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terça-feira, 14 de abril de 2026

A Engenharia da Desinformação: Do Print Manipulado às Deepfakes

Recentemente, tenho publicado sobre a captura de tela (print) de títulos, que permite a manipulação de informações. Nesses casos, é possível modificar não apenas o título, mas também a descrição e a data da publicação. Isso aumenta o risco de cairmos em fake news, já que muitas vezes não verificamos a origem dos prints compartilhados em redes sociais ou comentários.

Aproveitando esse gancho, trago outra questão atual potencializada pela Inteligência Artificial (IA): as deepfakes. Com sua enorme capacidade de manipulação de imagens, áudios e vídeos, essa tecnologia tem se tornado frequente e pode causar danos profundos à percepção humana da realidade.

Desconstruir notícias falsas nunca foi uma tarefa fácil; uma vez que se espalham, o estrago é quase irreversível. Se lidar com a distorção de artigos de notícias já é desafiador, imagine o impacto de ver uma imagem manipulada ou, pior, ouvir a voz de alguém e ver sua imagem gesticulando exatamente de acordo com o que é dito.

Todas as técnicas, por sua vez, fazem uso de diversos recursos para fabricar a desinformação: desde a 'inspeção de elemento' em navegadores (que altera textos de sites reais) e editores de imagem tradicionais, até IAs generativas avançadas de áudio e vídeo. O mecanismo central é sempre o mesmo: misturar elementos reais com falsos para criar uma ilusão de verdade.

Todos podemos nos tornar reféns das fake news, já que nossa mente é condicionada, muitas vezes, a aceitar uma informação falsa devido à junção de elementos verdadeiros. A verificação constante torna-se indispensável, por mais real que pareça o que vemos em mensagens, publicações ou comentários. Enquanto não pararmos para checar os fatos, estaremos sujeitos não apenas a cair em mentiras, mas também a contribuir diretamente com a sua propagação.

Os links a seguir contêm o que publiquei anteriormente sobre o assunto e podem complementar esta leitura:


Imagem da Internet.


domingo, 12 de abril de 2026

O vídeo de Flávio Bolsonaro é o exemplo perfeito de como usar dados verdadeiros para distorcer os fatos

O vídeo de Flávio Bolsonaro sobre o endividamento e o custo de vida utiliza dados reais para distorcer a realidade, servindo de exemplo de como fatos são descontextualizados. O senador omite que o endividamento das famílias é um problema de anos, que atingiu níveis recordes justamente no governo de seu pai, Jair Bolsonaro. O erro fica claro quando ele usa imagens de 2021 — de pessoas catando comida em um caminhão de lixo em Fortaleza — que foram gravadas na gestão anterior, no auge da crise social daquela época.

Além disso, o senador joga a culpa pelo vício em apostas no governo atual por este ter avançado na regulamentação das bets. No entanto, ele não diz que as apostas foram legalizadas ainda em 2018, no governo de Michel Temer, e cresceram sem qualquer fiscalização nos anos seguintes. Ao transformar a tentativa de criar regras na suposta 'causa' do problema, o pré-candidato distorce os fatos para obter vantagem política.

Esse tipo de vídeo funciona como uma armadilha psicológica que entra na mente das pessoas com facilidade. Ao misturar dados verdadeiros com informações manipuladas, ele cria uma 'ilusão de verdade': como a pessoa reconhece que o custo de vida realmente está alto, ela acaba aceitando o resto da mentira sem questionar. É uma fala montada para que a mente associe a dor real do dia a dia a uma narrativa deturpada, fazendo com que algo fabricado pareça uma verdade impecável.

Imagem reprodução, na imagem aparece Flávio Bolsonaro
Imagem reprodução.


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