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segunda-feira, 20 de abril de 2026

O Artifício da Inteligência e o Domínio do Ser

A inteligência artificial não é perfeita, muito menos capaz de substituir a mente humana, e quanto a isso não restam dúvidas. Se o fosse, não seria rotulada como "artificial" — termo que remete ao artifício, aquilo que é produzido pela técnica humana e que pode transitar entre o verdadeiro e o simulado. Compreender essa distinção é vital para que o usuário utilize a tecnologia com propriedade, mantendo sempre o domínio e a condução do processo, deixando claro que a máquina deve servir ao humano, e não o contrário.

A questão é que a pergunta não deve ser se o ser usa a inteligência artificial, mas como ele a está usando. Essa reflexão deve ser direcionada a si mesmo: como estou fazendo um bom uso da tecnologia, se a utilizo como forma de organizar as ideias, como aprendizado e descoberta, ou se estou apenas sendo um produto dela.

É, claro, que a inteligência artificial somente fará sentido se estiver contribuindo para o processo criativo em vez de apenas moldar pensamentos. Uma das questões que muitos vêm discutindo é justamente o impacto da tecnologia na criação, visto que muitos a utilizam para gerar músicas, textos e poesias de forma automática. O risco reside no fato de que, ao automatizar a entrega final, o ser humano acaba por terceirizar a própria essência da arte: o esforço, a dúvida e a descoberta que ocorrem durante o ato de criar. O ser "vende gato por lebre" e, por fim, acaba desconhecendo a sua própria criação, no sentido de que não participou desse processo criativo, mesmo utilizando a inteligência artificial.

Entende-se que o ser deve ter, ao menos, o mínimo de domínio sobre o que aborda; é a necessidade da busca por um repertório próprio para, assim, estruturar as ideias. A inteligência artificial trabalha a partir de fontes externas que se baseiam em outras fontes, que por sua vez se baseiam em diversas outras. Trata-se de um encadeamento de dados vindo de origens que se conectam a outras tantas, onde a capacidade de ocorrerem erros na mistura processada pelos algoritmos torna-se imensa, assim gerando, muitas das vezes, um enfeitamento de ideias convencionais.

O que vem sendo escrito aqui não é que a pessoa tenha que parar de fazer uso da inteligência artificial, mas sim como ela a está usando. Convenhamos: se todos passarem a criar apenas através da inteligência artificial, entendendo que ela trabalha através de conectivos externos que também se baseiam em outras fontes, chegará um tempo em que todos estarão transmitindo apenas cópias através de cópias? Nesse cenário, surge o esvaziamento do pensamento original, o que vai acarretar na insatisfação de quem vai consumir, e esse choque se dá justamente ao fato de que há um público que não virou produto da inteligência artificial.

Enfim, é graças a esse público que a inteligência artificial não consegue moldar por inteiro o pensamento humano. Esse grupo assume o papel vital de compreender a necessidade do processo de criação, tratando a tecnologia como um instrumento e não sendo um instrumento dela — o que abriria espaço para o domínio das gigantes da tecnologia e sua capacidade de controlar impulsos através do algoritmo.

Para aprofundar esta reflexão sobre a manipulação das Big Techs e desinformação, leiam também:

Imagem da internet.


A Falência Ética das Redes: Quando o Usuário se Torna o Próprio Algoritmo

As publicações nas redes sociais que visam transmitir conscientização, por sua vez, transformam-se em posts alvos de ataques cibernéticos com a ajuda dos algoritmos que, por sua vez, entregam o conteúdo a um público dedicado a atacar ideias contundentes à realidade. Assim, o post é reduzido à vinculação de falsas verdades diante da percepção da realidade transmitida pela publicação; nasce a deturpação das palavras e a imposição de pensamentos intrusivos que não correspondem ao que foi postado.

Isso se dá devido à priorização de tela que privilegia o conflito, o qual gera muito mais engajamento. A entrega acaba sendo direcionada a quem vai reagir de forma negativa, facilitando com que cheguem primeiro os "do contra".

Nessa corrida, a luta de muitos desses usuários é se tornar um dos três ou quatro primeiros a tecer os piores comentários, como forma de atrair outros da mesma linhagem de pensamento e afastar quem estaria de acordo com a publicação ou compartilharia da mesma visão — o que geraria um discurso plausível e pertinente. Muitos agem como uma espécie de anulador de ideia: não geram diálogo e se condicionam a deturpar conceitos, destilando, muitas vezes, ódio e ofensas.

Muitos usuários entenderam essa lógica e transformam o que seria uma publicação de conscientização naquilo que o algoritmo prioriza: a distorção, o ódio e o preconceito como fatores lógicos de engajamento. O indivíduo deixa de ser um articulador de ideias e se torna o que o algoritmo impõe. Além do engajamento, existe a monetização; o usuário se torna presa e vira o "algoritmo" de um software que o faz acreditar que está lucrando, quando, na verdade, lucram às custas dele.

O ser que usa as redes sociais e faz publicações públicas busca uma reação, um comentário. Se não fosse o interesse em ganhar atenção, removeria essas funções ou faria postagens restritas. Diante disso, nasce a preocupação constante: "será que vai ganhar curtidas?", "alguém vai comentar ou compartilhar?", "será que essa publicação vai gerar um bom engajamento, vai trazer novos seguidores?".

Somado a isso, surge a comparação inevitável: "por que essa pessoa publicou e ganhou mais engajamento que eu se a minha publicação é semelhante a dela?", "qual o motivo de fulano ou ciclano ter uma quantidade de seguidores maior que eu se eu sigo a mesma linhagem de publicação?". Esse processo gera uma sensação de fraqueza e inferioridade, afetando profundamente o psicológico do usuário, causando ansiedade e estresse — o que estudos apontam como causadores da liberação de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse.

Imagem da internet.


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