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domingo, 31 de maio de 2026

Quebrando as barreiras do preconceito: Erika Hilton faz uma grande diferença na política brasileira

A eleição de Erika Hilton como a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é um grande marco na história brasileira. Se há um imenso machismo de muitos homens para com as mulheres, uma mulher trans assumindo esse posto quebra inúmeros tabus. Esse tipo de acontecimento se torna fundamental para que seja desconstruído o preconceito que muitos carregam dentro de si. É visível que toda a repercussão em torno do caso ocorre pelo fato de se tratar de uma mulher trans.

Recentemente, vi uma publicação feita pelo apresentador Alex Lopes que mostrava imagens gravadas durante um ato realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. No vídeo, Erika Hilton aparece sendo ovacionada e chamada de presidenta, acompanhada da legenda: "Próxima Presidenta da República? Érika Hilton é ovacionada em encontro em Universidade Federal". Realmente, Erika Hilton é presidenta — no caso, da Comissão de Defesa da Mulher —, portanto não é de estranhar que ela seja chamada por esse título.

Porém, a publicação traz a visão de uma possível "futura presidenta da República". Acredito que esse post foi um erro de interpretação proposital e provocativo para testar a reação das pessoas. O algoritmo, por sua vez, entregou o conteúdo exatamente para o público que iria condená-la sem ao menos analisar os fatos. Quem tece os melhores comentários acaba recebendo as piores respostas daqueles que estão ali dispostos a atacar, atacando não apenas a postagem, mas a própria deputada.

Se uma mulher trans gera tanto incômodo ao assumir a Comissão de Defesa da Mulher, seria maravilhoso ver a primeira mulher trans assumindo a presidência do país; seria mais uma grande conquista. E por que seria uma grande conquista? Porque esse espaço pertence a todos aqueles e aquelas que lutam por um país e por um mundo melhor, quebrando as barreiras do preconceito e das desigualdades. Erika Hilton tem se destacado como uma das maiores deputadas da atualidade, digna de respeito, que sabe lutar com propriedade e de forma lúcida na defesa de seus direitos e dos direitos da sociedade. Inclusive, o ato realizado na UFMG foi uma audiência pública pelo fim da escala 6x1.

O Brasil ainda tem jeito, e isso é maravilhoso. Ver o país se tornando um espelho para as outras nações, diante de pessoas firmes e que realmente têm um compromisso verdadeiro com a população, nos mostra que devemos ocupar os espaços públicos e suas instituições, porque eles pertencem a todos nós!

Retrato em close da deputada Erika Hilton. Ela tem longos cabelos loiros ondulados, usa blazer branco, colar dourado trabalhado e brincos grandes com pérolas pendentes. O fundo é neutro e sua expressão é séria e marcante.
Erika Hilton 





sexta-feira, 15 de maio de 2026

O Efeito Pinóquio e o Espelho da Realidade

A gente sempre quer saber quem está falando a verdade, principalmente no meio político, em que muitos mentem descaradamente. Nasceu um novo mundo. Nesse novo mundo, os políticos que mentem ganham o "efeito Pinóquio": a cada mentira dita por eles, o nariz vai crescer. Todos passam a reconhecer os políticos de acordo com o tamanho do nariz, sabendo exatamente se estão mentindo ou se estão falando a verdade. Os verificadores de fatos, por sua vez, apontam a veracidade das declarações com base no tamanho do nariz dos governantes.

A sociedade vota em quem mente menos, ou seja, em quem tem o nariz no seu tamanho — suponhamos — normal. Quem já nasceu com o nariz grande não nasceu mentiroso, mas, se continuar mentindo, pense no quão feio será. Nesse mundo, os políticos que cometem crimes não terão seus delitos medidos pelo nariz, mas sim de acordo com as suas ações. O julgamento jamais deverá ser feito pelo tamanho do nariz, até porque seria um grande erro, já que se sabe que quem tem o nariz normal também pode cometer crimes. Mesmo assim, a justiça vai perceber imediatamente quando o político julgado estiver mentindo. Pense numa delação premiada justa, com um verificador de fatos visível, capaz de detectar tudo.

Contudo, o mundo que nasceu não é 100% justo. Nele, há pessoas que não são políticos partidários, mas que carregam sua própria visão política. Quem sabe muitos desses queiram ver aquele que tem o nariz maior como alguém capaz de dizer a "sua verdade" (para não dizer mentira) como uma forma de coragem. Isso, talvez, não se diferencie do mundo anterior, em que muitos ditavam mentiras em forma de verdade e havia quem visse nisso um ato de bravura.

Surge, então, a briga dos que lutam pelos políticos de nariz pequeno contra os que ganham narizes grandes de acordo com as mentiras proferidas. Esse mundo se transforma em um caos, porque ainda há instituições que não estão inclusas nesse efeito Pinóquio, assim como o restante da sociedade. Quem quer condenar os que mentem perde o direito na medida em que percebe que a perfeição do seu próprio nariz não o impede de mentir. Por outro lado, os que querem defender os que estão sob o efeito Pinóquio não aceitam nenhuma crítica contra eles.

Voltando para o mundo atual e saindo do universo do efeito Pinóquio, conseguimos perceber que ambos os mundos não se diferenciam. Vemos uma sociedade que aceita falas que vão, muitas vezes, de encontro aos seus próprios ideais, tolerando esses absurdos como se fossem um ato de coragem de quem os proferiu e enxergando essa pessoa como "verdadeira". Vemos uma sociedade cega a um ou mais candidatos, capaz de defendê-los com unhas e dentes, tentando passar a mão na cabeça deles e ocultando seus erros, por mais visíveis que sejam. Vemos a justiça se fazendo de cega e dando imunidade a quem age com má-fé. Vemos, também, a mídia manipulando e os algoritmos das redes sociais destruindo nossos neurônios, jogando-nos uns contra os outros como forma de gerar engajamento e monetizar o ódio sob o pretexto da liberdade de expressão.

Não adianta nascer um novo mundo ou criarmos uma nova realidade enquanto o ser humano perder a capacidade de enxergar o que se passa à sua volta. Quando isso acontece, seus ideais morrem, tornando-o incapaz de dialogar, de pensar, de questionar e de agir.

Ilustração editorial de político com nariz de Pinóquio em palanque. Ao fundo, telas, jornais e termos como "ÓDIO" e "MENTIRAS". À frente, multidão polarizada e hipnotizada por celulares em caos. Imagem gerada por IA.
Ilustração editorial de político com nariz de Pinóquio em palanque. Ao fundo, telas, jornais e termos como "ÓDIO" e "MENTIRAS". À frente, multidão polarizada e hipnotizada por celulares em caos. Imagem gerada por IA.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

A Democracia em Crise: Entre a Lei Moral e o Domínio das Elites

Já existem acontecimentos que confirmam a preocupação do Papa Leão XIV de que a democracia corre o risco de se tornar uma "máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas" ou uma "tirania da maioria", caso não esteja fundamentada em valores morais. Esta é uma resposta precisa diante das críticas de Donald Trump em abril de 2026, que chamou o pontífice de "fraco no combate ao crime", "terrível na política externa" e o acusou de "ceder à esquerda radical", além das falas do vice-presidente JD Vance, que sugeriu que o Papa deveria "ter cuidado ao falar de teologia" ao questionar ações militares.

Os Estados Unidos são um dos principais exemplos. O governo de Donald Trump, com seu modelo conservador e elitista pautado por retaliações, já taxou vários países de forma abusiva, a ponto de o Congresso precisar barrá-lo. Somam-se a isso a perseguição contra imigrantes e o uso da ICE para intimidar ativistas estrangeiros, além da mobilização de forças federais para conter manifestações contra o sistema. Nesse cenário, o uso da tecnologia como ferramenta de manipulação fortalece os interesses das Big Techs, que utilizam algoritmos para impulsionar discursos de ódio e gerar monetização. Visando apenas ao lucro, esse modelo causa um impacto profundo na sociedade, que acaba se deixando levar por distorções de fatos. Isso quebra o elo de diálogo, que é o fundamento essencial da democracia.

Recentemente, publiquei duas análises sobre o cenário argentino. Na primeira, destaquei que o governo de Milei é um exemplo claro de gestão que país algum deveria seguir. Diante da reforma de fevereiro de 2026, que instituiu o aumento da jornada de trabalho e o banco de horas — "que converte o pagamento salarial em folgas, resultando na desvalorização dos trabalhadores" —, somados à redução da maioridade penal para 14 anos sem o respaldo de políticas públicas adequadas, o governo demonstra ter se perdido no entusiasmo pelas criptomoedas e se vendido aos ideais dos Estados Unidos.

A segunda publicação reforça essa visão, focando no elitismo do governo: o governo Milei é o maior problema que a Argentina vem enfrentando ultimamente. O aumento da jornada de trabalho para até 12 horas, a instituição do banco de horas — "que converte o pagamento do trabalhador em folga" — e as consequências desse modelo são as faces da calamidade de um governo conservador e elitista.

Por fim, a sociedade, por sua vez, torna-se vítima do autoritarismo de uma elite que a molda e cria mecanismos de quebra de direitos para favorecer o mercado. O software torna-se, assim, uma rede de distração e manipulação, fazendo com que muitos continuem defendendo quem luta contra os princípios éticos da democracia.


Imagem: reprodução/Vatican News


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