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sábado, 21 de fevereiro de 2026

21 Fevereiro - Dia do Imigrante Italiano

 Hoje, 21 de fevereiro, é o Dia do Imigrante Italiano, por minha vez eu indico o livro "Prólogo,ato, epílogo - Memórias", de Fernanda Montenegro, com colaboração de Marta Góes. 

  Arlette Pinheiro Medeiros Torres, conhecida como Fernanda Montenegro, nasceu no Rio de Janeiro, no ano de 1929, no livro citado acima, Fernando descreve sobre sua origem genealógica, a família do pai era de lavradores portugueses e a da mãe era de lavradores sardos, ela também descreve que apenas uma geração separa ela deles. No livro ela cita "Os Pinna e Piras, a família de minha avó materna, vieram da Itália, de uma aldeia do centro da Sardenha: Bonarcado; os Nieddu, de meu avô, eram de Teulada, uma ponta de terra da ilha que avança pelo Mediterrâneo. Chegando todos  ao Brasil no mesmo navio, em 1897. Fazia parte de um grupo de oitocentos imigrantes italianos, a maioria de origem sarda, contratados para trabalhar nas fazendas de café em Minas Gerais em substituição à mão escrava. Por um documento assinado pelo presidente do Brasil, Prudente de Morais, e pelo rei da Itália, Umberto I, filho de Vítor Emanuel - o primeiro monarca da Itália unida -, comprometiam-se a permanecer aqui pelo tempo mínimo de dois anos. A partir daí recebiam uma licença para retornar caso quisessem."

  Ela também cita no livro a necessidade do Brasil necessitar de lavradores, e não fazia 10 anos que a escravidão foi abolida, fala também sobre a pobreza que havia em Sardenha no final do século XIX e a espectativa de que a unificação do país resolvesse a situação de pobreza, o que não se cumpriu (segundo a autora).

"Prólogo, ato, epílogo - Memórias", Fernanda Montenegro.

   Também é descrito sobre a desesperança dos italianos, o que provocou da necessidade de migrarem para outros países, muito foram para a America do Sul, para Austrália e Estados Unidos. E ela também cita "Se o país no continente não ia bem, que dirá a Sardenha, a Sicília, as ilhas... Então correu por lá a notícia de que no Brasil chovia ouro. Era só cavoucar a terra para encontrar esmeraldas, diamantes. Bastariam dois anos para enriquecer - era essa a propaganda. Diante de tamanho apelo, meus bisavôs, Francisco e Antíoco, chegaram à conclusão de que deveriam vir para cá, com as respectivas famílias. Hipotecaram aos parentes, a casa, os animais, o pouco que possuíam. Afinal, logo estaríamos de volta ricos."

  O livro é espetacular, a Fernanda Montenegro, não aborda apenas sobre a sua carreira artística, ela aborda também sobre os acontecimentos sociais, políticos, culturais e artístico, o que torna o livro biográfico riquíssimo. Filha de imigrantes com uma história de vida muito bela, hoje em dia imortal pela Academia Brasileira de Letras, é considerada uma das maiores atrizes brasileira.

Contra capa, na imagem Fernanda Montenegro.

  Cabe deixar aqui também que, migrar é um direito humano, é necessário compreender a necessidade de uma pessoa ter de migrar de um país para outro, muitas das vezes devido a fome, a calamidade pública, o medo da morte, a guerra. Muitas dessas pessoas já saem dos seus países com medo, na busca de refúgio, sem sequer saber se será bem recebida ou não.


domingo, 1 de dezembro de 2019

Migrar é um direito humano!

Até hoje em nossa atualidade, ser imigrante nunca foi fácil, muitos sem alternativa alguma tem de fugir do próprio país, buscando nada mais nada menos que abrigo, alimento, proteção. O caminho é incerto, porque nunca se sabe o que pode ser encontrado no país vizinho, muitos podem querer receber com pedra; a xenofobia ainda existe em nosso país e em muitos outros países, a intolerância vem muitas das vezes através dos próprios governantes, que criam um nacionalismo e patriotismo doentio, e boa parte da sociedade segue cegamente, muitos tentam até desfazer do direito humano, falam até em criar muros, fechar as fronteiras.
Estou amando o livro "Prólogo, ato, epílogo (memórias)", de Fernanda Montenegro, segundo a Fernanda ela descende de uma família quase medieval, ligada a agricultura e ao pastoreio (...). Mas, a minha ideia não é entrar no livro, abordando cada ponto, até porque é uma leitura que venho iniciando e que muito vem me ensinando e despertando a minha curiosidade.
O Brasil é um país formado por pessoas de outros países, somos descendentes de africanos, índios, portugueses, holandeses, espanhóis, italianos... em nossas veias corre um pouco de tudo. A nossa cultura? A nossa cultura também é a mistura de todo esse povo, temos uma cultura riquíssima, por incrível que pareça, por mais que muitos tentem dizer que não, seja na música, no artesanato, na capoeira, no karatê, na dança, no esporte, na culinária, na fala... Migrar é um direito humano!
Lutar contra a xenofobia é lutar pelos direitos humanos, lutar contra o racismo é lutar pelos direitos humanos, da mesma forma que lutar contra a homofobia e vários outros tipos de "preconceitos" (no plural, até porque são vários).
Não devemos negar a nossa origem, há quem tente negar. O Brasil, por sua vez já recebeu milhares de imigrantes, muitos ficaram em nosso país trabalhando como agricultor, vendedor (muitos buscaram uma forma de sobrevivência). Sabemos também da história da escravidão, da exploração das nossas terras, da escravização dos índios, dos africanos trazidos para o "futuro Brasil".
São histórias diferentes, mas que se abraçam ao mesmo tempo, porque ainda existe quem discrimine as pessoas que vem de outros países como refúgio, porque ainda existe a xenofobia, o racismo, o preconceito e a não aceitação de muitos.

Prólogo, ato, epílogo (memórias), de Fernanda Montenegro.

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