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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Eu Tenho Tudo para Atacar as Editoras Independentes — Mas Não Devo

Eu tenho tudo para atacar as editoras independentes, de acusá-las de se aproveitar dos escritores iniciantes, dos promotores de antologias que cobravam caro para que fossem postadas escritas em uma única página ou em duas. Eu, que tinha uma vontade do caralho de participar das antologias, perdia o tesão quando sabia do preço para postar em uma única página: mais ou menos uns 600 reais, dependendo do organizador, e com direito de parcelar em até 12 vezes. Cada autor, por sua vez, recebe de 1 a 3 exemplares do livro publicado; os demais exemplares, por sua vez, já saem esgotados e sequer chegam ao mercado muitas das vezes — e a gente fica tão feliz.

Literatura é um investimento sem retorno garantido para o autor, muitos de nós somente sustentamos o nosso ego, a vaidade e o sonho de ser lido e reconhecido. Parece que hoje em dia caiu de moda o fenômeno de organização de antologia. Lembro quando recorria às editoras independentes da Bahia querendo publicar o meu primeiro livro. Assim como eu perdia o tesão para publicar nas antologias, as editoras também mostravam não ter tesão algum em publicar livros de poesia. Muitos questionavam: "poesias?". Se fosse prosa, crônica, romance... mas "poesias?". Olha, o máximo que eu posso fazer é cobrar X valor e você vai receber de 100 a 200 de tiragem. Quem sabe assim eu iria ficar feliz em dizer que a primeira edição foi vendida e que será publicada a segunda. Você sabia que tem autores e autoras que sequer têm sequer 1 exemplar de seu próprio livro? Eles foram esgotados rapidamente.

Mas teve uma editora que me deu um alerta: hoje em dia há muitos autores publicando livros impressos e não conseguem vender, alguns saem até dando e tem outros que estão empilhando vários livros debaixo da cama; é melhor você optar em publicar e-books, você não vai ter essa preocupação. Ela somente não alertou o risco de que o e-book também correria o risco de ficar preso nos sites e lojas de venda e que não seria vendido com facilidade. Alguns conseguem o sucesso, mas o sucesso é limitado e não significa retorno financeiro.

Eu achava lindo essa coisa de fazer poesia sem visar ganhar dinheiro, de publicar nas redes sociais e escrever por amor. Aquelas frases lindas: não deixem as suas escritas na gaveta pegando poeira e sendo consumidas pela traça. Então eu tinha a sede de publicar livros. O que eu fiz? Na curiosidade, eu comecei a redigir minhas escritas e a publicar o livro de forma independente. "Agora eu fico rico" (brincadeira). Publiquei de forma autônoma. Comprei o e-book para saber se estava tudo publicado, cadê o texto? Recorri aos proprietários do site (não irei mencionar o nome, até porque não são méritos de menção) solicitando que incluíssem o arquivo PDF do livro, então me cobraram uma taxa para incluir e que ainda poderiam revisar e publicar de forma profissional (gente esperta, não?). Solicitei a remoção imediata da capa do livro com o meu nome com o conteúdo interno vazio. Recorri a outro site independente e por fim consegui publicar versão em e-book e impressa. O livro não tem lá essa qualidade, com as devidas diagramações, revisão, capa profissional. O livro foi editado até em lan house, eu tinha 1h para editar e como a hora passava tão rápido, mas tem várias outras coisas que se eu for escrever aqui somente vai aumentar o texto, quem me deu o meu primeiro pendrive, como comecei a aprender a redigir, etc.

Isso sem falar que os meus "amigos" e "amigas" já sentiam náusea de tantas publicações de links de blogs contendo poesias de minha autoria nas redes sociais. Por incrível que pareça, perdi até amizade. O que para mim era legal, acabei esquecendo que para outros não era (mas aí já é outro assunto). Pronto, publiquei o meu primeiro livro, vendi o primeiro livro para a minha satisfação e alegria. Ganhos de direitos autorais? Não chegou a 1 real.

Então, em poucos meses e anos, publiquei outros livros. Por fim, fiquei satisfeito com a minha necessidade constante de publicar livros. Não diria por perder o tesão, mas por compreensão própria da não necessidade constante de publicar. Como mencionei acima, não tenho exemplares de meus livros (não pelo fato de edição esgotada), o que eu comprei tenho passado adiante. Quando alguém pergunta se eu tenho algum exemplar de livros de minha autoria, eu suspiro e digo que não, e que podem ser comprados através das lojas virtuais. Mas elas não perguntam porque querem comprar, mas porque querem emprestado para ler, ou ganhar um exemplar, ou para que eu prove que publiquei. 

Eu tenho tudo para atacar as editoras independentes, mas não devo, porque nesse processo todo eu percebi que as editoras independentes sobrevivem ao mercado.

Selfie de Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.
Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia Brasil.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

O amor é cego

A beleza engana o olhar humano,
Sem que ao menos perceba.
O amor é cego (como dizem)
Quantas vezes cego, pode prender-se
Numa paixão que nunca existiu?
Correr o risco, é necessário!
(O que todos sabem)
Quem nunca ficou preso
Nos braços de uma mulher?
E ela, sempre a esbanjar o olhar
Faceiro. Querer e amar,
Não somos donos um do outro
Mas, no amor? (sempre quer ser!)
Eu sou seu, e você é minha
(Tudo isso é posse)
Todos acham belo, lindo...
Ah! O amor é lindo! (suspiram)
E sempre foi assim,
A minha mulher,
A minha companheira,
A minha... Ela é apenas
minha e de mais ninguém.
Cego, fica-se, diante do amor,
Cada um se entrega da sua forma.
Não bem se sabe, se é
Prisioneiro ou livre.
O que se sabe é que todo
Mundo quer um amor,
Quer um alguém
Para chamar de seu.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


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