Esse ensinamento, por sua vez, pode ter várias interpretações. Uma delas é de que o ser pode apontar o erro dos outros como forma de esconder as próprias falhas. Seria plausível estender as mãos ao próximo como forma de apoio; saber o momento exato de falar sem causar constrangimento é criar vínculos construtivos no ambiente de convívio. O constrangimento público pode levar o outro a mentiras, assim como também pode causar diversos conflitos que podem acabar acarretando sérias consequências em ambos os lados. Percebemos a forma como a interpretação muda de acordo com o que tenho escrito mais acima: da acumulação de erros que pode gerar bola de neve até as medidas que o ser pode tomar. Tratar o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados nos torna humanos.
Porém, o ser se condiciona a aprender a fazer silêncio e deixar que o erro acumule, acreditando que essa é uma das formas de ser ético. Aceita como se fosse uma forma de respeitar o espaço do outro, quando, na verdade, esse ser está ferindo todos os elos de credibilidade. O sentimento de cumplicidade também pode se tornar presente; o ser logo se corrompe e acredita que esse também é um dos meios de que vai ter os próprios erros acobertados. Sem que ao menos perceba, o ser matou a ética.
A maior lição que eu tive foi de um senhor de idade, que me chamou e disse: "seja responsável pelos seus próprios erros, não pelos erros dos outros". Foi uma mensagem transmitida de forma subliminar. Suas falas complementaram os meus pensamentos e deixaram novas interrogações: "Por que assumir os meus próprios erros?", "Por que não assumir os erros dos outros?". O erro somente pode ser corrigido por quem tem autoridade sobre ele; assumir o erro dos outros é se submeter a futuras mentiras e quebra de elos. Outro pode criar a falsa segurança de proteção, enquanto quem assumiu o erro se torna refém e escravo de sua própria atitude.
Quem aprende a assumir os próprios erros aprende a ter autonomia. Ter autonomia não é fácil; quando o ser aprende a ter autonomia, ele consegue fugir das armadilhas que o cotidiano nos oferece. Aprendi a ver a palavra ética com vários olhares. Mas o que é mesmo a ética? Todos nós buscamos uma definição perfeita, quando, na verdade, a ética é a construção sólida que busca transparência de nossas ações; esse processo é longo e, por sua vez, pode passar por várias situações e transformações, positivas ou negativas.
Todo ser humano passa por diversos processos na vida. Uma simples aula pode se tornar um gatilho poderoso no desenvolvimento do processo humano; cada ser tem a sua maneira de interpretar, agir, pensar, e isso é fundamental, assim como a questão ética no seu estado mais bruto possível. De uma aula para as falas de um senhor de idade; das falas do senhor de idade para as próprias conclusões. De uma escrita para outras interpretações de quem vai ler e absorver, logo surgem novos questionamentos e aprendizagens. É isso que nos torna também humanos e conscientes.
![]() |
| Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil. |

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Olá, deixe o seu comentário!