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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Sobre o livro: Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil

O livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil", foi publicado como uma forma de levar aos leitores sobre Antônio Fernandes Mendes, uma das vítimas da ditadura militar e civil, no Ceará. Antônio Fernandes Mendes, nasceu em Quixeramobim, em 1936, foi anarquista, fitoterapeuta, conhecedor das ervas medicinais, cordelista e autodidata, é o clã de Antônio Vicente Mendes Maciel (Antônio Conselheiro).

No livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil" pode ser encontrado a biografia dele e algumas perguntas que o tenho feito, perguntas essas que ele tem respondido, sem quaisquer tipo de restrição. Antônio Fernandes Mendes falou sobre a sêca no Ceará, e sobre a instalação de duas bases aéreas, que convocava os jovens para o auge da guerra, livros que foram queimados e livros que foram enterrados e perdidos pela água da churra e sobre a importância de uma biblioteca e da leitura.

Antônio Fernandes Mendes viveu numa forma clandestina, ajudou diversos senhores de idade a aprender ler, fazendo uso do método Paulo Freire, método este que era proibido naquela época. Criou e fundou diversos sindicatos, de forma clandestina, visando ajudar os trabalhadores, que trabalhavam no campo. Recebeu a notícia de que a polícia estava atrás dele, fugiu para a casa de um dos irmãos, onde passou alguns dias.

Na Bahia, criou junto com a comunidade o projeto "Horta Natureza", este projeto ficou conhecido depois como ISVA (Instituto Socioambiental do Bairro de Valéria), onde também se encontrava a biblioteca do bairro (Biblioteca Comunitária do Bairro de Valéria Prof José Oiticica) e o cineclube do bairro, onde passava diversos filmes educativos, deu palestras em lugares públicos e privados.

Tenho o costume de dizer que o livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil", também foi publicado de uma forma clandestina, porque, não tive a ajuda de editores e revisores para publicá-lo, editei, criei a capa, e publiquei de forma independente, e quem sabe assim possa aparecer oportunidades de publicar novas edições, levando a diante a história de um grande mestre, que foi o Antônio Fernandes Mendes.

Na imagem Antônio Fernandes Mendes com o livro "Hinos do Equador", de Castro Alves.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

A ditadura militar bateu na porta de milhares de pessoas

Antônio Fernandes Mendes (Quixeramobim/CE, 1936 - 2015, Salvador), ensinava diversos senhores de idade, camponeses, através do uso do método Paulo Freire. Negar que houve no Brasil uma ditadura militar, é querer enganar a sociedade, e camuflar a história, a censura bateu na porta de milhares de pessoas, não porque elas eram comunistas, e sim, porque essas pessoas lutaram pelos seus direitos, em diversas formas. 

A alfabetização foi uma das grandes formas de abrir os olhos da sociedade, para que ela lute contra o sistema daquela época. Antônio Fernandes Mendes, teve diversos livros de cordéis queimados, alguns dos livros que ele enterrou foram perdidos com a água da chuva, que molhou e danificou os livros. Livros da Revolução Francesa, Revolução Espanhola, livros sobre comunismo, marxismo, anarquismo, dentre outos, eram apreendidos e até queimado pelos militares daquela época. 

Em umas das perguntas que eu tenho feito a Antônio, ele fala também da formação de duas bases aéreas no Ceará, que convocava os jovens para o auge da guerra. Ajudou a criar diversos sindicatos no Ceará, devido a ditadura militar e civil, ele teve de fugir da própria terra natal, para São Paulo, e foi descendo para o nordeste brasileiro, falecendo aqui na Bahia em 2015. 

Aqui na Bahia, fundou junto com a comunidade o projeto "Horta Natureza", ao longo do tempo o local foi ficando conhecido como ISVA (Instituto Socioambiental do Bairro de Valéria), nesse mesmo espaço foi criado a biblioteca do bairro (Biblioteca Comunitária do Bairro de Valeria Prof José Oiticica) e o cineclube do bairro, onde passava filmes sobre a vida e a obra do Charles Chaplin, e diversos filmes educativos. Antônio Fernandes Mendes, foi um conhecedor profundo das ervas medicinais, autodidata, carregava dentro de si uma grande biblioteca, dominava sobre diversos assuntos. 

Deu diversas palestras nas universidades federais, escolas públicas e privadas, aqui na Bahia. Hoje em dia diversas pessoas vem querendo desvalorizar esse grande mestre que foi o Paulo Freire, sendo que ele foi uma das grandes inspirações para a alfabetização brasileira, libertário, patrono da educação brasileira. Temos muito conhecer e beber das obras do Paulo Freire, muitos que dizem que faz uso do método Paulo Freire, não vem fazendo da forma devido (isso é o que tem de ser questionado). Para Antônio, os primeiros professores de uma criança é o pai e a mãe, que ensina a falar as primeiras palavras (papai, mamãe, gato, cachorro, pá, cadeira...). Que matemos a nossa própria ignorância de cada dia!

Antônio Fernandes Mendes 


Estamos diante a um governo esquizofrênico

Estamos diante a um governo esquizofrênico, que diz que quer acabar com o socialismo e o comunismo no Brasil. Quando a gente entra na história sobre o nazismo, fascismo, sobre as grandes revoluções, revoltas populares, descobrimos que mataram diversas pessoas, e não apenas comunistas, como muitos querem pregar, mataram diversos operários, camponeses, trabalhadores, se parte da sociedade chegou a pegar arma para se defender, foi porque não tinha mais para onde correr, diante a um regime autoritário, nem todo guerrilheiro são o demônio da sociedade. 

Vemos exemplos de governos perversos, que matou até gente de própria confiança, por não querer perder o poder, é a esquizofrenia, que se encontra dentro de todo tirano, que quer mandar e desmandar, que quer ter voz. A educação pública, se encontra ameaçada hoje em dia, se já foi pior, hoje vem piorando mais ainda. Quem quer pregar a escola sem partido, quer implantar a própria ideologia, e a escola por sua vez tem de ser livre, aberto a todo tipo de estudo, debate, discussão. 

Se os ministérios já foi ruim, hoje se encontra pior, até porque colocaram pessoa incompetentes, para assumir cada cargo, uniram pastas, dizendo reduzir gastos do governo, a cultura e a arte se encontra ameaçada também. Hoje em dia, temos um parte da sociedade que se diz contra a Lei Rouanet, e sequer sabe o que venha a ser. Quais comunistas eles matavam na ditadura, na guerra?... 

Os que lutavam pelos seus direitos, artistas, jornalistas, a classe operária, os trabalhadores. A sociedade precisa estudar mais sobre as grandes greves gerais que já tem acontecido tanto no Brasil, quanto fora do Brasil, estudar sobre as revoltas populares, o que de fato tem sido a ditadura militar, causas e consequências.

Imagem reprodução representando a ditadura militar
Imagem reprodução 


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