quinta-feira, 20 de julho de 2017

Que louco

Não tinha regras pra chegarmos ao outro lado,
Eramos dois estranhos na mesma direção,
Não tinha parede que nos dividisse,
E muito menos alguém que impedisse
O nosso encontro, não era noite e também
Não era dia de sol, apenas a sua sapatilha
Brilhava, como se fosse diamantes lapidados,
Linda, quando andava desfilando atravessava a rua,
E não era proibido o sinal e muito menos
Era 1970, estavamos a frente disso,
A gente sabia o que era amor a dois
Desde cedo e ainda sabemos
Tudo isso vivenciamos,
Eramos alcoólatras em dia de festa,
Fumavamos em dias difíceis e em dias
Fáceis, sorriamos feitos viciados
Em drogas, não era 1964,
Mas não estavamos distantes da barbárie,
Eramos jovens de 18,
Pareciamos termos 16,
Hoje conversamos no meio dos adultos,
Bebemos refrigerantes,
Arrotamos cebola,
E pela noite, soltamos gases no quarto,
E dizemos - amor!
Somos dois bobos apaixonados
Sabemos que temos de usar preservativos,
Fazemos sexo, nem sempre seguro,
Nunca se sabe o que  pode vim
Daqui a 9 meses, ou que remédios
Vamos tomarmos, coquetel ou sei lá o que.
Não é o tempo do obscurantismo,
Sabemos do bem e do mal,
Gostamos de correr risco,
E bem que gostaríamos de andar pelados pela rua,
E sair dançando algum axé,
Conforme a nossa alegria e vontade,
Conforme a nossa necessidade
De gozar a vida.
Falamos palavrões,
E depois oramos por Deus,
Porque sabemos que Deus é tudo
Para a sociedade, e para nós,
Que não aceitamos os ateus,
Por uma falta de compreensão,
Mas, será que eles também nos entendem?
Não aceitamos outra religião senão a nossa,
E estamos em um século a mais
Do que o século anterior,
A tecnologia a cada dia avança,
Transamos pelas redes sociais,
E tornamos o amor cada vez mais
Uma verdadeira mentira,
Somos atores virtuais.
Queremos liberdade de expressão
Não respeitamos a liberdade dos outros,
Não amamos nossos semelhantes,
Falamos de política defendendo
A própria visão,
Desfazemos amizades,
E andamos cada vez mais
Solitários, damos bom dia para o além.
Nada vem fazendo sentido,
Pra quê fazer?
Não faz sentido, fazemos de conta
Que faz,
Disem que o mundo vai acabar,
O que eu sei é que estou vivo,
E não sei se existirá outras espécies
Da minha mesma espécie daqui
A bilhões de ano,
Se viraremos corcundas,
Ou não teremos mais pêlos
Na bunda, ou sei lá o que.
O que sei é que a vida passa,
E cada ser estuda a vida na sua forma,
Na sua maneira que tem de estudar
Ou não. Beberei cerveja
E ela me conhece
Nos conhecemos dias atrás
e não foi em 1968
Não fomos fuzilados,
Nos amamos (não até o fim),
Nos amamos e nos abandonamos
Para depois ficar na abstinência,
Na sede do querer.



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