quinta-feira, 14 de maio de 2026
Festival Led Apresenta: "Protagonismo Que Se Aprende: Competências Empreendedoras Para Construir Caminhos"
Olha esse convite para quem vai para o Rio de Janeiro ou já se encontra por lá. Palco LED Inspira - Galpão 1B, dia 15 de maio, às 16h, no Pier Mauá. incluam na agenda de vocês. "Um encontro para falar sobre "Protagonismo que se aprende: competências empreendedoras para construir caminhos".
terça-feira, 12 de maio de 2026
Pileque
Desgraça alheia
Oh! Vida insignificante
Pra que tantos passos errantes?
Passos que deixam rastros
Não laváveis,
Sua euforia é disfarce.
Sequer
Sabe-se o fim
Terminados em discussões ou distorções
Por que nos fustigas,
Descabível pileque?
Desgraça do homem
Desse seu sorriso
Prefiro distância
Distância que me deixará
Marcas.
Oh! Vida insignificante
Pra que tantos passos errantes?
Passos que deixam rastros
Não laváveis,
Sua euforia é disfarce.
Sequer
Sabe-se o fim
Terminados em discussões ou distorções
Por que nos fustigas,
Descabível pileque?
Desgraça do homem
Desse seu sorriso
Prefiro distância
Distância que me deixará
Marcas.
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| Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro. |
Distante a mirar!
Águia que olha distante,
Já sofreu tanto
Quanto sofri?
Um olhar distante
É o que me resta!
Será que somos
Dois diamantes sem brilho,
Ou esquecidos, ignorados,
Menosprezados, não
Lapidados, desvalorizados o que há?
Só fico aqui sentado pensado
Distante a mirar!
Já sofreu tanto
Quanto sofri?
Um olhar distante
É o que me resta!
Será que somos
Dois diamantes sem brilho,
Ou esquecidos, ignorados,
Menosprezados, não
Lapidados, desvalorizados o que há?
Só fico aqui sentado pensado
Distante a mirar!
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| Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro. |
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valter bitencourt júnior
A Estética da Lama: Quando a Vida se Torna Irônica Com o Próprio Ser
Você tem que ser da forma que lhe moldam e, nessa, vai chegar o tempo em que você vai perder a sua própria identidade. Sabe que merda é viver no padrão em que nos querem transformar? É, e há quem se incomode com essa palavra: "merda". Mas não há sujeira maior que essa tentativa de limpeza que dizem ser ética. É tudo uma farsa e a gente segue feito marionetes.
Não se preocupem, senhores, não irei tirar a maestria de sua nobreza. É que estou de saco cheio dessa gente careta que tenta ditar o que temos de fazer o tempo todo. Não basta somente isso; querem que sejamos unificados, padronizados conforme os seus interesses. E sempre com as mesmas falácias, como se fosse bom somente o que eles ouvem, degustam e apreciam de forma "suave e tinto" (mais suave que tinto).
Você tem que escutar músicas clássicas — quem sabe as sinfonias de Beethoven ou qualquer outra —, escutar blues, MPB, músicas internacionais... Você não pode escutar essas músicas de hoje em dia, carregadas com letras vulgares, de múltiplos sentidos. Agora, eu quero saber qual é o seu gosto musical. Sei que você escreve; estou sabendo que você anda transformando palavras em imagens capazes de transmitir aromas, sons... Você tem um bom paladar, sabe aquelas coisas de etiqueta, se veste com aquelas roupas bonitas como se fosse detetive.
Que é isso? Cada ser escuta o que bem quiser e entender; cada ser se comporta do jeito que quiser. Escute o que você quiser! Não me venha com essa de "bom gosto"; o que pode ser de "bom gosto" para você, para outro pode não ser. Cada artista tem o seu público e cada público escuta o que quer. O artista não pode viver sem o público, logo, ele se sujeita a dar ao público o que muitos deles querem (não é difícil entender o que chamam de vulgar e o que condenam nas letras de múltiplos sentidos). Não me venha com essa de ser chique demais, de querer ser melhor que os outros; como diz um certo poeta: "quanto mais se eleva, maior é a queda". Imagine se escreverei somente sobre as árvores, sobre o cantar dos pássaros, o movimentar dos rios... Não, já é quase impossível. Olha o quanto tudo tem mudado e vem mudando; a geração de hoje vive um presente que não condiz mais com o passado.
Você quer saber qual é a minha indignação, você quer saber que revolta é essa, você quer saber os motivos. Não basta somente essa gente alinhada, mas uma parte de uma sociedade julgadora da qual eu faço parte. Não, não é para fazer sentido, se já não fazia sentido antes.
Sabe, meu bem, qual é o prazer de deitar no sofá ou, quem sabe, pular a janela, correr na chuva, gritar "olha o avião" ou, quando a energia elétrica que tinha faltado volta, se sujar de lama, sentir da chuva o cheiro de terra molhada, esquecer de bater o sapato no tapete (mas como pode sujar o tapete tão lindo?)? Não quero saber mais disso; quero sentir essa rebeldia circulando no sangue.
Apenas quero mesmo é ver o que você tem a me dizer diante dos seus questionamentos. Quero ver o quanto somos moldados e até em que ponto chegaremos; se ainda vamos pisar no chão firme a ponto de querer assumir a nossa própria identidade. Enquanto isso, diante da minha indignação, eu quero desenhar o futuro no pedaço de papel e rir do papagaio que só imita o que falamos, e ainda saímos de besta.
Não se preocupem, senhores, não irei tirar a maestria de sua nobreza. É que estou de saco cheio dessa gente careta que tenta ditar o que temos de fazer o tempo todo. Não basta somente isso; querem que sejamos unificados, padronizados conforme os seus interesses. E sempre com as mesmas falácias, como se fosse bom somente o que eles ouvem, degustam e apreciam de forma "suave e tinto" (mais suave que tinto).
Você tem que escutar músicas clássicas — quem sabe as sinfonias de Beethoven ou qualquer outra —, escutar blues, MPB, músicas internacionais... Você não pode escutar essas músicas de hoje em dia, carregadas com letras vulgares, de múltiplos sentidos. Agora, eu quero saber qual é o seu gosto musical. Sei que você escreve; estou sabendo que você anda transformando palavras em imagens capazes de transmitir aromas, sons... Você tem um bom paladar, sabe aquelas coisas de etiqueta, se veste com aquelas roupas bonitas como se fosse detetive.
Que é isso? Cada ser escuta o que bem quiser e entender; cada ser se comporta do jeito que quiser. Escute o que você quiser! Não me venha com essa de "bom gosto"; o que pode ser de "bom gosto" para você, para outro pode não ser. Cada artista tem o seu público e cada público escuta o que quer. O artista não pode viver sem o público, logo, ele se sujeita a dar ao público o que muitos deles querem (não é difícil entender o que chamam de vulgar e o que condenam nas letras de múltiplos sentidos). Não me venha com essa de ser chique demais, de querer ser melhor que os outros; como diz um certo poeta: "quanto mais se eleva, maior é a queda". Imagine se escreverei somente sobre as árvores, sobre o cantar dos pássaros, o movimentar dos rios... Não, já é quase impossível. Olha o quanto tudo tem mudado e vem mudando; a geração de hoje vive um presente que não condiz mais com o passado.
Você quer saber qual é a minha indignação, você quer saber que revolta é essa, você quer saber os motivos. Não basta somente essa gente alinhada, mas uma parte de uma sociedade julgadora da qual eu faço parte. Não, não é para fazer sentido, se já não fazia sentido antes.
Sabe, meu bem, qual é o prazer de deitar no sofá ou, quem sabe, pular a janela, correr na chuva, gritar "olha o avião" ou, quando a energia elétrica que tinha faltado volta, se sujar de lama, sentir da chuva o cheiro de terra molhada, esquecer de bater o sapato no tapete (mas como pode sujar o tapete tão lindo?)? Não quero saber mais disso; quero sentir essa rebeldia circulando no sangue.
Apenas quero mesmo é ver o que você tem a me dizer diante dos seus questionamentos. Quero ver o quanto somos moldados e até em que ponto chegaremos; se ainda vamos pisar no chão firme a ponto de querer assumir a nossa própria identidade. Enquanto isso, diante da minha indignação, eu quero desenhar o futuro no pedaço de papel e rir do papagaio que só imita o que falamos, e ainda saímos de besta.
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| Os Beatles na capa do disco Abbey Road — Foto: Reprodução |
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domingo, 10 de maio de 2026
A Posse e a Desconstrução do Ter: O Caminho para a Humanização
O ser vai, ao longo do tempo, aprendendo a ter posse do que há por sua volta; o "é meu" é uma das palavras de propriedade em que todos querem segurar e dominar. Percebo a forma como algumas pessoas agem: todos, por sua vez, querem mostrar ter posse de bens materiais ou não materiais.
Desde o início da humanidade, o ser quer mostrar ter domínio e posse das coisas e brigam por isso, porque nem todos querem abrir mão do que lhes pertence. É claro que tem o seu lado positivo e negativo: positivo no quesito de que tem a consciência de posse, desde que não venha a ferir os direitos dos outros; negativo no quesito de apego e apropriação. O ser é humano por ter a consciência do que lhe pertence e se torna desumano na medida em que faz uso dessa consciência como forma de domínio ao outro: a escravização humana provocada através dela mesma. O ser humano pode ter consciência do que lhe pertence, compreende o espaço e suas limitações. Sabe-se também que existe, diante da posse, muitos dos direitos negados.
Todos ganham essa característica de posse desde o nascimento, por mais que ainda não se identifique o nome das coisas e para que servem; a posse, por sua vez, se torna uma questão de sobrevivência. O ser sente o que falta e, ao longo do tempo, vai aprendendo sobre as suas necessidades e existência; e, a partir da posse das coisas, também vai aprendendo a abrir mão como forma de libertação. Mas esse abrir mão depende do tipo de posse — por exemplo, de bens materiais, quando o ser percebe a importância de compartilhar e que não vive sozinho; ou, quem sabe, de acreditar ser dono do outro por questões abstratas ou por morarem juntos. Do concreto ao abstrato, o ser muitas das vezes busca ter posse como forma de autoridade sobre as coisas; isso já é do próprio ser humano e de seus instintos.
Quem muito demonstra ter posse das coisas busca mostrar autoridade; o "é meu" pode se tornar uma forma de diminuir o outro ou fazer com que o outro tenha a consciência do que não lhe pertence e do que é de si mesmo. Assim como há os que dizem "ter", também há os que dizem "não ter", logo percebemos as desigualdades. A desigualdade formada através de uma história passada que deixou herdeiros e uma dívida histórica que veio se formando ao longo do tempo, de pessoas que se tornaram escravizadas por impostores que se apropriaram de terras e se fizeram donas. A propriedade privada se torna desumana quando sabemos que há uma grande concentração de terras nas mãos de uma única pessoa, pessoa essa que se utilizou, muitas das vezes, da mão de obra escrava por muitos anos; divisão de terras é a luta por direitos negados e a busca incessante de justiça.
Percebe-se que há o lado negativo e positivo: o processo de aprendizagem e o seu amadurecimento da compreensão do significado de posse e o significado e sentido de ser humano na medida em que aprende a compartilhar e ser íntegro; da posse à desconstrução dela mesma como forma de humanização da própria espécie.
Desde o início da humanidade, o ser quer mostrar ter domínio e posse das coisas e brigam por isso, porque nem todos querem abrir mão do que lhes pertence. É claro que tem o seu lado positivo e negativo: positivo no quesito de que tem a consciência de posse, desde que não venha a ferir os direitos dos outros; negativo no quesito de apego e apropriação. O ser é humano por ter a consciência do que lhe pertence e se torna desumano na medida em que faz uso dessa consciência como forma de domínio ao outro: a escravização humana provocada através dela mesma. O ser humano pode ter consciência do que lhe pertence, compreende o espaço e suas limitações. Sabe-se também que existe, diante da posse, muitos dos direitos negados.
Todos ganham essa característica de posse desde o nascimento, por mais que ainda não se identifique o nome das coisas e para que servem; a posse, por sua vez, se torna uma questão de sobrevivência. O ser sente o que falta e, ao longo do tempo, vai aprendendo sobre as suas necessidades e existência; e, a partir da posse das coisas, também vai aprendendo a abrir mão como forma de libertação. Mas esse abrir mão depende do tipo de posse — por exemplo, de bens materiais, quando o ser percebe a importância de compartilhar e que não vive sozinho; ou, quem sabe, de acreditar ser dono do outro por questões abstratas ou por morarem juntos. Do concreto ao abstrato, o ser muitas das vezes busca ter posse como forma de autoridade sobre as coisas; isso já é do próprio ser humano e de seus instintos.
Quem muito demonstra ter posse das coisas busca mostrar autoridade; o "é meu" pode se tornar uma forma de diminuir o outro ou fazer com que o outro tenha a consciência do que não lhe pertence e do que é de si mesmo. Assim como há os que dizem "ter", também há os que dizem "não ter", logo percebemos as desigualdades. A desigualdade formada através de uma história passada que deixou herdeiros e uma dívida histórica que veio se formando ao longo do tempo, de pessoas que se tornaram escravizadas por impostores que se apropriaram de terras e se fizeram donas. A propriedade privada se torna desumana quando sabemos que há uma grande concentração de terras nas mãos de uma única pessoa, pessoa essa que se utilizou, muitas das vezes, da mão de obra escrava por muitos anos; divisão de terras é a luta por direitos negados e a busca incessante de justiça.
Percebe-se que há o lado negativo e positivo: o processo de aprendizagem e o seu amadurecimento da compreensão do significado de posse e o significado e sentido de ser humano na medida em que aprende a compartilhar e ser íntegro; da posse à desconstrução dela mesma como forma de humanização da própria espécie.
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| Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil. |
Como te entender?
Solilóquio
Gostoso
sábado, 9 de maio de 2026
Malandragem
Vem do nada...
- Diga ai, cara!
Como vai “broder”...
E eu respondo
Vou indo, mano...
Como vai a mina?
A desconfiança responde
- A nega esta estirando
Os cabelos chapa.
- E a sua mãe,
Broow, como vai?
- A coroa vai levando
Meu...
-(Chega à bisteca).
...Beijos...
-seus cabelos, hem!...
Gata estilo rock hooll
Mana...
E o amigo dá no pé
No dia seguinte
Surge do nada
-diga ai, cara!...
- Diga ai, cara!
Como vai “broder”...
E eu respondo
Vou indo, mano...
Como vai a mina?
A desconfiança responde
- A nega esta estirando
Os cabelos chapa.
- E a sua mãe,
Broow, como vai?
- A coroa vai levando
Meu...
-(Chega à bisteca).
...Beijos...
-seus cabelos, hem!...
Gata estilo rock hooll
Mana...
E o amigo dá no pé
No dia seguinte
Surge do nada
-diga ai, cara!...
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| Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro. |
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quinta-feira, 7 de maio de 2026
A Ética sob Vários Olhares: Do Silêncio à Autonomia
Numa aula sobre ética, um dos primeiros ensinamentos foi não apontar os erros dos outros. Por que não apontar os erros dos outros? Essa foi uma das primeiras interrogações que surgiram na mente. É claro que ser humano algum é perfeito. Temos em mente, também, que quando deixamos um erro acumular, esse erro pode se tornar uma verdadeira bomba incontrolável; um erro é capaz de puxar outro erro, se transformar em outro e, assim, sucessivamente, gerando uma bola de neve. Mas, segundo os ensinamentos, seria antiético apontar os erros dos outros. Assim, vamos aprendendo a cobrir os erros dos outros, chegando ao ponto de nos tornarmos cúmplices sem que ao menos percebamos.
Esse ensinamento, por sua vez, pode ter várias interpretações. Uma delas é de que o ser pode apontar o erro dos outros como forma de esconder as próprias falhas. Seria plausível estender as mãos ao próximo como forma de apoio; saber o momento exato de falar sem causar constrangimento é criar vínculos construtivos no ambiente de convívio. O constrangimento público pode levar o outro a mentiras, assim como também pode causar diversos conflitos que podem acabar acarretando sérias consequências em ambos os lados. Percebemos a forma como a interpretação muda de acordo com o que tenho escrito mais acima: da acumulação de erros que pode gerar bola de neve até as medidas que o ser pode tomar. Tratar o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados nos torna humanos.
Porém, o ser se condiciona a aprender a fazer silêncio e deixar que o erro acumule, acreditando que essa é uma das formas de ser ético. Aceita como se fosse uma forma de respeitar o espaço do outro, quando, na verdade, esse ser está ferindo todos os elos de credibilidade. O sentimento de cumplicidade também pode se tornar presente; o ser logo se corrompe e acredita que esse também é um dos meios de que vai ter os próprios erros acobertados. Sem que ao menos perceba, o ser matou a ética.
A maior lição que eu tive foi de um senhor de idade, que me chamou e disse: "seja responsável pelos seus próprios erros, não pelos erros dos outros". Foi uma mensagem transmitida de forma subliminar. Suas falas complementaram os meus pensamentos e deixaram novas interrogações: "Por que assumir os meus próprios erros?", "Por que não assumir os erros dos outros?". O erro somente pode ser corrigido por quem tem autoridade sobre ele; assumir o erro dos outros é se submeter a futuras mentiras e quebra de elos. Outro pode criar a falsa segurança de proteção, enquanto quem assumiu o erro se torna refém e escravo de sua própria atitude.
Quem aprende a assumir os próprios erros aprende a ter autonomia. Ter autonomia não é fácil; quando o ser aprende a ter autonomia, ele consegue fugir das armadilhas que o cotidiano nos oferece. Aprendi a ver a palavra ética com vários olhares. Mas o que é mesmo a ética? Todos nós buscamos uma definição perfeita, quando, na verdade, a ética é a construção sólida que busca transparência de nossas ações; esse processo é longo e, por sua vez, pode passar por várias situações e transformações, positivas ou negativas.
Todo ser humano passa por diversos processos na vida. Uma simples aula pode se tornar um gatilho poderoso no desenvolvimento do processo humano; cada ser tem a sua maneira de interpretar, agir, pensar, e isso é fundamental, assim como a questão ética no seu estado mais bruto possível. De uma aula para as falas de um senhor de idade; das falas do senhor de idade para as próprias conclusões. De uma escrita para outras interpretações de quem vai ler e absorver, logo surgem novos questionamentos e aprendizagens. É isso que nos torna também humanos e conscientes.
Esse ensinamento, por sua vez, pode ter várias interpretações. Uma delas é de que o ser pode apontar o erro dos outros como forma de esconder as próprias falhas. Seria plausível estender as mãos ao próximo como forma de apoio; saber o momento exato de falar sem causar constrangimento é criar vínculos construtivos no ambiente de convívio. O constrangimento público pode levar o outro a mentiras, assim como também pode causar diversos conflitos que podem acabar acarretando sérias consequências em ambos os lados. Percebemos a forma como a interpretação muda de acordo com o que tenho escrito mais acima: da acumulação de erros que pode gerar bola de neve até as medidas que o ser pode tomar. Tratar o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados nos torna humanos.
Porém, o ser se condiciona a aprender a fazer silêncio e deixar que o erro acumule, acreditando que essa é uma das formas de ser ético. Aceita como se fosse uma forma de respeitar o espaço do outro, quando, na verdade, esse ser está ferindo todos os elos de credibilidade. O sentimento de cumplicidade também pode se tornar presente; o ser logo se corrompe e acredita que esse também é um dos meios de que vai ter os próprios erros acobertados. Sem que ao menos perceba, o ser matou a ética.
A maior lição que eu tive foi de um senhor de idade, que me chamou e disse: "seja responsável pelos seus próprios erros, não pelos erros dos outros". Foi uma mensagem transmitida de forma subliminar. Suas falas complementaram os meus pensamentos e deixaram novas interrogações: "Por que assumir os meus próprios erros?", "Por que não assumir os erros dos outros?". O erro somente pode ser corrigido por quem tem autoridade sobre ele; assumir o erro dos outros é se submeter a futuras mentiras e quebra de elos. Outro pode criar a falsa segurança de proteção, enquanto quem assumiu o erro se torna refém e escravo de sua própria atitude.
Quem aprende a assumir os próprios erros aprende a ter autonomia. Ter autonomia não é fácil; quando o ser aprende a ter autonomia, ele consegue fugir das armadilhas que o cotidiano nos oferece. Aprendi a ver a palavra ética com vários olhares. Mas o que é mesmo a ética? Todos nós buscamos uma definição perfeita, quando, na verdade, a ética é a construção sólida que busca transparência de nossas ações; esse processo é longo e, por sua vez, pode passar por várias situações e transformações, positivas ou negativas.
Todo ser humano passa por diversos processos na vida. Uma simples aula pode se tornar um gatilho poderoso no desenvolvimento do processo humano; cada ser tem a sua maneira de interpretar, agir, pensar, e isso é fundamental, assim como a questão ética no seu estado mais bruto possível. De uma aula para as falas de um senhor de idade; das falas do senhor de idade para as próprias conclusões. De uma escrita para outras interpretações de quem vai ler e absorver, logo surgem novos questionamentos e aprendizagens. É isso que nos torna também humanos e conscientes.
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| Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil. |
terça-feira, 5 de maio de 2026
Laços de Humanidade: O Olhar Imprevisível do Cotidiano
A vida é como uma crônica em que o escritor escreve de forma imprevisível; o tempo passa na medida em que se relatam os acontecimentos cotidianos com o olhar que busca captar os mínimos detalhes. Sinto isso ao fazer a leitura do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar". Esse livro mostra a essência de cada um dos três escritores: Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier. As crônicas, por incrível que pareça, acabam complementando umas às outras.
Anteriormente, senti a necessidade de escrever sobre a borboleta amarela, mas o faço agora graças à leitura da crônica de Xico Sá, "O desafio da borboleta amarela". Nela, ele cita Rubem Braga e Clarice Lispector, apontando Humberto Werneck como o atual vencedor dessa arte de segui-la. É claro que acabei recorrendo também à crônica de Rubem Braga, "A Borboleta Amarela" — Retornando às leituras do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", surpreendo-me com a crônica de Gregório Duvivier sobre os caçadores de likes. Intitulada "A gente não quer só comida, a gente quer postar e quer ganhar like", ela me fez refletir sobre a borboleta amarela diante da tecnologia atual. Notei o falso prêmio das rolagens infinitas e o quanto estamos presos à tela, perdendo a borboleta de vista. Se antes era difícil enxergá-la, hoje tornou-se ainda mais; mesmo assim, continuamos alimentando nossa sede de forma ilusória. Maria Ribeiro, por sua vez, conecta esses pontos ao destacar a política como forma de união — seja em um show de Gilberto Gil e Caetano Veloso, ou na gratidão pela existência de Chico Buarque. Sua crônica "Obrigada, Bolsonaro" é carregada de ironia; talvez esse ser tenha sido um mal necessário para que, diante de momentos sombrios, lembremos que somos humanos necessitados de união para nos mantermos de pé.
É impossível não citar a crônica "A desaletrada da Rocinha", escrita por Xico Sá, que conta a história de uma senhora de idade. A história de Lindacy Menezes e a sua descoberta pelas letras aos seus 64 anos mostra a importância da arte da leitura e da escrita; o pedido de desculpa e se considerar desaletrada, e mesmo assim ter a ciência de que tomou gosto por dizer as coisas e contar a própria história, é de um valor extraordinário. Também é bom pontuar a importância de projetos literários nos bairros periféricos; foi graças à oficina "Festa Literária das Periferias" (FLUP) que foi descoberta a Lindacy e o reconhecimento de que fora revelada uma narradora de primeira, tendo Zuenir Ventura como alguém da plateia a prestigiar e também reconhecer o talento. Mas a crônica não para por aí; também cita questões de violência e a situação da Rocinha, assim como o caso Amarildo. Mas fico com as palavras finais do cronista, de agradecimento pelas lições de existência e o desabafo pessoal que por sua vez ganha o sentido universal, de se todos os ditos letrados fossem iguais à Lindacy. — Impossível não concordar com o cronista e seu lado humano de captar cada detalhe.
São três cronistas que se complementam de forma fantástica com várias outras crônicas incríveis. São crônicas para realmente ler em qualquer lugar e reacender o calor humano; é o despertar das ideias que compõem os laços da humanidade como o alçar do voo da borboleta.
Anteriormente, senti a necessidade de escrever sobre a borboleta amarela, mas o faço agora graças à leitura da crônica de Xico Sá, "O desafio da borboleta amarela". Nela, ele cita Rubem Braga e Clarice Lispector, apontando Humberto Werneck como o atual vencedor dessa arte de segui-la. É claro que acabei recorrendo também à crônica de Rubem Braga, "A Borboleta Amarela" — Retornando às leituras do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", surpreendo-me com a crônica de Gregório Duvivier sobre os caçadores de likes. Intitulada "A gente não quer só comida, a gente quer postar e quer ganhar like", ela me fez refletir sobre a borboleta amarela diante da tecnologia atual. Notei o falso prêmio das rolagens infinitas e o quanto estamos presos à tela, perdendo a borboleta de vista. Se antes era difícil enxergá-la, hoje tornou-se ainda mais; mesmo assim, continuamos alimentando nossa sede de forma ilusória. Maria Ribeiro, por sua vez, conecta esses pontos ao destacar a política como forma de união — seja em um show de Gilberto Gil e Caetano Veloso, ou na gratidão pela existência de Chico Buarque. Sua crônica "Obrigada, Bolsonaro" é carregada de ironia; talvez esse ser tenha sido um mal necessário para que, diante de momentos sombrios, lembremos que somos humanos necessitados de união para nos mantermos de pé.
É impossível não citar a crônica "A desaletrada da Rocinha", escrita por Xico Sá, que conta a história de uma senhora de idade. A história de Lindacy Menezes e a sua descoberta pelas letras aos seus 64 anos mostra a importância da arte da leitura e da escrita; o pedido de desculpa e se considerar desaletrada, e mesmo assim ter a ciência de que tomou gosto por dizer as coisas e contar a própria história, é de um valor extraordinário. Também é bom pontuar a importância de projetos literários nos bairros periféricos; foi graças à oficina "Festa Literária das Periferias" (FLUP) que foi descoberta a Lindacy e o reconhecimento de que fora revelada uma narradora de primeira, tendo Zuenir Ventura como alguém da plateia a prestigiar e também reconhecer o talento. Mas a crônica não para por aí; também cita questões de violência e a situação da Rocinha, assim como o caso Amarildo. Mas fico com as palavras finais do cronista, de agradecimento pelas lições de existência e o desabafo pessoal que por sua vez ganha o sentido universal, de se todos os ditos letrados fossem iguais à Lindacy. — Impossível não concordar com o cronista e seu lado humano de captar cada detalhe.
São três cronistas que se complementam de forma fantástica com várias outras crônicas incríveis. São crônicas para realmente ler em qualquer lugar e reacender o calor humano; é o despertar das ideias que compõem os laços da humanidade como o alçar do voo da borboleta.
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Há quem ama a pátria E há quem finja amar Há os que se diz patriota E a pátria quer entregar Há quem cante a pátria Com todo amor e devoção,...
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Pra mim o rio já te cansou; A maré te levou; O passado te machucou O hoje já morreu O ontem sequer ressuscita Os seus prantos se secaram As ...
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Eita, Lula, nada melhor que uma boa jabuticaba, tenho de concordar, o ser renova por dentro, o bom do Brasil é o brasileiro e a jabuticaba t...











