Não se fala mais em esquema milionário; fala-se de um esquema bilionário que envolve, inclusive, influenciadores. Compreender a situação do nosso país a partir desse aspecto talvez nos permita, de fato, entender as desigualdades geradas por uma pequena parcela que, além de acumular riquezas, compõe um esquema de corrupção bilionário. Descobre-se que a questão não é apenas a lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets, mas também através de plataformas de criptomoedas — muitas das quais, por serem regulamentadas no país, possibilitam o rastreamento de recursos.
Tudo aponta que a regulamentação das bets tornou-se necessária; porém, mesmo com ela, nada impede que os impactos negativos continuem atingindo o país, diante de uma sociedade já endividada pelo seu poder de consumo. O ditado diz que "o mundo é dos espertos" — algo passado de geração em geração e do qual não temos dúvida —, mas cabe destacar que toda essa "esperteza" está levando muita gente aos seus devidos julgamentos e condenações.
As bets não apenas trouxeram o endividamento de milhares de brasileiros, como também expandiram a entrada do dólar no país, assim como as criptomoedas que vêm sendo rastreadas. Diante dessa dolarização, cabe destacar a importância da moeda local e do Pix. Este meio de transação interna tornou-se muito mais eficaz do que as criptomoedas, que são menos seguras devido à sua volatilidade e à dificuldade de rastreio sem a quebra de sigilo internacional.
Ficou compreensível que o esquema não se tornou apenas local, mas transacional. Esse tipo de estrutura não culpabiliza diretamente o governo, e sim as instituições que compõem a macroeconomia mundial e criam mecanismos lucrativos diante da desgraça alheia — o que muitos teóricos chamam de "capitalismo de cassino". O governo, por sua vez, cria as devidas medidas restritivas; porém, há um sistema muito maior que envolve instituições blindadas que constituem a economia global.
Mas qual o sentido real de citar a eficácia do Pix diante das criptomoedas e do endividamento nas bets? Esta é uma forma de trazer questões atuais: quando o governo Trump demonstrou preocupação com o "Pix brasileiro", foi porque ele afeta diretamente os cartões de crédito de bandeiras internacionais (como Visa e Mastercard). Esta é uma maneira de explicar como funciona o capitalismo de cassino e a sua blindagem.
A regulamentação das bets acabou por normalizá-las. Não vemos anúncios apenas feitos por influenciadores, mas também em redes de televisão, camisas de clubes de futebol, através de apresentadores e até em jornais considerados sérios. Trata-se de uma monetização milionária que ultrapassa o teto nacional. Logo, essas instituições perdem a isenção para criticar o sistema, tornando-se parte da blindagem do capitalismo de cassino.
Portanto, compreender a situação do país exige olhar para além da superfície. O que se revela não é apenas um problema de apostas ou de tecnologia, mas a engrenagem de um sistema que monetiza o desespero e a esperança de uma sociedade endividada. Quando instituições que formam a opinião pública tornam-se dependentes dessa monetização, elas perdem a autoridade moral para criticar o sistema. Nesse cenário, o Pix e a regulamentação não são "salvadores", mas evidências de que o Estado tenta rastrear o que a macroeconomia mundial tenta ocultar. O verdadeiro desafio não é apenas punir a "esperteza" dos influenciadores, mas enfrentar um sistema transacional desenhado para acumular riquezas em uma ponta, enquanto fabrica desigualdades bilionárias na outra.
 |
| Imagem da internet. |