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sábado, 20 de junho de 2026

Amigo Gil

Gilberto Nogueira de Oliveira

Suas obras primas
São feitas em casa
Poeta independente
Produz, não tem o ego
Em si, simples
E verdadeiro,
Esse é o Gil de Nazaré/BA
De todos os brasileiros.

Em todos os cantos
Do mundo,
Deveria existir um Gil,
Que compartilha poesias
Nesse mundo em guerra,
Meio que doentio.

Poesia de amigos
– Gil compartilha!
Livros da própria autoria
– Gil envia!
Em troca não cobra
Nada,
Muitos o desvaloriza

… Pouco importa ao Gil.
O bem maior da sociedade
É a escrita
– Isso sim, Gil, valoriza.


Na imagem Gilberto Nogueira de Olivera com o livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil (Uma Vida Clandestina)", por Valter Bitencourt Júnior.
Gilberto Nogueira de Olivera com o livro "Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil (Uma Vida Clandestina)", por Valter Bitencourt Júnior.


terça-feira, 5 de maio de 2026

Laços de Humanidade: O Olhar Imprevisível do Cotidiano

A vida é como uma crônica em que o escritor escreve de forma imprevisível; o tempo passa na medida em que se relatam os acontecimentos cotidianos com o olhar que busca captar os mínimos detalhes. Sinto isso ao fazer a leitura do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar". Esse livro mostra a essência de cada um dos três escritores: Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregório Duvivier. As crônicas, por incrível que pareça, acabam complementando umas às outras.

Anteriormente, senti a necessidade de escrever sobre a borboleta amarela, mas o faço agora graças à leitura da crônica de Xico Sá, "O desafio da borboleta amarela". Nela, ele cita Rubem Braga e Clarice Lispector, apontando Humberto Werneck como o atual vencedor dessa arte de segui-la. É claro que acabei recorrendo também à crônica de Rubem Braga, "A Borboleta Amarela" — Retornando às leituras do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", surpreendo-me com a crônica de Gregório Duvivier sobre os caçadores de likes. Intitulada "A gente não quer só comida, a gente quer postar e quer ganhar like", ela me fez refletir sobre a borboleta amarela diante da tecnologia atual. Notei o falso prêmio das rolagens infinitas e o quanto estamos presos à tela, perdendo a borboleta de vista. Se antes era difícil enxergá-la, hoje tornou-se ainda mais; mesmo assim, continuamos alimentando nossa sede de forma ilusória. Maria Ribeiro, por sua vez, conecta esses pontos ao destacar a política como forma de união — seja em um show de Gilberto Gil e Caetano Veloso, ou na gratidão pela existência de Chico Buarque. Sua crônica "Obrigada, Bolsonaro" é carregada de ironia; talvez esse ser tenha sido um mal necessário para que, diante de momentos sombrios, lembremos que somos humanos necessitados de união para nos mantermos de pé.

É impossível não citar a crônica "A desaletrada da Rocinha", escrita por Xico Sá, que conta a história de uma senhora de idade. A história de Lindacy Menezes e a sua descoberta pelas letras aos seus 64 anos mostra a importância da arte da leitura e da escrita; o pedido de desculpa e se considerar desaletrada, e mesmo assim ter a ciência de que tomou gosto por dizer as coisas e contar a própria história, é de um valor extraordinário. Também é bom pontuar a importância de projetos literários nos bairros periféricos; foi graças à oficina "Festa Literária das Periferias" (FLUP) que foi descoberta a Lindacy e o reconhecimento de que fora revelada uma narradora de primeira, tendo Zuenir Ventura como alguém da plateia a prestigiar e também reconhecer o talento. Mas a crônica não para por aí; também cita questões de violência e a situação da Rocinha, assim como o caso Amarildo. Mas fico com as palavras finais do cronista, de agradecimento pelas lições de existência e o desabafo pessoal que por sua vez ganha o sentido universal, de se todos os ditos letrados fossem iguais à Lindacy. — Impossível não concordar com o cronista e seu lado humano de captar cada detalhe.

São três cronistas que se complementam de forma fantástica com várias outras crônicas incríveis. São crônicas para realmente ler em qualquer lugar e reacender o calor humano; é o despertar das ideias que compõem os laços da humanidade como o alçar do voo da borboleta.


Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro
Imagem da capa do livro "Crônicas para ler em qualquer lugar", por Xico Sá, Gregório Duvivier e Maria Ribeiro.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

A ditadura militar bateu na porta de milhares de pessoas

Antônio Fernandes Mendes (Quixeramobim/CE, 1936 - 2015, Salvador), ensinava diversos senhores de idade, camponeses, através do uso do método Paulo Freire. Negar que houve no Brasil uma ditadura militar, é querer enganar a sociedade, e camuflar a história, a censura bateu na porta de milhares de pessoas, não porque elas eram comunistas, e sim, porque essas pessoas lutaram pelos seus direitos, em diversas formas. 

A alfabetização foi uma das grandes formas de abrir os olhos da sociedade, para que ela lute contra o sistema daquela época. Antônio Fernandes Mendes, teve diversos livros de cordéis queimados, alguns dos livros que ele enterrou foram perdidos com a água da chuva, que molhou e danificou os livros. Livros da Revolução Francesa, Revolução Espanhola, livros sobre comunismo, marxismo, anarquismo, dentre outos, eram apreendidos e até queimado pelos militares daquela época. 

Em umas das perguntas que eu tenho feito a Antônio, ele fala também da formação de duas bases aéreas no Ceará, que convocava os jovens para o auge da guerra. Ajudou a criar diversos sindicatos no Ceará, devido a ditadura militar e civil, ele teve de fugir da própria terra natal, para São Paulo, e foi descendo para o nordeste brasileiro, falecendo aqui na Bahia em 2015. 

Aqui na Bahia, fundou junto com a comunidade o projeto "Horta Natureza", ao longo do tempo o local foi ficando conhecido como ISVA (Instituto Socioambiental do Bairro de Valéria), nesse mesmo espaço foi criado a biblioteca do bairro (Biblioteca Comunitária do Bairro de Valeria Prof José Oiticica) e o cineclube do bairro, onde passava filmes sobre a vida e a obra do Charles Chaplin, e diversos filmes educativos. Antônio Fernandes Mendes, foi um conhecedor profundo das ervas medicinais, autodidata, carregava dentro de si uma grande biblioteca, dominava sobre diversos assuntos. 

Deu diversas palestras nas universidades federais, escolas públicas e privadas, aqui na Bahia. Hoje em dia diversas pessoas vem querendo desvalorizar esse grande mestre que foi o Paulo Freire, sendo que ele foi uma das grandes inspirações para a alfabetização brasileira, libertário, patrono da educação brasileira. Temos muito conhecer e beber das obras do Paulo Freire, muitos que dizem que faz uso do método Paulo Freire, não vem fazendo da forma devido (isso é o que tem de ser questionado). Para Antônio, os primeiros professores de uma criança é o pai e a mãe, que ensina a falar as primeiras palavras (papai, mamãe, gato, cachorro, pá, cadeira...). Que matemos a nossa própria ignorância de cada dia!

Antônio Fernandes Mendes 


sexta-feira, 9 de março de 2018

Ganância

Quero livro por toda a minha volta
E hoje vou ler, ler milhares de livros,
Fazer do meu dia o impossível.
Quero livros e mais livros,
Quero todos os livros,
De todos os gêneros, de todos os estilos,
Quero livros, milhares de livros
E quero ler mais e mais livros.
Quero mais que uma estante de livros,
Não quero apenas "livro"
Eu quero livros e mais livros,
Não quero apenas 1 livro, e muito
Menos 2, a gente sempre quer mais,
Não basta apenas poucos livros,
Tem de ser mais e mais livros,
E cerveja, e quem sabe um conhaque,
Um cigarro qualquer
Para acompanhar, quero livros
De todo tipo, quero o impossível,
Quer saber, não apenas hoje,
Quero o impossível todos os dias,
Minha meta não vai ser apenas ler
Milhares de livros,
Quero ler mais do que milhares
De livros,
Quero bilhares de livros,
Quero zilhares de livros,
Quero todos os livros do mundo,
Para que eu possa ler,
Para que eu possa emprestar,
Para que eu possa doar,
Para que eu possa fazer o que eu quiser
E bem entender, para que eu possa
Compartilhar, para que eu
Possa degustar, para que eu possa
Brincar, para que eu possa
Fazer o que eu quiser
E bem entender.

- Quero todos os dias
Presentear o que eu tenho de melhor,
Vou lhe presentear - livros...
Livros e mais livros,
Todos os dias e todo o sempre,
Quero ser presenteado
Com livros, livros e mais livros,
Todos os dias e todo o sempre.
Quero ser o leitor,
Quero ser o poeta,
Quero ser o escritor...
E no livro, de acordo
Com cada livro,
Quero pertencer a várias
Profissões.


domingo, 21 de janeiro de 2018

Sobre a Antologia Germinando Poesia

   Estou a organizar a mais nova antologia deste ano de 2018, Germinando Poesia: Antologia, é a primeira de muitas outras antologias que vou organizar. Pois bem, não é uma tarefa fácil, resolvi escolher algumas pessoas para participarem, algumas não tiveram interesse e outras aceitaram, muitos falaram que iam enviarem seus poemas e biografia, e por fim não enviaram, quem sabe falaram que vai enviar somente para não dizer não.

     Nova antologia com poucos participantes este é o meu interesse, reunir poucas pessoas para que elas possam serem lidas, e o bom é que a antologia por sua vez será gratuita, sem compromisso do colaborador (da poesia e da biografia) de comprar a antologia (pois bem, compram se quiserem, e se tiverem condição). 

   Hoje em dia não vem sendo difícil publicar obras, sempre tem alguém publicando livros e antologias, uma das tarefas mais difícil é vender, e este tabu aos poucos podem serem quebrados. Nesta antologia será encontrado poesias de Valdeck Almeida de Jesus (também tem feito o prefácio do livro) assim como também a biografia, teremos a participação do Almandrade, Josue Ramiro Ramalho e Leandro Flores, incluindo também poesias da minha autoria e biografia.

   O nome da antologia será Germinando Poesia: Antologia (como já tenho redigido a cima), será publicado através da Amazon.

     Através da Amazon tenho publicado também os livros  Toque de Acalanto, Meu Amigo Antônio Por Entre a Ditadura Militar e Civil: Uma Vida Clandestina, Ensaios: Literário, Passagem: Poesia, no ano de 2017. Buscarei na melhor forma divulgar ambos os livros assim como a antologia, e não apenas divulgarei a antologia como também seus participantes. 

   Meu currículo literário a cada dia vem se expandindo, eu (Valter Bitencourt Júnior), neste ano de 2018 faço 10 anos de poesia, pois desde 2009 que venho trilhando este caminho, fazendo poesias, e buscando divulgar nas redes sociais e alguns lugares que tenho ido. Com poesias no Recanto das Letras, Lusos Poemas, Literart, Site de Poesia e em blogs pessoais assim como redes sociais, viso neste ano divulgar mais ainda tanto o meu trabalho quanto o trabalho de amigos  que envolve literatura. 

   Nesta antologia vai ser incluído também um isbn, como registro para proteger a escrita dos colaboradores, que vem a participar com suas escritas de suma importância, e de grande valor literário. Uma das maiores novidades é que a antologia Germinando Poesia, não vai ter apenas a versão impressa como também vai ter a versão em e-book, ambas as versões vão serem vendidas para mais ou menos 17 países, e não apenas no Brasil.




    

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