segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O "Complexo de Vira-Lata" e o Duplo Padrão da Nossa Política

Acho engraçado (engraçado para não dizer outros termos, vendo-se bem que é assim que posts sérios são transformados pelos internautas da internet; esse "engraçado" que eu emprego é um escárnio aos acontecimentos de fatos anteriores e atuais) certos candidatos falando que o presidente eleito não deveria ter o direito de se candidatar novamente à presidência. É a mesma turma que compactuou com a tentativa de golpe de Estado e quer anistia aos que atentaram contra o Estado Democrático de Direito e feriram a Constituição do próprio país. Fora a traição à pátria de quem vive batendo continência à bandeira dos EUA e estendendo até mesmo a bandeira estadunidense, pedindo intervenção de Donald Trump em nosso país, e se diz patriota brasileiro.

Alguns também não vão entender o termo "engraçado" aqui colocado de forma jocosa, vendo-se bem que nem o Jair Bolsonaro abriu mão desse direito de tentar novamente ser eleito à presidência do nosso país, e ainda compactuou com a tentativa de golpe de Estado em nosso país, colocando em dúvida as urnas eletrônicas, quando, na verdade, já tinha gente dele que tentou impedir os nordestinos de votarem, utilizando-se da PRF, fora outros atos criminosos de invasão do sistema do TSE pelo Delgatti e pela Carla Zambelli. Isso sem citar a minuta do golpe e o planejamento de morte do presidente Lula, de Geraldo Alckmin e de Alexandre de Moraes, e o viralatismo bolsonarista que resultou no que deu no 8 de janeiro. Mas eles queriam mesmo era o voto impresso para provar o seu pacto e o seu complexo de vira-lata.

Indo ao ponto de forma precisa: na verdade, essa turma não somente coloca em dúvida as urnas eletrônicas, quanto também o ato democrático dos eleitores brasileiros que saem de suas casas para votar em seus respectivos candidatos. Se o Jair Bolsonaro fosse bom, ele seria reeleito, mas não foi devido às suas próprias maldades, hipocrisia e ignorância. Observando bem que, em 2018, ele foi eleito porque muitos levaram na brincadeira as suas falas durante as suas campanhas eleitorais e sentiram na pele o que realmente foi o governo Bolsonaro. Foi descoberto que essa turma começa assim, "na brincadeira", pregando menos direitos e mais emprego, fazendo falas preconceituosas de cunho racista, xenofóbico e homofóbico, espalhando fake news e transmitindo um falso patriotismo, utilizando-se de termos que a sociedade preza muito, como "Deus, pátria e família".

Alguns apontam que a pandemia impediu que o Bolsonaro fizesse um bom governo, mas essa é uma falsa verdade, até porque vemos o que o próprio Bolsonaro fez diante das vítimas da covid-19: propondo cloroquina e ivermectina, negando o que era visível, imitando pessoas que estavam sofrendo problemas respiratórios, compactuando com o negacionismo e com os antivacinas e, pior, a falsificação de carteiras de vacinação de gente de seu governo e o esquema de corrupção de seus ministros da saúde. 

Agora, o questionamento é se o presidente deve ter o direito de se candidatar novamente à presidência do país, e a resposta de muitos é que outras pessoas têm que ter a oportunidade de ser eleitas no lugar dele; nesse dado momento, a questão da meritocracia é anulada, sendo aplicada apenas quando se refere aos direitos sociais já garantidos ao povo e que eles querem vetar.

Ilustração conceitual em estilo editorial gerada por Inteligência Artificial (IA) retratando os principais temas do debate político brasileiro recente. No centro, uma urna eletrônica danificada e cercada por rachaduras simboliza os ataques ao sistema de votação e à soberania do eleitor. Ao redor, estão distribuídos elementos que contextualizam as narrativas do texto: manifestantes com bandeiras dos EUA pedindo intervenção externa, uma representação de bloqueios em zonas de votação com a frase "Impedindo o Nordeste", caixas de cloroquina e ivermectina ao lado de figuras com trajes de proteção sanitária, a cópia de uma "Minuta do Golpe" e um grupo segurando uma faixa com os dizeres "Meritocracia Seletiva para Direitos Sociais". Ao fundo, a arquitetura do Congresso Nacional reforça o cenário institucional da crítica
Descrição da imagem: Ilustração conceitual em estilo editorial gerada por Inteligência Artificial (IA) retratando os principais temas do debate político brasileiro recente. No centro, uma urna eletrônica danificada e cercada por rachaduras simboliza os ataques ao sistema de votação e à soberania do eleitor. Ao redor, estão distribuídos elementos que contextualizam as narrativas do texto: manifestantes com bandeiras dos EUA pedindo intervenção externa, uma representação de bloqueios em zonas de votação com a frase "Impedindo o Nordeste", caixas de cloroquina e ivermectina ao lado de figuras com trajes de proteção sanitária, a cópia de uma "Minuta do Golpe" e um grupo segurando uma faixa com os dizeres "Meritocracia Seletiva para Direitos Sociais". Ao fundo, a arquitetura do Congresso Nacional reforça o cenário institucional da crítica.


terça-feira, 22 de setembro de 2026

Segurança Pública Além da Repressão: Integração Social e o Papel das ONGs

A polícia não deve assumir apenas o papel de autoridade; pois, enquanto buscar focar somente nessa função, continuará sendo mal vista pela própria sociedade. A instituição deve, por sua vez, abraçar uma função social de amparo e integração por meio do serviço comunitário. Isso pode ser feito pelo atendimento aos interesses locais, seja com palestras educativas, distribuição de cestas básicas ou projetos sociais de reforço escolar e conscientização. Aquele que exerce uma autoridade pura e repressiva está sujeito a cometer injustiças. O respeito real não se adquire por meio do grito, da opressão ou do preconceito socioeconômico — que marginaliza ainda mais as periferias —, mas sim pela confiança. Desse modo, torna-se fundamental diferenciar o medo do verdadeiro respeito por meio da justiça e da dignidade.

Paralelamente, embora os debates acerca da desmilitarização ganhem força, a sociedade civil demonstra não estar preparada para essa transição. Esse conceito tem sido amplamente deturpado pelo senso comum, que confunde a desvinculação da doutrina militar com a própria extinção da força policial ou o colapso da segurança pública. Essa visão equivocada desmorona diante de uma análise técnica sobre o tema, uma vez que o verdadeiro sentido desse processo não pressupõe desarmar a instituição ou torná-la refém da criminalidade, mas sim humanizar a sua atuação.

Trago como exemplo o Projeto Patrulhando a Cidadania, do Batalhão da Polícia Rodoviária da Bahia, do qual fiz parte e fui aluno. Esse projeto tinha um papel muito importante na comunidade local e em outras localidades, acolhendo diversas crianças e jovens em situações de extrema vulnerabilidade — muitos, inclusive, com sérios problemas psicológicos decorrentes da própria base familiar e da estrutura de violência local. Hoje em dia, esse projeto não funciona mais no Batalhão de Polícia Rodoviária da Bahia devido à mudança do coronel e à sua não aceitação da iniciativa, sob a alegação de que aquele ambiente não era propício para crianças e jovens. O projeto, como organização não governamental, ainda tentou sobreviver em outro local; mesmo assim, por carecer de apoio, atualmente não sei se funciona devidamente. Contudo, sei que a desconstrução dessa iniciativa contribuiu muito para que muitos ganhassem outros destinos — e piores —, o que acaba, por sua vez, sustentando as facções criminosas.

Ao discorrer sobre essa questão, não se busca reforçar a ideia de militarização da educação pública — modelo que também não se apresenta como solução —, mas sim abordar uma urgência maior: o amparo e a humanização daqueles que assumem o papel de autoridade e de defesa comunitária. Essa perspectiva também deve ser ampliada para o acolhimento de projetos não governamentais que realizam um excelente trabalho social, mas enfrentam a escassez de recursos. Muitas vezes, essas iniciativas operam na informalidade e, pela ausência de um CNPJ, ficam impossibilitadas de captar investimentos de empresas privadas ou de obter os devidos suportes governamentais, tornando-se reféns da burocracia para garantir a sua própria sobrevivência

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