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sábado, 27 de junho de 2026

Pertencimento e Permanência: A Construção do Legado Humano

O ser humano busca compreender os seus propósitos. Há quem diga que "estamos de passagem", assim como também há quem acredite que "estamos aqui para cumprir missões". Talvez a vida não se resuma apenas a uma passagem, até porque, em se tratando de passagem, tudo pode resultar em piscares de olhos, e a humanidade é fruto de várias gerações. Por minha vez, acredito que todo ser humano vive e tem propósitos; acreditamos no futuro e no surgimento de novas gerações que compõem a árvore genealógica.

Tento compreender quando o ser diz que "estamos de passagem"; então, recorro às dimensões e suas estruturas. Diante deste mundo imenso, a Terra tem seres pensantes capazes de refletir sobre a própria vida, na busca de compreender não somente os seus propósitos, quanto também as suas origens. Quem sabe essa visão seja justamente a compreensão do ciclo da vida: nasce, cresce, desenvolve-se e morre. Há quem venha a transformar este ciclo de vida em um nada, assim como também há quem negue a sua própria existência e as suas origens.

Acreditar na vida como um propósito... Este propósito, por sua vez, pode ser individual e se torna coletivo na medida em que o ser humano reconhece o seu pertencimento no espaço em que vive. Se há propósitos, há missões; e se há missões, há quem, por sua vez, busque cumprir cada uma delas.

É claro que as reflexões apontadas aqui podem mudar ao longo do tempo; quem vos escreve pode, com o tempo, mudar as suas visões. Quem não gostaria que este ciclo — que muitos de nós, muitas vezes, acabamos vendo como fútil — fosse eterno? Quem não gostaria que o futuro de nossas gerações fosse melhor? Somos uma geração fruto de várias outras gerações. Observo a tecnologia e os seus avanços, assim como a ciência: o ser humano se eterniza em seus feitos que ficam, feitos estes que são usufruídos pelas gerações vindouras.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


domingo, 31 de maio de 2026

Quebrando as barreiras do preconceito: Erika Hilton faz uma grande diferença na política brasileira

A eleição de Erika Hilton como a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é um grande marco na história brasileira. Se há um imenso machismo de muitos homens para com as mulheres, uma mulher trans assumindo esse posto quebra inúmeros tabus. Esse tipo de acontecimento se torna fundamental para que seja desconstruído o preconceito que muitos carregam dentro de si. É visível que toda a repercussão em torno do caso ocorre pelo fato de se tratar de uma mulher trans.

Recentemente, vi uma publicação feita pelo apresentador Alex Lopes que mostrava imagens gravadas durante um ato realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. No vídeo, Erika Hilton aparece sendo ovacionada e chamada de presidenta, acompanhada da legenda: "Próxima Presidenta da República? Érika Hilton é ovacionada em encontro em Universidade Federal". Realmente, Erika Hilton é presidenta — no caso, da Comissão de Defesa da Mulher —, portanto não é de estranhar que ela seja chamada por esse título.

Porém, a publicação traz a visão de uma possível "futura presidenta da República". Acredito que esse post foi um erro de interpretação proposital e provocativo para testar a reação das pessoas. O algoritmo, por sua vez, entregou o conteúdo exatamente para o público que iria condená-la sem ao menos analisar os fatos. Quem tece os melhores comentários acaba recebendo as piores respostas daqueles que estão ali dispostos a atacar, atacando não apenas a postagem, mas a própria deputada.

Se uma mulher trans gera tanto incômodo ao assumir a Comissão de Defesa da Mulher, seria maravilhoso ver a primeira mulher trans assumindo a presidência do país; seria mais uma grande conquista. E por que seria uma grande conquista? Porque esse espaço pertence a todos aqueles e aquelas que lutam por um país e por um mundo melhor, quebrando as barreiras do preconceito e das desigualdades. Erika Hilton tem se destacado como uma das maiores deputadas da atualidade, digna de respeito, que sabe lutar com propriedade e de forma lúcida na defesa de seus direitos e dos direitos da sociedade. Inclusive, o ato realizado na UFMG foi uma audiência pública pelo fim da escala 6x1.

O Brasil ainda tem jeito, e isso é maravilhoso. Ver o país se tornando um espelho para as outras nações, diante de pessoas firmes e que realmente têm um compromisso verdadeiro com a população, nos mostra que devemos ocupar os espaços públicos e suas instituições, porque eles pertencem a todos nós!

Retrato em close da deputada Erika Hilton. Ela tem longos cabelos loiros ondulados, usa blazer branco, colar dourado trabalhado e brincos grandes com pérolas pendentes. O fundo é neutro e sua expressão é séria e marcante.
Erika Hilton 





segunda-feira, 20 de abril de 2026

O Artifício da Inteligência e o Domínio do Ser

A inteligência artificial não é perfeita, muito menos capaz de substituir a mente humana, e quanto a isso não restam dúvidas. Se o fosse, não seria rotulada como "artificial" — termo que remete ao artifício, aquilo que é produzido pela técnica humana e que pode transitar entre o verdadeiro e o simulado. Compreender essa distinção é vital para que o usuário utilize a tecnologia com propriedade, mantendo sempre o domínio e a condução do processo, deixando claro que a máquina deve servir ao humano, e não o contrário.

A questão é que a pergunta não deve ser se o ser usa a inteligência artificial, mas como ele a está usando. Essa reflexão deve ser direcionada a si mesmo: como estou fazendo um bom uso da tecnologia, se a utilizo como forma de organizar as ideias, como aprendizado e descoberta, ou se estou apenas sendo um produto dela.

É, claro, que a inteligência artificial somente fará sentido se estiver contribuindo para o processo criativo em vez de apenas moldar pensamentos. Uma das questões que muitos vêm discutindo é justamente o impacto da tecnologia na criação, visto que muitos a utilizam para gerar músicas, textos e poesias de forma automática. O risco reside no fato de que, ao automatizar a entrega final, o ser humano acaba por terceirizar a própria essência da arte: o esforço, a dúvida e a descoberta que ocorrem durante o ato de criar. O ser "vende gato por lebre" e, por fim, acaba desconhecendo a sua própria criação, no sentido de que não participou desse processo criativo, mesmo utilizando a inteligência artificial.

Entende-se que o ser deve ter, ao menos, o mínimo de domínio sobre o que aborda; é a necessidade da busca por um repertório próprio para, assim, estruturar as ideias. A inteligência artificial trabalha a partir de fontes externas que se baseiam em outras fontes, que por sua vez se baseiam em diversas outras. Trata-se de um encadeamento de dados vindo de origens que se conectam a outras tantas, onde a capacidade de ocorrerem erros na mistura processada pelos algoritmos torna-se imensa, assim gerando, muitas das vezes, um enfeitamento de ideias convencionais.

O que vem sendo escrito aqui não é que a pessoa tenha que parar de fazer uso da inteligência artificial, mas sim como ela a está usando. Convenhamos: se todos passarem a criar apenas através da inteligência artificial, entendendo que ela trabalha através de conectivos externos que também se baseiam em outras fontes, chegará um tempo em que todos estarão transmitindo apenas cópias através de cópias? Nesse cenário, surge o esvaziamento do pensamento original, o que vai acarretar na insatisfação de quem vai consumir, e esse choque se dá justamente ao fato de que há um público que não virou produto da inteligência artificial.

Enfim, é graças a esse público que a inteligência artificial não consegue moldar por inteiro o pensamento humano. Esse grupo assume o papel vital de compreender a necessidade do processo de criação, tratando a tecnologia como um instrumento e não sendo um instrumento dela — o que abriria espaço para o domínio das gigantes da tecnologia e sua capacidade de controlar impulsos através do algoritmo.

Para aprofundar esta reflexão sobre a manipulação das Big Techs e desinformação, leiam também:

Imagem da internet.


A Democracia em Crise: Entre a Lei Moral e o Domínio das Elites

Já existem acontecimentos que confirmam a preocupação do Papa Leão XIV de que a democracia corre o risco de se tornar uma "máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas" ou uma "tirania da maioria", caso não esteja fundamentada em valores morais. Esta é uma resposta precisa diante das críticas de Donald Trump em abril de 2026, que chamou o pontífice de "fraco no combate ao crime", "terrível na política externa" e o acusou de "ceder à esquerda radical", além das falas do vice-presidente JD Vance, que sugeriu que o Papa deveria "ter cuidado ao falar de teologia" ao questionar ações militares.

Os Estados Unidos são um dos principais exemplos. O governo de Donald Trump, com seu modelo conservador e elitista pautado por retaliações, já taxou vários países de forma abusiva, a ponto de o Congresso precisar barrá-lo. Somam-se a isso a perseguição contra imigrantes e o uso da ICE para intimidar ativistas estrangeiros, além da mobilização de forças federais para conter manifestações contra o sistema. Nesse cenário, o uso da tecnologia como ferramenta de manipulação fortalece os interesses das Big Techs, que utilizam algoritmos para impulsionar discursos de ódio e gerar monetização. Visando apenas ao lucro, esse modelo causa um impacto profundo na sociedade, que acaba se deixando levar por distorções de fatos. Isso quebra o elo de diálogo, que é o fundamento essencial da democracia.

Recentemente, publiquei duas análises sobre o cenário argentino. Na primeira, destaquei que o governo de Milei é um exemplo claro de gestão que país algum deveria seguir. Diante da reforma de fevereiro de 2026, que instituiu o aumento da jornada de trabalho e o banco de horas — "que converte o pagamento salarial em folgas, resultando na desvalorização dos trabalhadores" —, somados à redução da maioridade penal para 14 anos sem o respaldo de políticas públicas adequadas, o governo demonstra ter se perdido no entusiasmo pelas criptomoedas e se vendido aos ideais dos Estados Unidos.

A segunda publicação reforça essa visão, focando no elitismo do governo: o governo Milei é o maior problema que a Argentina vem enfrentando ultimamente. O aumento da jornada de trabalho para até 12 horas, a instituição do banco de horas — "que converte o pagamento do trabalhador em folga" — e as consequências desse modelo são as faces da calamidade de um governo conservador e elitista.

Por fim, a sociedade, por sua vez, torna-se vítima do autoritarismo de uma elite que a molda e cria mecanismos de quebra de direitos para favorecer o mercado. O software torna-se, assim, uma rede de distração e manipulação, fazendo com que muitos continuem defendendo quem luta contra os princípios éticos da democracia.


Imagem: reprodução/Vatican News


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