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sexta-feira, 12 de junho de 2026

E assim continuemos juntos

Quero nada mais nada menos que palavra escolhida,
Quero olho no olho e toda a verdade do mundo,
Quero todo o querer e poder estar junto,
Menos distante, poder beijar, amar, viver cada dia
Em flor. Quero que transborde em nossa vida
Poesia, poesia em toda a nossa volta, circulando
E circulando, circulando... Quero poder sempre
Viver cada dia, e assim poder experimentar cada momento,
Cada segundo, cada instante, como se estivesse
A degustar uma taça de vinho, olhando sua doce face
De mulher, quero não apenas dizer eu lhe amo,
Como quero viver em seus braços eternamente.
Que nada seja efêmero, que ao menos fique em nossa
Memória, todo o retrato, do que se passou,
E que renovemos, meu bem, e assim continuemos juntos!

Na imagem Valter Bitencourt Júnior em formato de desenho usando chapéu, óculos e camisa branca.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

A Engrenagem da Mentira e a Economia da Atenção

Da família Bolsonaro restam apenas as mentiras como tentativa de ocultar a veracidade dos fatos. Eles se sustentaram por meio de boatos e falsidades durante muitos anos, evidenciando que esse grupo político parece incapaz de sobreviver sem a desinformação. Contudo, essas fraudes estão sendo desmascaradas, o que vem deixando o clã desesperado. Esse processo de esclarecimento ganha força graças aos jornalistas investigativos independentes. É fundamental reconhecer o papel da imprensa na atualidade, que assume uma importância central na defesa da verdade factual.

A luta pela regulamentação das redes sociais continua, mas mudanças plausíveis já são visíveis. Os algoritmos começam a atuar no combate aos boatos. Embora mentiras surjam a todo momento, elas perdem força rapidamente devido à atuação dos verificadores de fatos. Hoje, esses mecanismos de checagem estão implementados em diversas redes sociais, somando-se a uma variedade de fontes e sites que possibilitam a validação de publicações duvidosas.

Na era da inteligência artificial, ainda há muito a ser feito diante das deepfakes e da monetização algorítmica, desenhada para gerar impacto emocional — seja positivo ou negativo. Sempre há quem caia nas armadilhas arquitetadas pelas Big Techs. Por outro lado, a sociedade compreende a cada dia o funcionamento dessas plataformas, e muitos usuários já começam a verificar os fatos de forma autônoma.
A mentira, contudo, não é exclusividade de um único grupo político. O ecossistema de notícias falsas e distorções conta com a colaboração de terceiros, que aceitam fraudes como verdades absolutas. Há também a mídia comercial, que utiliza seu poder informativo para monetizar boatos e manipulações. Muitas vezes nos tornamos reféns dessa estrutura, o que ressalta a relevância do jornalismo independente para desestruturar os interesses dessa outra gigante da macroeconomia.

Esse sistema necessita de pessoas desinformadas. Quanto mais o indivíduo se condiciona a compartilhar conteúdos sem checar a procedência, mais ele se torna refém de políticos que vivem da mentira e de veículos comerciais cúmplices. Vivemos também a era dos influenciadores digitais. Impulsionados pela necessidade de sobrevivência, até mesmo os bons criadores tornam-se cúmplices das plataformas. Eles aceitam pequenos lucros de monetização, o que alimenta o poder das gigantes da macroeconomia, companhias que exploram as necessidades financeiras de seus usuários para obter lucros ainda maiores nos bastidores. Os influenciadores aprendem a utilizar as redes para ganho financeiro, muitas vezes desconsiderando o impacto na própria imagem. Esse cenário reflete o comportamento dos próprios usuários, que consomem as redes de forma compulsiva, buscando um ganho ilusório no acúmulo de informações, imagens, vídeos e textos na tela infinita.

Diante disso, a verdadeira chave para a desconstrução dessas gigantes depende da nossa postura. Quebrar essa engrenagem exige que deixemos de ser consumidores passivos de telas e passemos a exigir responsabilidade de quem publica, apoiando ativamente quem trabalha pela verdade.

Infográfico conceitual: sociedade combatendo desinformação digital e mentiras políticas com jornalismo independente e checagem de fatos em uma grande engrenagem tecnológica. Imagem: Gerada através de inteligência artificial
Infográfico conceitual: sociedade combatendo desinformação digital e mentiras políticas com jornalismo independente e checagem de fatos em uma grande engrenagem tecnológica. Imagem: Gerada através de inteligência artificial 


O Efeito Pinóquio e o Espelho da Realidade

A gente sempre quer saber quem está falando a verdade, principalmente no meio político, em que muitos mentem descaradamente. Nasceu um novo mundo. Nesse novo mundo, os políticos que mentem ganham o "efeito Pinóquio": a cada mentira dita por eles, o nariz vai crescer. Todos passam a reconhecer os políticos de acordo com o tamanho do nariz, sabendo exatamente se estão mentindo ou se estão falando a verdade. Os verificadores de fatos, por sua vez, apontam a veracidade das declarações com base no tamanho do nariz dos governantes.

A sociedade vota em quem mente menos, ou seja, em quem tem o nariz no seu tamanho — suponhamos — normal. Quem já nasceu com o nariz grande não nasceu mentiroso, mas, se continuar mentindo, pense no quão feio será. Nesse mundo, os políticos que cometem crimes não terão seus delitos medidos pelo nariz, mas sim de acordo com as suas ações. O julgamento jamais deverá ser feito pelo tamanho do nariz, até porque seria um grande erro, já que se sabe que quem tem o nariz normal também pode cometer crimes. Mesmo assim, a justiça vai perceber imediatamente quando o político julgado estiver mentindo. Pense numa delação premiada justa, com um verificador de fatos visível, capaz de detectar tudo.

Contudo, o mundo que nasceu não é 100% justo. Nele, há pessoas que não são políticos partidários, mas que carregam sua própria visão política. Quem sabe muitos desses queiram ver aquele que tem o nariz maior como alguém capaz de dizer a "sua verdade" (para não dizer mentira) como uma forma de coragem. Isso, talvez, não se diferencie do mundo anterior, em que muitos ditavam mentiras em forma de verdade e havia quem visse nisso um ato de bravura.

Surge, então, a briga dos que lutam pelos políticos de nariz pequeno contra os que ganham narizes grandes de acordo com as mentiras proferidas. Esse mundo se transforma em um caos, porque ainda há instituições que não estão inclusas nesse efeito Pinóquio, assim como o restante da sociedade. Quem quer condenar os que mentem perde o direito na medida em que percebe que a perfeição do seu próprio nariz não o impede de mentir. Por outro lado, os que querem defender os que estão sob o efeito Pinóquio não aceitam nenhuma crítica contra eles.

Voltando para o mundo atual e saindo do universo do efeito Pinóquio, conseguimos perceber que ambos os mundos não se diferenciam. Vemos uma sociedade que aceita falas que vão, muitas vezes, de encontro aos seus próprios ideais, tolerando esses absurdos como se fossem um ato de coragem de quem os proferiu e enxergando essa pessoa como "verdadeira". Vemos uma sociedade cega a um ou mais candidatos, capaz de defendê-los com unhas e dentes, tentando passar a mão na cabeça deles e ocultando seus erros, por mais visíveis que sejam. Vemos a justiça se fazendo de cega e dando imunidade a quem age com má-fé. Vemos, também, a mídia manipulando e os algoritmos das redes sociais destruindo nossos neurônios, jogando-nos uns contra os outros como forma de gerar engajamento e monetizar o ódio sob o pretexto da liberdade de expressão.

Não adianta nascer um novo mundo ou criarmos uma nova realidade enquanto o ser humano perder a capacidade de enxergar o que se passa à sua volta. Quando isso acontece, seus ideais morrem, tornando-o incapaz de dialogar, de pensar, de questionar e de agir.

Ilustração editorial de político com nariz de Pinóquio em palanque. Ao fundo, telas, jornais e termos como "ÓDIO" e "MENTIRAS". À frente, multidão polarizada e hipnotizada por celulares em caos. Imagem gerada por IA.
Ilustração editorial de político com nariz de Pinóquio em palanque. Ao fundo, telas, jornais e termos como "ÓDIO" e "MENTIRAS". À frente, multidão polarizada e hipnotizada por celulares em caos. Imagem gerada por IA.


terça-feira, 12 de maio de 2026

A Estética da Lama: Quando a Vida se Torna Irônica Com o Próprio Ser

Você tem que ser da forma que lhe moldam e, nessa, vai chegar o tempo em que você vai perder a sua própria identidade. Sabe que merda é viver no padrão em que nos querem transformar? É, e há quem se incomode com essa palavra: "merda". Mas não há sujeira maior que essa tentativa de limpeza que dizem ser ética. É tudo uma farsa e a gente segue feito marionetes.

Não se preocupem, senhores, não irei tirar a maestria de sua nobreza. É que estou de saco cheio dessa gente careta que tenta ditar o que temos de fazer o tempo todo. Não basta somente isso; querem que sejamos unificados, padronizados conforme os seus interesses. E sempre com as mesmas falácias, como se fosse bom somente o que eles ouvem, degustam e apreciam de forma "suave e tinto" (mais suave que tinto).

Você tem que escutar músicas clássicas — quem sabe as sinfonias de Beethoven ou qualquer outra —, escutar blues, MPB, músicas internacionais... Você não pode escutar essas músicas de hoje em dia, carregadas com letras vulgares, de múltiplos sentidos. Agora, eu quero saber qual é o seu gosto musical. Sei que você escreve; estou sabendo que você anda transformando palavras em imagens capazes de transmitir aromas, sons... Você tem um bom paladar, sabe aquelas coisas de etiqueta, se veste com aquelas roupas bonitas como se fosse detetive.

Que é isso? Cada ser escuta o que bem quiser e entender; cada ser se comporta do jeito que quiser. Escute o que você quiser! Não me venha com essa de "bom gosto"; o que pode ser de "bom gosto" para você, para outro pode não ser. Cada artista tem o seu público e cada público escuta o que quer. O artista não pode viver sem o público, logo, ele se sujeita a dar ao público o que muitos deles querem (não é difícil entender o que chamam de vulgar e o que condenam nas letras de múltiplos sentidos). Não me venha com essa de ser chique demais, de querer ser melhor que os outros; como diz um certo poeta: "quanto mais se eleva, maior é a queda". Imagine se escreverei somente sobre as árvores, sobre o cantar dos pássaros, o movimentar dos rios... Não, já é quase impossível. Olha o quanto tudo tem mudado e vem mudando; a geração de hoje vive um presente que não condiz mais com o passado.

Você quer saber qual é a minha indignação, você quer saber que revolta é essa, você quer saber os motivos. Não basta somente essa gente alinhada, mas uma parte de uma sociedade julgadora da qual eu faço parte. Não, não é para fazer sentido, se já não fazia sentido antes.
Sabe, meu bem, qual é o prazer de deitar no sofá ou, quem sabe, pular a janela, correr na chuva, gritar "olha o avião" ou, quando a energia elétrica que tinha faltado volta, se sujar de lama, sentir da chuva o cheiro de terra molhada, esquecer de bater o sapato no tapete (mas como pode sujar o tapete tão lindo?)? Não quero saber mais disso; quero sentir essa rebeldia circulando no sangue.

Apenas quero mesmo é ver o que você tem a me dizer diante dos seus questionamentos. Quero ver o quanto somos moldados e até em que ponto chegaremos; se ainda vamos pisar no chão firme a ponto de querer assumir a nossa própria identidade. Enquanto isso, diante da minha indignação, eu quero desenhar o futuro no pedaço de papel e rir do papagaio que só imita o que falamos, e ainda saímos de besta.

Os Beatles na capa do disco Abbey Road — Foto: Reprodução
Os Beatles na capa do disco Abbey Road — Foto: Reprodução


quinta-feira, 7 de maio de 2026

A Ética sob Vários Olhares: Do Silêncio à Autonomia

Numa aula sobre ética, um dos primeiros ensinamentos foi não apontar os erros dos outros. Por que não apontar os erros dos outros? Essa foi uma das primeiras interrogações que surgiram na mente. É claro que ser humano algum é perfeito. Temos em mente, também, que quando deixamos um erro acumular, esse erro pode se tornar uma verdadeira bomba incontrolável; um erro é capaz de puxar outro erro, se transformar em outro e, assim, sucessivamente, gerando uma bola de neve. Mas, segundo os ensinamentos, seria antiético apontar os erros dos outros. Assim, vamos aprendendo a cobrir os erros dos outros, chegando ao ponto de nos tornarmos cúmplices sem que ao menos percebamos.

Esse ensinamento, por sua vez, pode ter várias interpretações. Uma delas é de que o ser pode apontar o erro dos outros como forma de esconder as próprias falhas. Seria plausível estender as mãos ao próximo como forma de apoio; saber o momento exato de falar sem causar constrangimento é criar vínculos construtivos no ambiente de convívio. O constrangimento público pode levar o outro a mentiras, assim como também pode causar diversos conflitos que podem acabar acarretando sérias consequências em ambos os lados. Percebemos a forma como a interpretação muda de acordo com o que tenho escrito mais acima: da acumulação de erros que pode gerar bola de neve até as medidas que o ser pode tomar. Tratar o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados nos torna humanos.

Porém, o ser se condiciona a aprender a fazer silêncio e deixar que o erro acumule, acreditando que essa é uma das formas de ser ético. Aceita como se fosse uma forma de respeitar o espaço do outro, quando, na verdade, esse ser está ferindo todos os elos de credibilidade. O sentimento de cumplicidade também pode se tornar presente; o ser logo se corrompe e acredita que esse também é um dos meios de que vai ter os próprios erros acobertados. Sem que ao menos perceba, o ser matou a ética.

A maior lição que eu tive foi de um senhor de idade, que me chamou e disse: "seja responsável pelos seus próprios erros, não pelos erros dos outros". Foi uma mensagem transmitida de forma subliminar. Suas falas complementaram os meus pensamentos e deixaram novas interrogações: "Por que assumir os meus próprios erros?", "Por que não assumir os erros dos outros?". O erro somente pode ser corrigido por quem tem autoridade sobre ele; assumir o erro dos outros é se submeter a futuras mentiras e quebra de elos. Outro pode criar a falsa segurança de proteção, enquanto quem assumiu o erro se torna refém e escravo de sua própria atitude.

Quem aprende a assumir os próprios erros aprende a ter autonomia. Ter autonomia não é fácil; quando o ser aprende a ter autonomia, ele consegue fugir das armadilhas que o cotidiano nos oferece. Aprendi a ver a palavra ética com vários olhares. Mas o que é mesmo a ética? Todos nós buscamos uma definição perfeita, quando, na verdade, a ética é a construção sólida que busca transparência de nossas ações; esse processo é longo e, por sua vez, pode passar por várias situações e transformações, positivas ou negativas.

Todo ser humano passa por diversos processos na vida. Uma simples aula pode se tornar um gatilho poderoso no desenvolvimento do processo humano; cada ser tem a sua maneira de interpretar, agir, pensar, e isso é fundamental, assim como a questão ética no seu estado mais bruto possível. De uma aula para as falas de um senhor de idade; das falas do senhor de idade para as próprias conclusões. De uma escrita para outras interpretações de quem vai ler e absorver, logo surgem novos questionamentos e aprendizagens. É isso que nos torna também humanos e conscientes.

Na imagem Valter Bitencourt Júnior, usando óculos e camisa vermelha, ambiente de fundo de feira.
Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

A Democracia em Crise: Entre a Lei Moral e o Domínio das Elites

Já existem acontecimentos que confirmam a preocupação do Papa Leão XIV de que a democracia corre o risco de se tornar uma "máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas" ou uma "tirania da maioria", caso não esteja fundamentada em valores morais. Esta é uma resposta precisa diante das críticas de Donald Trump em abril de 2026, que chamou o pontífice de "fraco no combate ao crime", "terrível na política externa" e o acusou de "ceder à esquerda radical", além das falas do vice-presidente JD Vance, que sugeriu que o Papa deveria "ter cuidado ao falar de teologia" ao questionar ações militares.

Os Estados Unidos são um dos principais exemplos. O governo de Donald Trump, com seu modelo conservador e elitista pautado por retaliações, já taxou vários países de forma abusiva, a ponto de o Congresso precisar barrá-lo. Somam-se a isso a perseguição contra imigrantes e o uso da ICE para intimidar ativistas estrangeiros, além da mobilização de forças federais para conter manifestações contra o sistema. Nesse cenário, o uso da tecnologia como ferramenta de manipulação fortalece os interesses das Big Techs, que utilizam algoritmos para impulsionar discursos de ódio e gerar monetização. Visando apenas ao lucro, esse modelo causa um impacto profundo na sociedade, que acaba se deixando levar por distorções de fatos. Isso quebra o elo de diálogo, que é o fundamento essencial da democracia.

Recentemente, publiquei duas análises sobre o cenário argentino. Na primeira, destaquei que o governo de Milei é um exemplo claro de gestão que país algum deveria seguir. Diante da reforma de fevereiro de 2026, que instituiu o aumento da jornada de trabalho e o banco de horas — "que converte o pagamento salarial em folgas, resultando na desvalorização dos trabalhadores" —, somados à redução da maioridade penal para 14 anos sem o respaldo de políticas públicas adequadas, o governo demonstra ter se perdido no entusiasmo pelas criptomoedas e se vendido aos ideais dos Estados Unidos.

A segunda publicação reforça essa visão, focando no elitismo do governo: o governo Milei é o maior problema que a Argentina vem enfrentando ultimamente. O aumento da jornada de trabalho para até 12 horas, a instituição do banco de horas — "que converte o pagamento do trabalhador em folga" — e as consequências desse modelo são as faces da calamidade de um governo conservador e elitista.

Por fim, a sociedade, por sua vez, torna-se vítima do autoritarismo de uma elite que a molda e cria mecanismos de quebra de direitos para favorecer o mercado. O software torna-se, assim, uma rede de distração e manipulação, fazendo com que muitos continuem defendendo quem luta contra os princípios éticos da democracia.


Imagem: reprodução/Vatican News


domingo, 19 de abril de 2026

A Miragem do Salvador: Fanatismo, Poder e a Ilusão da Verdade

Houve um movimento em Portugal conhecido como sebastianismo, surgido no final do século XVI, baseado na crença de que o rei D. Sebastião não teria morrido na Batalha de Alcácer-Quibir. Essa expectativa de seu retorno para restaurar a glória da nação aproximava a imagem do monarca à de Cristo, conferindo-lhe uma aura messiânica: o rei não era apenas um líder político, mas um salvador 'encoberto' que, tal como o Messias, retornaria em um momento de sofrimento para promover a ressurreição e o renascimento espiritual da pátria. Esse cenário, contudo, refletia uma sociedade adoecida pelo fanatismo da época, onde a decadência da aristocracia e o dogmatismo religioso se fundiram, criando uma fuga coletiva da realidade através da fé cega em um milagre impossível.

Transportando essa lógica para a atualidade, observa-se o ressurgimento desse arquétipo no autoritarismo de figuras como Donald Trump. Ele busca ser visto por seus seguidores como um 'salvador' e o curador das feridas da nação, muitas vezes operando por meio de imposições e discursos de confronto. Esse messianismo moderno alimenta-se de impactos geopolíticos destrutivos e fortalece alianças estratégicas, como o apoio ao sionismo em Israel, atendendo a interesses que, paradoxalmente, convivem com elementos de retórica antissemita em suas bases mais radicais, unindo o pragmatismo político ao fanatismo ideológico. Essas pessoas não apenas adoecem a si mesmas, como a toda uma sociedade, criando uma falsa liberdade e prendendo-se a ilusões da verdade.

De D. Sebastião a Donald Trump: o mito do 'salvador da pátria' atravessa os séculos, alimentando-se de crises e da fé cega em milagres políticos
De D. Sebastião a Donald Trump: o mito do 'salvador da pátria' atravessa os séculos, alimentando-se de crises e da fé cega em milagres políticos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Carpe diem

Vai a despedida de quem veio e já se foi
Fica a tristeza, a Nostalgia futura,
As lembranças eternas de toda uma passagem
Fica a memória, as perspectivas.

Descem as lágrimas na busca de consolo,
Torna o ser sensível, perde-se o ego,
A vaidade… Nasce a incompreensão
Renasce a compreensão.

Assim o ser vai se tornando forte
Em cada despedida. Renasce a esperança
O querer aproveitar a vida

Enquanto há vida. Quanto custa aproveitar
Cada momento, instantes, segundos
Em paz, afeto, amor?…

Na imagem Valter Bitencourt Júnior usando óculos e camisa branca.
Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


domingo, 15 de abril de 2018

Algumas ações

   O que vem se passando no meu dia-a-dia? É que venho na verdade divulgando a minha fanpage do Facebook, assim convidando amigos e amigas de diversos cantos das redes sociais para fazerem parte da minha fanpage, claro, que não venho a obrigar as pessoas para que elas sigam, na verdade ela tem todo o direito de aceitar ou não.

Venho também a compartilhar alguns vídeos no YouTube, lendo recitando, declamando poesias da minha autoria e da autoria de outros poetas consagrados e não consagrados. A minha meta é de não apenas divulgar o meu nome quanto também a literatura em si.

Divulgar poesias, textos, vídeos, imagens... em vários cantos das redes sociais. Estudar, debater, conhecer, e assim passar adiante o conhecimento.

Quero ir além disso tudo, e para isso venho trabalhando no Facebook, Instagram, Twitter, Google+, etc.

Valter Bitencourt Júnior, com o livro
"Toque de Acalanto".







































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