A análise da música "Maria Chiquinha", de Geysa Boscoli e Guilherme Figueiredo, não pode focar apenas na ameaça de morte ou no feminicídio. É preciso ver também que a letra coloca a mulher como um objeto de posse e sexual. A desconfiança de Genaro anula o direito de ir e vir de Maria Chiquinha, fazendo com que ela tenha de dar explicações de seus passos; a denúncia principal da música não é apontar se ela traiu Genaro ou não, mas mostrar a questão de posse. A ameaça de morte no final pode ser entendida não apenas como feminicídio, mas também como uma violação: não que ele realmente iria cortar a cabeça dela, mas que, diante da desconfiança que o faz acreditar que ela estava com outro, ele iria aproveitar o que sobrou do corpo dela. Isso firma a ideia de que a mulher é tratada apenas como algo para ser usado por ele, confirmando a questão da posse desde o início da letra. Além disso, a obra pode ser vista como uma denúncia da época sobre o machismo, ao expor a mulher como objeto e o uso do medo e das ameaças como controle. Apesar de a música original carregar o gênero de "humor de duplo sentido", a letra não pode ser encarada apenas como uma piada diante da condição feminina.
Quem sabe o ápice da música seja colocar duas crianças cantando "Maria Chiquinha" e fazendo toda a interpretação com gestos, pois essa música passou a ser conhecida a partir da interpretação de Sandy & Júnior quando crianças. Alguns acharam fofos e lindos, assim como muitos enxergam como maldade e que essas crianças não deveriam, de maneira alguma, interpretar essa letra por não ser apropriada para a idade. Porém, é necessário olhar essa interpretação com olhar crítico, como uma forma de transmitir a ideia de que essa postura pode continuar sendo passada de geração em geração.
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| Imagem da internet. |
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