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sábado, 11 de abril de 2026

Dignidade Algemada: O retrato do descaso com o trabalhador brasileiro

Quando a gente pensa que a porta do inferno foi fechada, sempre há algo que acaba impactando muito — não apenas o psicológico de quem passa por determinada situação, como também de quem vê e não tem como fazer nada para ajudar. Que situação triste a que uma diarista passou ao ir, acompanhada da filha de 7 anos, cobrar o pagamento ao patrão!

Já cantava Renato Russo: 'Que país é este?'. Talvez continue sendo o país da impunidade, de pessoas clamando por justiça e nem sempre sendo ouvidas. O país onde ainda há quem falte com o respeito ao trabalhador; o país que, por sua vez, condena quem não tem condição financeira. Um país também racista, que paga quem deveria nos defender para nos oprimir. Infelizmente, uma polícia treinada para oprimir o pobre, como se fosse 'capitão do mato'.

A diarista foi cobrar o salário ao patrão e ele não quis pagar; a polícia chegou e a algemou. Gente, olhem que situação humilhante: uma trabalhadora sendo presa por reivindicar o pagamento do trabalho feito e, pior, ser algemada e colocada na parte de trás da viatura (isso mesmo, na parte de trás da viatura) como se fosse uma criminosa. Isso aconteceu em São Paulo; venho assistindo e acompanhando esse caso desde cedo. São cenas de descaso e desrespeito para com o trabalhador.

O que mais me deixou chocado foi a fala dela: 'Eu trabalhei, moça!'. Ela estava com a filha de 7 anos; dava para escutar a criança chorando e, ao mesmo tempo em que a mãe falava que trabalhou, dava para sentir a sua preocupação com a filha. Dava para sentir a incompreensão diante do fato, o inconformismo perante tamanha brutalidade, o desespero e a busca para que alguém a ajudasse, para que alguém escutasse a sua voz. Gente, o que vem se passando em nosso país? Que polícia é essa? Cadê os direitos humanos?

Imagem reprodução.




sexta-feira, 10 de abril de 2026

Asco

Monstros que nascem na humanidade
Não merecem ser felizes
(Sequer se importam com a própria felicidade)
Merecem o sofrimento diante das suas crueldades
Que vivem a fazer
(Coração maldito cheio de maldade).
Não me venha com essa de ser bonzinho
Àqueles que nasceram para fazer o mal:
- São cruéis a ponto de matar sem um pingo de remorso
Esquecem que fazem parte da própria humanidade
A quem tanto abatem
Em nome do poder, do autoritarismo,
Do que acreditam que está escrito no sagrado
Em nome do altíssimo
Impostores, são desumanos - verdadeiros carrascos!

Há quem seja pior que psicopata - sanguinário!
Há quem brinque com a nossa fé - oportunista!
Há quem nos engane e nos manipule - sanguessuga!

Há quem nos engane e nos faça de marionetes
Brinca com a nossa inocência,
Pensa que jamais abriremos os olhos
- Que lavagem cerebral
Vive nos fazendo o tempo todo.

E a gente se impressiona com as estatísticas
Enquanto não viramos uma -
É racismo, homofobia, xenofobia, misoginia...

E a gente se impressiona com o bombardeio
Tem gente fazendo até pipoca,
Tem gente que não se importa com as crianças
Assassinadas, não se importa com o sofrimento
De todo um povo e cria a guerra

Há quem faça da desgraça alheia uma festa!


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


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