segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Da Ficção à Realidade Trágica: A importância de "Quem Ama Cuida" no debate sobre o vício

Quem aqui está assistindo à novela "Quem Ama Cuida"? Essa novela é super atual e, inclusive, aborda uma das questões que se encontram no auge hoje em dia, que é o vício em apostas e o quanto muitos de nós podemos estar sujeitos a perder tudo devido a esse vício. Não apenas a perda financeira, como também os laços familiares, amigos e pessoas que tanto amamos. E esse abandono — não somente o abandono, quanto o isolamento que muito pode devastar o ser, tanto quanto o próprio vício — existe na vida real, e nem todos estão dispostos a abraçar e a ver a situação de quem se encontra em condições de dependência (isso também se reflete a outros vícios), e nem todos veem essa questão como um caso de saúde pública.

O vício em si nos condiciona a perder a palavra, a perder a autonomia e gera mecanismos no cérebro para fazer do vício o "melhor feito". Estimula o cérebro a anular os seus efeitos colaterais e, devastador, nos torna reféns e dependentes dele (tenho que sempre lembrar: quando escrevo "o vício", estou refletindo o vício em si, e ele também está voltado a vários outros vícios). Todos nós estamos sujeitos a vícios, sejam eles ilícitos ou lícitos; quem imagina que jamais pode ser refém deles se engana, e muito, até porque muitos nos condicionamos a acreditar que quem passa pelas maiores "provações da vida" é o outro.

Recentemente, escutei uma mulher "feliz" — entre aspas porque foi o que ela tentou transmitir —, alegando que se separou do marido porque ele estava perdendo tudo em apostas, a ponto de não comprar nada para dentro de casa; ela resolveu se separar e agora ele está pior. Porque se ele perdia 10 reais, hoje em dia ele perde 100; se ele pedia 100 reais, hoje em dia ele perde 1.000. Ela se "livrou" desse problema, mas ele não se livrou. E é isso que leva o ser a casos trágicos que não cabe mencionar e que todos nós já sabemos; não por culpa dela, mas devido aos próprios vícios que vão resultando em acúmulos de problemas externos, ao descontrole e a fins que levam o ser a se tornar mais uma estatística do mapa dos jogos de apostas. Nada pior que a destruição financeira (principalmente de quem mal tem o que comer), do isolamento e do abandono. É de uma desgraça sem tamanho!

Parabéns ao Walcyr Carrasco e à Claudia Souto pela novela de suma importância para os nossos dias atuais!

Imagem realista gerada por Inteligência Artificial que retrata o drama do vício e do isolamento social. A cena mostra um homem de meia-idade sentado em um sofá desgastado, em uma sala escura e humilde, iluminada apenas pela luz fria da tela de um smartphone e de uma janela ao fundo. Ele está com as mãos na cabeça, expressando profundo desespero e angústia. Sobre a mesa de centro à sua frente, há notas de dinheiro amassadas, papéis que sugerem dívidas e uma aliança solitária, simbolizando a ruína financeira e o abandono familiar.
Imagem realista gerada por Inteligência Artificial que retrata o drama do vício e do isolamento social. A cena mostra um homem de meia-idade sentado em um sofá desgastado, em uma sala escura e humilde, iluminada apenas pela luz fria da tela de um smartphone e de uma janela ao fundo. Ele está com as mãos na cabeça, expressando profundo desespero e angústia. Sobre a mesa de centro à sua frente, há notas de dinheiro amassadas, papéis que sugerem dívidas e uma aliança solitária, simbolizando a ruína financeira e o abandono familiar.


O "Complexo de Vira-Lata" e o Duplo Padrão da Nossa Política

Acho engraçado (engraçado para não dizer outros termos, vendo-se bem que é assim que posts sérios são transformados pelos internautas da internet; esse "engraçado" que eu emprego é um escárnio aos acontecimentos de fatos anteriores e atuais) certos candidatos falando que o presidente eleito não deveria ter o direito de se candidatar novamente à presidência. É a mesma turma que compactuou com a tentativa de golpe de Estado e quer anistia aos que atentaram contra o Estado Democrático de Direito e feriram a Constituição do próprio país. Fora a traição à pátria de quem vive batendo continência à bandeira dos EUA e estendendo até mesmo a bandeira estadunidense, pedindo intervenção de Donald Trump em nosso país, e se diz patriota brasileiro.

Alguns também não vão entender o termo "engraçado" aqui colocado de forma jocosa, vendo-se bem que nem o Jair Bolsonaro abriu mão desse direito de tentar novamente ser eleito à presidência do nosso país, e ainda compactuou com a tentativa de golpe de Estado em nosso país, colocando em dúvida as urnas eletrônicas, quando, na verdade, já tinha gente dele que tentou impedir os nordestinos de votarem, utilizando-se da PRF, fora outros atos criminosos de invasão do sistema do TSE pelo Delgatti e pela Carla Zambelli. Isso sem citar a minuta do golpe e o planejamento de morte do presidente Lula, de Geraldo Alckmin e de Alexandre de Moraes, e o viralatismo bolsonarista que resultou no que deu no 8 de janeiro. Mas eles queriam mesmo era o voto impresso para provar o seu pacto e o seu complexo de vira-lata.

Indo ao ponto de forma precisa: na verdade, essa turma não somente coloca em dúvida as urnas eletrônicas, quanto também o ato democrático dos eleitores brasileiros que saem de suas casas para votar em seus respectivos candidatos. Se o Jair Bolsonaro fosse bom, ele seria reeleito, mas não foi devido às suas próprias maldades, hipocrisia e ignorância. Observando bem que, em 2018, ele foi eleito porque muitos levaram na brincadeira as suas falas durante as suas campanhas eleitorais e sentiram na pele o que realmente foi o governo Bolsonaro. Foi descoberto que essa turma começa assim, "na brincadeira", pregando menos direitos e mais emprego, fazendo falas preconceituosas de cunho racista, xenofóbico e homofóbico, espalhando fake news e transmitindo um falso patriotismo, utilizando-se de termos que a sociedade preza muito, como "Deus, pátria e família".

Alguns apontam que a pandemia impediu que o Bolsonaro fizesse um bom governo, mas essa é uma falsa verdade, até porque vemos o que o próprio Bolsonaro fez diante das vítimas da covid-19: propondo cloroquina e ivermectina, negando o que era visível, imitando pessoas que estavam sofrendo problemas respiratórios, compactuando com o negacionismo e com os antivacinas e, pior, a falsificação de carteiras de vacinação de gente de seu governo e o esquema de corrupção de seus ministros da saúde. 

Agora, o questionamento é se o presidente deve ter o direito de se candidatar novamente à presidência do país, e a resposta de muitos é que outras pessoas têm que ter a oportunidade de ser eleitas no lugar dele; nesse dado momento, a questão da meritocracia é anulada, sendo aplicada apenas quando se refere aos direitos sociais já garantidos ao povo e que eles querem vetar.

Ilustração conceitual em estilo editorial gerada por Inteligência Artificial (IA) retratando os principais temas do debate político brasileiro recente. No centro, uma urna eletrônica danificada e cercada por rachaduras simboliza os ataques ao sistema de votação e à soberania do eleitor. Ao redor, estão distribuídos elementos que contextualizam as narrativas do texto: manifestantes com bandeiras dos EUA pedindo intervenção externa, uma representação de bloqueios em zonas de votação com a frase "Impedindo o Nordeste", caixas de cloroquina e ivermectina ao lado de figuras com trajes de proteção sanitária, a cópia de uma "Minuta do Golpe" e um grupo segurando uma faixa com os dizeres "Meritocracia Seletiva para Direitos Sociais". Ao fundo, a arquitetura do Congresso Nacional reforça o cenário institucional da crítica
Descrição da imagem: Ilustração conceitual em estilo editorial gerada por Inteligência Artificial (IA) retratando os principais temas do debate político brasileiro recente. No centro, uma urna eletrônica danificada e cercada por rachaduras simboliza os ataques ao sistema de votação e à soberania do eleitor. Ao redor, estão distribuídos elementos que contextualizam as narrativas do texto: manifestantes com bandeiras dos EUA pedindo intervenção externa, uma representação de bloqueios em zonas de votação com a frase "Impedindo o Nordeste", caixas de cloroquina e ivermectina ao lado de figuras com trajes de proteção sanitária, a cópia de uma "Minuta do Golpe" e um grupo segurando uma faixa com os dizeres "Meritocracia Seletiva para Direitos Sociais". Ao fundo, a arquitetura do Congresso Nacional reforça o cenário institucional da crítica.


terça-feira, 22 de setembro de 2026

Segurança Pública Além da Repressão: Integração Social e o Papel das ONGs

A polícia não deve assumir apenas o papel de autoridade; pois, enquanto buscar focar somente nessa função, continuará sendo mal vista pela própria sociedade. A instituição deve, por sua vez, abraçar uma função social de amparo e integração por meio do serviço comunitário. Isso pode ser feito pelo atendimento aos interesses locais, seja com palestras educativas, distribuição de cestas básicas ou projetos sociais de reforço escolar e conscientização. Aquele que exerce uma autoridade pura e repressiva está sujeito a cometer injustiças. O respeito real não se adquire por meio do grito, da opressão ou do preconceito socioeconômico — que marginaliza ainda mais as periferias —, mas sim pela confiança. Desse modo, torna-se fundamental diferenciar o medo do verdadeiro respeito por meio da justiça e da dignidade.

Paralelamente, embora os debates acerca da desmilitarização ganhem força, a sociedade civil demonstra não estar preparada para essa transição. Esse conceito tem sido amplamente deturpado pelo senso comum, que confunde a desvinculação da doutrina militar com a própria extinção da força policial ou o colapso da segurança pública. Essa visão equivocada desmorona diante de uma análise técnica sobre o tema, uma vez que o verdadeiro sentido desse processo não pressupõe desarmar a instituição ou torná-la refém da criminalidade, mas sim humanizar a sua atuação.

Trago como exemplo o Projeto Patrulhando a Cidadania, do Batalhão da Polícia Rodoviária da Bahia, do qual fiz parte e fui aluno. Esse projeto tinha um papel muito importante na comunidade local e em outras localidades, acolhendo diversas crianças e jovens em situações de extrema vulnerabilidade — muitos, inclusive, com sérios problemas psicológicos decorrentes da própria base familiar e da estrutura de violência local. Hoje em dia, esse projeto não funciona mais no Batalhão de Polícia Rodoviária da Bahia devido à mudança do coronel e à sua não aceitação da iniciativa, sob a alegação de que aquele ambiente não era propício para crianças e jovens. O projeto, como organização não governamental, ainda tentou sobreviver em outro local; mesmo assim, por carecer de apoio, atualmente não sei se funciona devidamente. Contudo, sei que a desconstrução dessa iniciativa contribuiu muito para que muitos ganhassem outros destinos — e piores —, o que acaba, por sua vez, sustentando as facções criminosas.

Ao discorrer sobre essa questão, não se busca reforçar a ideia de militarização da educação pública — modelo que também não se apresenta como solução —, mas sim abordar uma urgência maior: o amparo e a humanização daqueles que assumem o papel de autoridade e de defesa comunitária. Essa perspectiva também deve ser ampliada para o acolhimento de projetos não governamentais que realizam um excelente trabalho social, mas enfrentam a escassez de recursos. Muitas vezes, essas iniciativas operam na informalidade e, pela ausência de um CNPJ, ficam impossibilitadas de captar investimentos de empresas privadas ou de obter os devidos suportes governamentais, tornando-se reféns da burocracia para garantir a sua própria sobrevivência

sábado, 12 de setembro de 2026

A Armadilha Eleitoral: Entre o Discurso Moral e as Falsas Soluções da Terceira Via

A maior reparação histórica de quem se vestiu com a roupagem do lado mais perverso do bolsonarismo é não votar em Flávio Bolsonaro e nos demais candidatos a deputado federal e ao Senado alinhados a ele. Isso vale, principalmente, para aqueles que se dizem decepcionados com o Lula e que ainda não sentem confiança para votar nele. Não se trata de migrar para a terceira via, mas sim de buscar candidatos que ainda não têm espaço na grande mídia, mas que apresentam propostas plausíveis. O importante é não cair na lábia de quem tenta instrumentalizar o que há de mais sagrado na sociedade: a família, a fé (em todas as suas crenças) e o patriotismo.

Até porque a terceira via já demonstrou pregar o que há de pior. Alguns de seus representantes sugerem, por exemplo, a implementação de medidas severas baseadas no 'sistema Bukele' de El Salvador — políticas que correm o risco de tornar os moradores das periferias reféns do autoritarismo e do abuso de poder das autoridades. Paralelamente, há quem defenda cortes orçamentários sem sequer explicar quais áreas serão afetadas; quem queira transformar o Itamaraty em um balcão de influenciadores para 'vender o Brasil'; e quem proponha o fim das cotas e a extinção da Justiça do Trabalho. Defendem até a redução da maioridade penal, mas sem apresentar as devidas contrapartidas sociais, como investimentos em instrução pública, geração de emprego, segurança e cursos técnicos.

A mídia, alimentada pela polarização que domina as redes sociais e as ruas, acaba favorecendo os candidatos de direita, criando a falsa impressão de que não há candidatos de esquerda disputando a presidência. Esse cenário não ocorre por acaso: é exatamente o que o mercado financeiro deseja. Eles buscam candidatos que acenem para os seus interesses, o que inevitavelmente resulta na exclusão das minorias socioeconômicas. Diante disso, a democracia encontra-se ameaçada, correndo o risco de cair nas mãos de uma elite que, se puder, sufocará a própria classe média — uma classe que só existe hoje graças a muitas lutas sociais e a políticas públicas voltadas para a justiça e a dignidade.

Card quadrado com fundo azul-escuro e detalhes esverdeados, que remetem sutilmente às cores da bandeira do Brasil de forma desfocada. O design é focado em texto e apresenta tipografia limpa e centralizada na cor branca. No topo, destaca-se o título em letras maiúsculas: 'A Verdadeira Reparação: Por que o Eleitor Decepcionado Deve Olhar Além dos Polos'. Abaixo, há um trecho do manifesto político em letras menores. Uma linha horizontal branca separa a primeira parte de uma frase em destaque e em itálico na base: '...que não caiam na lábia de quem quer fazer uso do que há de mais sagrado na sociedade que é a família, a fé e o patriotismo.' No rodapé, há uma pequena hashtag '#Eleições2023' e o ícone de uma urna eletrônica. Imagem criada digitalmente por meio de ferramentas de Inteligência Artificial
Card com fundo nas cores do Brasil desfocadas e textos em branco sobre política, voto consciente e democracia. Imagem ilustrativa gerada digitalmente por Inteligência Artificial.


A Hipocrisia da Extrema Direita Brasileira: O verdadeiro rombo que quebra o Brasil

A turma que fala que o "Lula está quebrando o Brasil" não é a mesma que pontua que a família Bolsonaro trabalhou pesado para quebrar o país. Mesmo fora da presidência, a família Bolsonaro continua agindo contra os interesses nacionais, destinando milhões para os EUA e pedindo até ao Trump a aplicação de "tarifaço" contra o Brasil.

Até a tentativa de golpe de Estado do dia 8 de janeiro custou muito caro para a sociedade brasileira, gerando um rombo que levará anos para ser recuperado. Somado a isso, o caso Vorcaro surge como um dos episódios de corrupção recentes mais assustadores, assim como as fraudes no INSS. Enviar milhões de reais para Eduardo Bolsonaro, sob o pretexto de ajudá-lo a se manter nos EUA, foi uma estratégia articulada por Jair Bolsonaro, que já sabia da gravidade do teor dos processos. Nos EUA, Eduardo Bolsonaro tenta dar continuidade ao plano de golpe de Estado, cometendo crime de lesa-pátria.

Eduardo Bolsonaro e seus aliados pediram R$ 134 milhões ao empresário Vorcaro, alegando que o montante seria para a produção do filme Dark Horse. Trata-se de uma dinâmica de "ladrão que rouba ladrão", configurando um nítido esquema de lavagem de dinheiro. Inicialmente, questionava-se o paradeiro de R$ 61 milhões; logo descobriu-se que o valor passava para R$ 65 milhões, depois R$ 72 milhões e, conforme as investigações avançam, a quantia só aumenta.

Eles alegam que os recursos vieram estritamente da iniciativa privada, mas, na verdade, houve uso de dinheiro público, inclusive por meio de emendas parlamentares que somam R$ 2 milhões — valor que pode subir com o avanço das apurações. Quanto ao dinheiro de Vorcaro, trata-se de um capital sujo, originado inclusive de descontos indevidos na folha do INSS.

Por mais que tentem convencer a população de que os recursos são privados, é necessário compreender que o setor privado, quando opera por meio da corrupção, causa um rombo massivo nos cofres públicos. O crime de colarinho branco quebra o Brasil, mancha a imagem do país e gera profundas injustiças. Por outro lado, políticas públicas não quebram o país; elas visam combater as desigualdades e garantir justiça e dignidade. A extrema-direita é a que mais prejudica o Brasil economicamente, mesmo sem ter, no momento, representantes diretos na chefia da presidência.

Na imagem o Eduardo Bolsonaro fazendo uso de terno e gravata e com umas das mãos no queixo.
Imagem da internet.


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