que ganhou essa visão com o tempo, assim não unificando a narração e dando sentido ao contexto. A terceira personagem narrando a terceira parte do livro é Santa Rita Pescadeira, o que se faz necessário para amarrar a história que foi traçada da primeira parte até a última, lembrando que a história é dividida em 3 partes: Fio de Ferro, Faca de Ponta e Rio de Sangue.

A obra, se comparada com o regionalismo, em que muitas das obras descreviam a transição da região para a urbanização, a civilização de seu povo, o surgimento do comércio e da industrialização, ganha importância no fato de que houve a ocupação do espaço e de que havia sempre pessoas que ali chegavam na busca de moradia e trabalho; o desenvolvimento se torna a questão de visão política, do contexto social e da crença. De forma fluida e contemporânea, a obra ganhou um aspecto que tem chamado a atenção de diversos críticos literários: a renovação e a fluidez das ideias. O autor universalizou a obra de acordo com a visão de um autor de nossa atualidade, sem abrir brechas para que a leitura se torne cansativa. Essa visão não é uma forma de descartar as obras regionalistas escritas por pessoas daquela época; deve ser entendida como uma obra feita por alguém que já se encontra na contemporaneidade e sujeito a mudanças provocadas pelo tempo, visão também que vem a partir de anos e anos de estudos. Alguns comparam à Literatura Periférica; pelo contexto histórico é a partir da abolição que surgem as periferias; essa visão é importante na medida em que o ser passa a conhecer o contexto histórico presente no livro e a formação do povo, que por sua vez lutava por moradia e trabalho.


Nem toda obra tem que ser lida como regionalista somente pelo fato de ter sido escrita no Nordeste e conter os traços ou falas nordestinas. Desde que se sabe que há outros elementos presentes que podem oferecer outras classificações, a obra também é afrodescendente, no resgate de elementos tradicionais inseridos no contexto da história e seus elos políticos, sociais e humanos.


A terra Água Negra é um reflexo de um passado em que os que foram libertos na escravidão passaram a ganhar um pedaço de terra para morar e, em troca, pagar através do que produziam nessas terras. Bibiana descreve com precisão o quanto aquilo era um meio de exploração dos que ali habitavam diante do proprietário, que não somente cobrava o trabalho braçal, como também parte do que era ganho através das vendas externas. A necessidade da existência de escolas para que os filhos dos trabalhadores tivessem o direito de aprender a ler e a escrever despertou a sede de Bibiana de explorar outros lugares; logo surgiu o primo Severo, que queria sair de Água Negra para explorar outros ambientes; surgiu uma visão política.


A curiosidade de Bibiana e Belonísia de saber o que Donana guardava na mala é o aspecto de qualquer criança que quer descobrir os mistérios que lhe são reservados em segredo, porém havia a consciência de que, ao abrir aquela mala, iriam desapontar Donana, que muito nelas confiava. O acidente que ambas sofreram e a língua de Belonísia, que foi atingida, apontaram que não havia hospital em Água Negra e que tinham de ir para a cidade, o que matou a curiosidade de ambas em saber como era o caminho, diante da situação pela qual passavam. As mãos de Donana pesando em suas cabeças são, ao mesmo tempo, o sentimento de culpa e preocupação e a ligação de acontecimentos passados que voltava a preocupar. O pai seguia a tradição preparando ervas para curar a filha, mas a chegada ao hospital fez com que ele mudasse de postura como forma de não receber retaliação por seus feitos tradicionais. Como se entrasse na história de "Mil e uma Noites", onde se estabeleceu a justiça e a razão, houve o reconhecimento de Zeca Chapéu Grande de que a sua prática não era aceita e a ocultação de sua identidade. Voltando-se a Belonísia e a Bibiana, esse ciclo se fecha como dois elos de forma contrária: enquanto na história árabe Sherazade usa a palavra para adiar a morte, em "Torto Arado" o silêncio de Belonísia e a voz de Bibiana se tornam ferramentas de sobrevivência. Enquanto o pai oculta a voz para sobreviver ao sistema, como razão de sobrevivência, Bibiana expõe a voz para mudar o sistema, como razão de luta, e Belonísia usa o silêncio para não ser destruída por ele, como razão de existência. Quanto à mãe? Salustiana assume o papel da busca de compreensão dos elos.


Donana, por sua vez, busca dar fim à faca que carregava o peso de tragédias passadas e, em um gesto de tentativa de apagamento do trauma, enterra o objeto em uma área próxima ao rio, esperando que a terra e a umidade consumissem aquele segredo. No entanto, anos depois, após a fuga de Bibiana com Severo, Belonísia, já em sua fase de amadurecimento e solidão na fazenda, a encontra novamente ao cavar o solo. Esse ciclo se torna essencial na narrativa porque marca a transformação da dor em resistência e diferencia o papel das irmãs: enquanto Bibiana parte para lutar através da política e das palavras, Belonísia permanece como a força guardiã que preserva a ancestralidade no território. O que antes era um símbolo de mutilação e silêncio forçado, ao ser desenterrado, transmuta-se em um instrumento de justiça; a faca deixa de ser uma ferida na linhagem das mulheres da família para se tornar a ferramenta que, nas mãos de Belonísia, finalmente corta o ciclo de opressão imposto pelos senhores da fazenda.


A compreensão plena desse ciclo só se completa próximo ao final do livro, quando as camadas do passado de Donana são reveladas: a morte de seu primeiro marido e a violência de seu segundo companheiro, que culminou no abuso sofrido por sua filha, Carmelita. Revelam-se trauma ancestral, o assassinato do agressor cometido por Donana com aquela mesma faca e a subsequente expulsão de Carmelita. Ao desenterrar a faca, Belonísia não resgata apenas um metal, mas reconecta-se com toda a história de sobrevivência, substituição e silenciamento da linhagem de sua avó Donana.


E, é claro, diante desse contexto, há a necessidade de alguém que seja visto como uma 'cura dos problemas'. O autor soube colocar essa questão em que Zeca Chapéu Grande era, além de um líder de família, um curador da região através do conhecimento das ervas e das tradições que mantêm e sustentam os elos de todo um povo que se reencontra e se identifica; destaca-se a importância do terreiro em um ambiente em que muitos estavam ali ocupando espaço como meio de garantir a moradia e o alimento. O jarê tornou-se um espaço de resistência.


Surge a importância das parteiras e o seu papel fundamental: de Donana ao filho Zeca Chapéu Grande, que fazia esse trabalho e ao passar para a esposa Salu a responsabilidade de ser parteira. É mostrado também o fato de ele ser homem e o quanto isso o deixava constrangido, bem como a questão de receber entidades femininas e a caracterização de acordo com elas; Zeca Chapéu Grande tinha que fazer uso de saias. Isso não tirava dele a visão de importância que tinha para todo o povo que ali vivia e se instalava ao longo do tempo.


A descoberta da traição entre as irmãs Crispina e Crispiana foi mais um dos pontos alarmantes. A gravidez de ambas, causada pela mesma pessoa, é um dos pontos críticos que faz com que se reflita sobre uma questão delicada, não somente de traição, mas também de desolação, sofrimento e o enlouquecimento diante da descoberta e a busca de cura através da ajuda de Zeca Chapéu Grande. Ele teve que hospedar a paciente até a cura, apontando se a situação era curável. Uma delas perdeu o filho, e a que perdeu o filho virou mãe de leite; o que aproximou as irmãs novamente, isso foi o que ficou refletido na mente de Bibiana, pois ela viu todo o contexto e escutou de que o pai das moças queria matar quem as engravidou.


Apesar de muitos verem o relacionamento entre primos como pecado, não era estranho para aquela época e região pequena, em que muitos acabavam se atraindo e gerando família. Bibiana, ao entregar Belonísia para a mãe dizendo que ela estava com Severo, fez com que ela levasse uma surra; essa passagem mostra a inocência de duas crianças que ainda não tinham maldade e a forma com que os adultos as puniam. Aponta também o ciúme de Bibiana por ser a mais velha e mostra a visão avançada da irmã. O caso de Severo com Bibiana e a gravidez dela fizeram com que ela refletisse sobre o que escutou, despertando o medo da reação dos pais e de como as demais pessoas veriam isso. A necessidade de fugir tornou-se presente, não somente para lutar por uma vida melhor, mas pelo que poderia acontecer caso permanecessem em Água Negra.


Donana é o ser que ganha importância pela sua idade e vivência. Ela leva os leitores a momentos em que vemos senhores de idade falando sozinhos; cochichando palavras que, muitas vezes, tornam-se incompreensíveis, remetendo a lembranças de avós que falavam sós enquanto costuravam. Donana fala sozinha como forma de manter vivos os antepassados e seus acontecimentos, em um diálogo de conciliação, enxerga a neta como se fosse a filha Carmelita. O respeito aos mais velhos é o que a tradição preza; saber que ela já estava em idade avançada e trocando os nomes das netas, ou vendo o cachorro Fusco como uma onça. Ao longo da leitura, entendemos os motivos: a quebra de obrigação de assumir o jarê, o filho castigado ficando louco, a fuga e o que tornou Zeca Chapéu Grande uma peça importante para Água Negra.


Com a partida de Bibiana, Belonísia assume a narração, apontando a injustiça de terem que dar parte do que produziam para a família Peixoto através do gerente Sutério e o abuso de ele apropriar-se do que era plantado e vendido; isso mostra Belonísia deixando de ser criança. O surgimento de Tobias, escolhido pelo pai para morar com ela, reflete a época em que muitas não escolhiam com quem se relacionar. Bibiana foi diferente, e talvez por isso Belonísia tenha sentido como se tivesse traído a irmã com a denúncia do passado. Diante do mistério do chapéu grande, Donana passou a ser chamada apenas de Donana, e Zeca levou o restante do apelido.


Ao morar com Tobias, Belonísia deparou-se com a casa suja e sentiu vontade de voltar para os pais. O autor mostra que ela foi entregue ao papel de dona do lar; ela assumiu a tarefa como se fosse o normal da vida de um casal. Tobias vai trabalhar, comunica a Belonísia de que ela pode preparar o almoço. No retorno de Tobias, ele bebe, ela serve o almoço e fica ao seu lado, criando a ideia de fidelidade e submissão. O contato sexual era algo esperado, mas ela não sabia como começar; sentiu alívio quando não aconteceu logo na chegada, o que aconteceu pela noite, o silêncio de Belonísia representa também a sua violação; a leitura não tem que ser feita somente como se fosse um acidente anterior. A questão da agressão da mulher o que muito acontecia em Água Negra. A Maria Cabocla correu até a casa de Tobias e encontrou Belonísia, Maria Cabocla ficou com medo de apanhar do marido Aparecido. Isso fez com que Belonísia refletisse que Tobias também poderia se tornar um agressor físico, o que quase ocorreu mais adiante. Com o tempo, Tobias passou a chegar embriagado e a questionar Belonísia, até derrubar o prato de comida e gritar sobre o fato de ela ser muda. Ali nasceu o que se esperava: o homem assumindo o papel de quem dita as regras, vindo da criação, da religião e do que o Estado impõe.


A descoberta do falecimento de Tobias ocorre em uma trama de mistério. Belonísia torna-se viúva, carregando um fardo como o de Donana. No velório, a família esperava que ela demonstrasse sentimento, mas ela sentiu vontade de rir, embora soubesse que não soaria bem. Ela decide morar sozinha na mesma casa, uma decisão firme de autonomia, reconhecendo que o espaço lhe pertence pelo que cultivou. Maria Cabocla aparece novamente com medo do marido, e Belonísia vai ajudá-la, sentindo o instinto de arrumar o desarrumado. Maria Cabocla expulsa Aparecido, que questiona ser o dono da casa, enquanto os filhos clamam para que ele fique, habituados à violência. Belonísia preocupou-se com o sustento da amiga sem um homem, visão herdada dos antepassados, mas compreendeu a necessidade daquela nova vida.


O retorno de Bibiana e Severo trouxe a construção de uma casa próxima aos pais, mantendo os costumes. Bibiana torna-se professora, e Severo leva adiante ideias sindicalistas, respeitando Zeca Chapéu Grande. Zeca foi aposentado pelo Estado, o que via como indenização pelo suor derramado, após dificuldades com documentações junto aos proprietários. Com a morte de Zeca, o livro resgata sua história como José Alcino da Silva, algo necessário para dar sentido às partes anteriores. Também discorre sobre o contexto geográfico dos diamantes e a busca da riqueza.


Rita Pescadeira narra a morte de Severo, provocada pelos donos da terra, como o Coronel Salomão, como forma de silenciamento. Apesar de serem vistos como moradores, a exploração continuava sob uma falsa justiça de posse. Severo foi fundamental na garantia de direitos, e isso custou sua vida. Bibiana assume seu papel através da visão social e justiça. Na narrativa, percebe-se a terceira voz, de Santa Rita Pescadeira, que se mistura às vozes das irmãs. Após a morte de Severo, uma falsa investigação policial acusou-o descabidamente de tráfico de drogas, causando indignação. É a luta continuada pelo direito à terra e por casas que não sejam de barro, mas de materiais resistentes como as dos proprietários, casa essa que muitos nutriram a vontade de incendiar como forma de justiça pelo assassinato de Severo.


A personagem Estela entra em cena como forma de apontar que também havia o conflito religioso, já que ela era evangélica e tinha o papel de evangelizar e ir contra a tradição que ali foi cultuada. A esposa do novo proprietário, Salomão, mostrou que não houve apenas mudanças que geraram conflito entre as partes. A polícia se tornando presente e os crimes que passaram a surgir como forma de silenciar os demais fortaleceram a sede por justiça entre os que ali habitavam, mas houve também um choque político, cultural, social e religioso: o entendimento de que aquele povo é quilombola e a tentativa de negação de suas raízes.


A obra revela que, diante do apaziguamento que Zeca Chapéu Grande estabeleceu com os proprietários da terra como forma de demonstrar gratidão pela moradia e trabalho, Severo teve uma grande importância na conscientização da população que ali habitava. A morte de Zeca trouxe um novo roteiro, assim como a venda das terras para um novo proprietário, o Coronel Salomão. Mais adiante, a morte de Severo foi o estopim para que a luta por justiça ganhasse força real. O assassinato injusto e o descaso das autoridades romperam o antigo vínculo de gratidão e silêncio que antes impedia o confronto. A partir desse evento, a indignação de Bibiana e de todo o povo transformou-se em uma consciência política ativa, provando que a justiça não seria concedida de forma pacífica, mas sim conquistada através do reconhecimento do próprio histórico de exploração e do direito legítimo à posse da terra e indenização.


Portanto, Itamar Vieira Junior conseguiu, através da sua obra "Torto Arado", apontar o lado social e humano de todo um povo que conseguiu sobreviver aos impactos da abolição e suas consequências. Estas levaram os demais a lutar pelos seus direitos de moradia e pelo não apagamento de suas raízes, firmando-se no que já lhes pertence por direito e no seguimento da luta por justiça, não somente contra o que o reflexo do antepassado tentou vetar, mas também contra o que, na atualidade, ainda tentam negar de forma disfarçada.

Referência de leitura: VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto Arado. 1. ed. Rio de Janeiro: Todavia, 2019.





A imagem é um registro em preto e branco, focado no plano médio de duas mulheres negras adultas posicionadas lado a lado, em simetria quase perfeita. Elas encaram a lente de forma frontal. Seus semblantes são sérios, altivos e marcados por uma expressão de profunda dignidade e resiliência. Foto: Giovanni Marrozzini/Intercept Brasil.
A imagem é um registro em preto e branco, focado no plano médio de duas mulheres negras adultas posicionadas lado a lado, em simetria quase perfeita. Elas encaram a lente de forma frontal. Seus semblantes são sérios, altivos e marcados por uma expressão de profunda dignidade e resiliência. Foto: Giovanni Marrozzini/Intercept Brasil.

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