O vício em si nos condiciona a perder a palavra, a perder a autonomia e gera mecanismos no cérebro para fazer do vício o "melhor feito". Estimula o cérebro a anular os seus efeitos colaterais e, devastador, nos torna reféns e dependentes dele (tenho que sempre lembrar: quando escrevo "o vício", estou refletindo o vício em si, e ele também está voltado a vários outros vícios). Todos nós estamos sujeitos a vícios, sejam eles ilícitos ou lícitos; quem imagina que jamais pode ser refém deles se engana, e muito, até porque muitos nos condicionamos a acreditar que quem passa pelas maiores "provações da vida" é o outro.
Recentemente, escutei uma mulher "feliz" — entre aspas porque foi o que ela tentou transmitir —, alegando que se separou do marido porque ele estava perdendo tudo em apostas, a ponto de não comprar nada para dentro de casa; ela resolveu se separar e agora ele está pior. Porque se ele perdia 10 reais, hoje em dia ele perde 100; se ele pedia 100 reais, hoje em dia ele perde 1.000. Ela se "livrou" desse problema, mas ele não se livrou. E é isso que leva o ser a casos trágicos que não cabe mencionar e que todos nós já sabemos; não por culpa dela, mas devido aos próprios vícios que vão resultando em acúmulos de problemas externos, ao descontrole e a fins que levam o ser a se tornar mais uma estatística do mapa dos jogos de apostas. Nada pior que a destruição financeira (principalmente de quem mal tem o que comer), do isolamento e do abandono. É de uma desgraça sem tamanho!
Parabéns ao Walcyr Carrasco e à Claudia Souto pela novela de suma importância para os nossos dias atuais!

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