quinta-feira, 7 de maio de 2026

A Ética sob Vários Olhares: Do Silêncio à Autonomia

Numa aula sobre ética, um dos primeiros ensinamentos foi não apontar os erros dos outros. Por que não apontar os erros dos outros? Essa foi uma das primeiras interrogações que surgiram na mente. É claro que ser humano algum é perfeito. Temos em mente, também, que quando deixamos um erro acumular, esse erro pode se tornar uma verdadeira bomba incontrolável; um erro é capaz de puxar outro erro, se transformar em outro e, assim, sucessivamente, gerando uma bola de neve. Mas, segundo os ensinamentos, seria antiético apontar os erros dos outros. Assim, vamos aprendendo a cobrir os erros dos outros, chegando ao ponto de nos tornarmos cúmplices sem que ao menos percebamos.

Esse ensinamento, por sua vez, pode ter várias interpretações. Uma delas é de que o ser pode apontar o erro dos outros como forma de esconder as próprias falhas. Seria plausível estender as mãos ao próximo como forma de apoio; saber o momento exato de falar sem causar constrangimento é criar vínculos construtivos no ambiente de convívio. O constrangimento público pode levar o outro a mentiras, assim como também pode causar diversos conflitos que podem acabar acarretando sérias consequências em ambos os lados. Percebemos a forma como a interpretação muda de acordo com o que tenho escrito mais acima: da acumulação de erros que pode gerar bola de neve até as medidas que o ser pode tomar. Tratar o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados nos torna humanos.

Porém, o ser se condiciona a aprender a fazer silêncio e deixar que o erro acumule, acreditando que essa é uma das formas de ser ético. Aceita como se fosse uma forma de respeitar o espaço do outro, quando, na verdade, esse ser está ferindo todos os elos de credibilidade. O sentimento de cumplicidade também pode se tornar presente; o ser logo se corrompe e acredita que esse também é um dos meios de que vai ter os próprios erros acobertados. Sem que ao menos perceba, o ser matou a ética.

A maior lição que eu tive foi de um senhor de idade, que me chamou e disse: "seja responsável pelos seus próprios erros, não pelos erros dos outros". Foi uma mensagem transmitida de forma subliminar. Suas falas complementaram os meus pensamentos e deixaram novas interrogações: "Por que assumir os meus próprios erros?", "Por que não assumir os erros dos outros?". O erro somente pode ser corrigido por quem tem autoridade sobre ele; assumir o erro dos outros é se submeter a futuras mentiras e quebra de elos. Outro pode criar a falsa segurança de proteção, enquanto quem assumiu o erro se torna refém e escravo de sua própria atitude.

Quem aprende a assumir os próprios erros aprende a ter autonomia. Ter autonomia não é fácil; quando o ser aprende a ter autonomia, ele consegue fugir das armadilhas que o cotidiano nos oferece. Aprendi a ver a palavra ética com vários olhares. Mas o que é mesmo a ética? Todos nós buscamos uma definição perfeita, quando, na verdade, a ética é a construção sólida que busca transparência de nossas ações; esse processo é longo e, por sua vez, pode passar por várias situações e transformações, positivas ou negativas.

Todo ser humano passa por diversos processos na vida. Uma simples aula pode se tornar um gatilho poderoso no desenvolvimento do processo humano; cada ser tem a sua maneira de interpretar, agir, pensar, e isso é fundamental, assim como a questão ética no seu estado mais bruto possível. De uma aula para as falas de um senhor de idade; das falas do senhor de idade para as próprias conclusões. De uma escrita para outras interpretações de quem vai ler e absorver, logo surgem novos questionamentos e aprendizagens. É isso que nos torna também humanos e conscientes.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior, usando óculos e camisa vermelha, ambiente de fundo de feira.
Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


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