sexta-feira, 10 de abril de 2026

Inusitado

Você desfilava
E eu aqui parado
Na praça, menino
Solto.
Levantei-me
E do nada você vinha…
Caderno, livro, lápis,
Borracha… Tudo esbarrando-se
No chão.
Lembro como se fosse hoje
Quando declinei-me
Para ajudá-la,
E você também declinava-se…
Minha mão em sua mão
E você fitava-me,
Não segurei-me, e nem você…
- Marcamos o casamento.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


O amor é cego

A beleza engana o olhar humano,
Sem que ao menos perceba.
O amor é cego (como dizem)
Quantas vezes cego, pode prender-se
Numa paixão que nunca existiu?
Correr o risco, é necessário!
(O que todos sabem)
Quem nunca ficou preso
Nos braços de uma mulher?
E ela, sempre a esbanjar o olhar
Faceiro. Querer e amar,
Não somos donos um do outro
Mas, no amor? (sempre quer ser!)
Eu sou seu, e você é minha
(Tudo isso é posse)
Todos acham belo, lindo...
Ah! O amor é lindo! (suspiram)
E sempre foi assim,
A minha mulher,
A minha companheira,
A minha... Ela é apenas
minha e de mais ninguém.
Cego, fica-se, diante do amor,
Cada um se entrega da sua forma.
Não bem se sabe, se é
Prisioneiro ou livre.
O que se sabe é que todo
Mundo quer um amor,
Quer um alguém
Para chamar de seu.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Asco

Monstros que nascem na humanidade
Não merecem ser felizes
(Sequer se importam com a própria felicidade)
Merecem o sofrimento diante das suas crueldades
Que vivem a fazer
(Coração maldito cheio de maldade).
Não me venha com essa de ser bonzinho
Àqueles que nasceram para fazer o mal:
- São cruéis a ponto de matar sem um pingo de remorso
Esquecem que fazem parte da própria humanidade
A quem tanto abatem
Em nome do poder, do autoritarismo,
Do que acreditam que está escrito no sagrado
Em nome do altíssimo
Impostores, são desumanos - verdadeiros carrascos!

Há quem seja pior que psicopata - sanguinário!
Há quem brinque com a nossa fé - oportunista!
Há quem nos engane e nos manipule - sanguessuga!

Há quem nos engane e nos faça de marionetes
Brinca com a nossa inocência,
Pensa que jamais abriremos os olhos
- Que lavagem cerebral
Vive nos fazendo o tempo todo.

E a gente se impressiona com as estatísticas
Enquanto não viramos uma -
É racismo, homofobia, xenofobia, misoginia...

E a gente se impressiona com o bombardeio
Tem gente fazendo até pipoca,
Tem gente que não se importa com as crianças
Assassinadas, não se importa com o sofrimento
De todo um povo e cria a guerra

Há quem faça da desgraça alheia uma festa!


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Fragrância

Todo o seu ser preso ao meu.
Fisgar na plenitude cada momento,
Suspirar no relento sintomas de amor
Para que remédio?…

Está no seu braço e morrer
lentamente, você a olhar-me
Em forma de sorriso
Disfarço - estou bobo.

Diante do seu ser amoroso,
beleza extrema de minha vida,
Como a natureza, você inspira-me.

Quero respirar cada perfume,
E saber distinguir seu aroma
Doce e gostoso de sentir…


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Sina da vida

Em momento algum parava
Meu mundo que vagava
Caminhava comigo - perdido
Não estava preso e nem perseguido

E o vago da plenitude encantava
E eu assim sonhava
Beijava tudo
Não estou sozinho neste mundo

Posso esta no presente e no futuro
Posso viver cada dia
E em cada presente vivia

Sei que tem coisa que não aturo
Viver sem você eternamente
Suicídio do meu ser movente.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Imortal

O ano passa,
Tudo passa
E o que resta
É a vida
Daqueles
Que de fato
Quer viver.
Todo ser humano
É imortal
Quando ele
Quer viver
Eternamente.
Todo ser humano
É imortal,
Atravessa o tempo,
É sangue que germina
E nasce
Em várias formas.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


terça-feira, 7 de abril de 2026

Realidade

Acordar cheio de esperança
Com a sede de melhorias
Sonhar feito criança
Com muita euforia

Respirar o ar puro
Sorrir para o mundo
Brincar com o futuro
Sem medo

E tudo vai entardecendo
Todos os sonhos também
E tudo parece esvair

Anoitece e vem a tristeza
E tudo se opõe, a vida é dura
- Amanhã é outro dia.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Atualidade

Quanto mais vazia e calma
Mais ainda é perigosa a rua
(Isola). A bola na rua
Simplesmente a bola
E o asfalto,
Não há quem queira mostrar talento,
Não há quem queira jogar uma pelada,
Não há quem queira fazer pontinho,
Não há quem queira...
Casas com grade
(Já não basta ter medo da marginalidade,
Tem que ter medo de doença
Invisível), a rua nua e doentia,
A rua nua prostituída
Por quem se aproveita
Da situação alheia
Para lucrar (sistema podre -
Capitalista).
No mundo de crença,
Onde muitos colocam
Deus acima de tudo
E carrega por dentro
A falta de amor.
Há ser que mata mais
Que droga,
Quantas pessoas são assassinadas
Por ano?
Calamidade pública,
Pobre nem sempre tem vez.
Humano nem sempre é humano
(Desigualdade social
É desumano).
A sociedade feito a rua
A cada dia, nua, vazia, calma,
Doentia...

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


Caracol

Quem sabe muitas das vezes somos tontos
Pelo fato do mundo girar?
Muitas das vezes de cabeça
Pra baixo vejo o mundo
Querendo saltar.
As nuvens dos céus
Também dar vontade de vomitar,
Quando a tranquilidade é demais,
Tem de se desconfiar.
Quero uma dose de cachaça,
E um cigarro vagabundo
Pra passar o tempo,
Nos matamos aos poucos,
Pra ao longo dos anos
Dizer – que viveu bastante!
A ponte distante – nunca me verá
Saltar, não vou me afogar
No fundo do mar.
Antes do sino bater a despedida,
Poeta, deixa disso:

-Viver é a sua sina!

Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Bienal do Livro da Bahia 2026: Lançamento do Livro “Amanhecer Chorando” de Audelina Macieira

A poetisa Audelina Macieira tem presença confirmada na Bienal do Livro da Bahia 2026, vai realizar o lançamento do livro “Amanhecer Chorando”, no stand da Cogito Editora, o evento vai acontecer do dia 15 a 21 de abril, no Centro de Convenções de Salvador.

Acessem ao perfil da Cogito Editora para mais informações: https://www.instagram.com/p/DWkQg8ODRfS/?igsh=MWJwOXhvZGVwc25peQ==

Incluam na agenda de vocês!

Capa do livro "Amanhecer Chorando", de Audelina Macieira.


"Inusitado", "Vi No Poema", "Eis, o dia" e "O Silêncio"

Inusitado

Voou o beijo no vento
Posou como uma borboleta
Numa flor…
Voou o beijo no tempo
Posou em forma de lágrimas
(Amor?)
Voou o beijo no vento…
Voou o beijo no tempo…
Belo mesmo é a flor!

Vi no poema

Vi no poema os seus traços
Vi no poema os seus abraços
Vi no poema o seu sorriso
Vi no poema o sol
Vi no poema você indo
Vi no poema você partindo
Vi no poema o sol
Vi no poema você.
– E eu, aqui só.

Eis, o dia

Eis, o dia em que você
Acordou feliz, o dia que passa.
Eis, o dia que você aproveitou!
Eis, o dia que passa…
Ficou só as lembranças.
Mais nada.

O Silêncio

O silêncio foi o sufoco
Por entre a escuridão,
O cérebro este labirinto
Via palavras, como se
Fossem escaneado,
Do presente ao pretérito.
O café em adrenalina
Corria pelo corpo,
Olhos vidrados,
Em pânico. Fantasma
Da vida, podem vim
Em formas de lembranças.
Um terremoto,
Visões, a busca do entendimento
Do eu e do não eu.
Retratos cortados,
Espelhos quebrado.
Fumaças em forma de neblina,
O conhaque não era
Mais o mesmo.
A caneta falhava,
As palavras não mais
Era o consolo.
Noites perdidas,
E uma poesia que
Não quer sair.
O poeta sofria a escrita,
Sofria a vida, a miséria,
A desgraça humana,
A guerra. Tudo foi
Bombardeado,
O software não mais
Armazenava os arquivos,
E muito menos processava.
A poesia queria esconder
A dor, as palavras
Se camuflam para se tornar
Em poesia. Não
Mais se tinha regra,
Métricas foram ultrapassada,
Apareceram carros,
Postes, prédios,
Pistas, e lembranças impagáveis.
Quero um sorvete,
Neste dia de pouco sol,
Para refrescar a memória
Ou suicidar-me no gelo.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.

domingo, 5 de abril de 2026

Viva, Gregório de Matos!

Encontrei uma publicação feita no Facebook datada no dia 5 de abril de 2018, por minha vez irei compartilhar com vocês:

As pessoas deveriam darem mais valor às poesias do Gregório de Matos, pois ainda continua super atual e é o que vem acontecendo no Brasil, nos dias atuais, nada mudou, continua a corrupção, o povo acreditando no sistema, e também alimentando o mesmo, a hipocrisia em ambas as partes, a hipocrisia...

Triste Bahia

Triste Bahia!
ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante.
A ti tricou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e, tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Gregório de Matos

Senhora Dona Bahia

"Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
e é que, quem o dinheiro nos arranca,
nos arranca as mãos, a língua, os olhos."

"Esta mãe universal,
esta célebre Bahia,
que a seus peitos toma, e cria,
os que enjeita Portugal"
"Cansado de vos pregar
cultíssimas profecias,
quero das culteranias
hoje o hábito enforcar:
de que serve arrebentar
por quem de mim não tem mágoa?
verdades direi como água
porque todos entendais,
os ladinos e os boçais,
a Musa praguejadora.
Entendeis-me agora?"

Gregório de Matos

Gregório de Matos. Imagem da Internet 


Encontro

Meu corpo em teu corpo.
Encontro de almas,
Encontro de dois seres.
Duas vidas, em um só
Leito.
Amar ou amar?
Não! Não, amar apaixonadamente.
Fazer do frio calor.
Fazer da noite delírio.
Querer ficar junto
É loucura
Mais que humano.


Imagem da Internet.


sábado, 4 de abril de 2026

Faleceu a Editora da Íbis Libris Thereza Christina Rocque da Motta

Notícia triste, acabei de ver no perfil oficial da Thereza Christina Rocque da Motta, no app Meta (Facebook) sobre o seu falecimento, foi uma excelente poetisa, que nos deixa infelizmente, além de poetisa foi também tradutora, editora da Íbis Libris

Segue abaixo a publicação postada no perfil oficial, no app Meta (Facebook):

“Com profundo pesar, nos despedimos de nossa fundadora, Thereza Christina Rocque da Motta.Poetisa, tradutora, editora e uma incansável incentivadora da literatura brasileira, Thereza dedicou sua vida aos livros, às palavras e à construção de pontes entre autores e leitores. Sua trajetória deixa um legado imensurável não apenas na história da Ibis Libris, mas na cultura e na literatura do país.

Mais do que uma referência profissional, foi uma presença generosa, sensível e inspiradora para todos que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado.

Seguiremos honrando sua história, sua paixão pelos livros e tudo o que ela construiu.

A cerimônia de despedida será realizada no dia 06 de abril, no Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro.Nos solidarizamos com familiares, amigos, autores e leitores neste momento de dor.

🕊️HOMENAGEM COROA DE FLORES:(21) 967854612″

Fonte: https://www.facebook.com/share/p/17HVYL2AnH/

Nota de Falecimento 


O amor

Os raios do sol nasceu,
Transbordando
Nas cachoeiras.
À vida surgiu
Em ciclo de
Perfumes de jasmins,
E a poesia nasceu.
Gostoso! é degustar
Cada partícula do dia,
E saber regar
As sementes
semeando ao solo.
gozar! À vida,
O amor, à amplidão,
E acima de tudo
ver, e saber Mirar e fitar
A alegria de um
Outro ser
Admirando
De tudo o filho
Nascendo numa
Manjedoura.

Imagem da Internet.


Sentimento

Queria sair sorrindo
E realmente sentir
O meu ser interior bem
Eu queria contagiar todos
Com o meu sorriso
E sentir que por dentro
Elas também se sentem bem.
Eu queria dizer que estou bem
Sem ter que disfarçar
Eu queria olhar nos olhos
E a verdade,
A minha verdade encontrar.
Eu queria desejar bom dia
E sentir abraçado
Com as respostas dos passarinhos
Ou quem sabe das pedras
Que ali paradas muito
Deve ser a contar.
Eu queria - eu quero
Isso é determinação?
Eu quero, eu vou, eu consigo

- Meu bem, não quero
Me frustrar.
Eu não quero criar perspectiva,
Não quero que nada seja superficial
Eu não quero que nada seja feito
Como eu quero,
Que tudo seja feito como tem de ser
Sem que eu venha a planejar.
Se tudo tem que ser assim,
Ou se eu posso querer que seja assim.
Que nas dificuldades da vida
Eu aprenda a amar.

Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Passagem

Foi um dia de chuva...
Minhas lentes molhada,
Visão embaraçada,
Pessoas na frente
Do mercado,
Esperando a chuva
Passar. Pessoas
Do mercado
Fazendo compras
Pessoas no bar
Embriagando-se
E outras conversando,
Alguns no lado de fora
Fumando cigarro.
Carros tocando diversas
Músicas em cada esquina.
Pessoas dançando
Alguns sentadas na praça
Como se não quisessem nada,
Faziam algumas paqueras,
Outros já namoravam
Na praça ou na esquina
Junto a um poste.
Casais andavam
De mãos dadas,
Crianças saiam correndo
Pela frente.
Enquanto os adultos
Matavam com cerveja
E cigarro,
As crianças se matavam
Com refrigerante,
E com o ar poluído,
Ar este que todos sofremos...
Os ônibus passam
Lotados, moleques assobiavam
E a mulher passava
Cheia de charme
Como se nada estivesse escutado.
Os carros, nem sempre
Andavam vazios,
Alguns carregavam a família
Para o interior,
E outros carregavam
Mulheres de vida fácil,
E se arriscavam
Em aventuras, alcool, cigarro,
Sexo e alta velocidade cerebral,
No dia seguinte.
Algumas mães desesperadas
Com a morte do filho,
Quem sabe de 11 anos...
Alguns corriam devido
Ao tiro, outros
Caiam no chão,
Alguns iam para o hospital
Morrer na espera,
E alguns morriam
Antes de chegar no hospital.
Milhares de pessoas vivendo
Na internet, dentro das redes
Sociais, milhares de pessoas
Conversando uma com as outras,
Mas, sentindo-se sozinhas.
Vendedor no meio da rua
Tentando vender as mercadorias,
Pessoas perdendo as mercadorias
Para a prefeitura.
Alguns pediam e outros assaltavam o trabalhador.
Pessoas de todos os tipos
De todas as formas,
De todo jeito.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


terça-feira, 31 de março de 2026

Aguardente

À Donald Trump

Todos os dias nasce um canalha na política
Para o desespero da sociedade...
A cada dia criam leis, fazem a guerra,
Matam quem não tem culpa, enganam,
Alienam o povo. Ainda nasce Aldolf Hitler
Na Sociedade, um governo corrupto nasce
Todos os dias, o fascismo se esconde por trás
Das propostas e de cada propagandas política.
Nasce Benito Mussolini todos os dias, na política,
Em tudo aquilo que dita ordem à sociedade,
E que no fim assassina milhares,
Fazem uso das palavras friamente,
E há quem acredite lealmente.
Todos os dias nascem filhos da puta
Para sustentar o sistema capitalista,
Para meter o medo nas pessoas,
Para rir da minha cara, da sua cara,
Da cara de todos. E a culpa da miséria social
É colocada na inflação, em um mundo de consumistas,
Dividido por classes sociais.
E a sociedade paga a própria penitência
Para o sustento do governo - desgoverno.
Todos os duas nasce gente de má índole,
Nasce gente querendo por a mão
Na gente e nos governar,
Todos os dias nasce alguém dizendo ser confiável
Para o massacre da sociedade.
Querem criarem milhares de muros de Berlim,
Querem criarem as cercas elétricas para a separação
Dos países. Todos os dias nasce
Um governo querendo ser um Deus, todos os dias
Nasce um Füher, as grandes milícias
A cada dia a se fortalecer, a guerra do estado e o tráfico,
Minha sociedade marginalizada, todos os dias
Criam campos de concentração, céu aberto,
Gás lacrimogênio a asfixiar, bala de borracha a dei
xar marcas,
Spray de pimenta a cegar.


Imagem da Internet.


Meu voto

A poesia estampada na parede
Não mais se encontrava por lá
Passaram uma tinta nas palavras
E resolveram internar o poeta.

Milhares de livros queimados
Na praça pública, milhares
De escritores exilados
De um país pra outro, e todos

Que defende o estado, o vê
Como um desgraça, um ser
Marginalizado pela sua espécie,
Que ver de um artista um vagabundo.

E mando um salve a Gregório de Matos
Ao Boca de Brasa, Boca de Inferno
Pai da poesia brasileira, que muito cantou
Os males da política

E da sociedade mexiriqueira,
Um Salve aos que transformaram as palavras,
A Castro Alves, que cantava a liberdade
Um salve ao Lima Barreto, que por muitos

Foi descriminado, e queimaram as palavras
Dos poetas, queimaram as palavras
Daquele que escreveu a realidade,
Mas, não mataram as ideias

Daquele que pensa e busca transformar,
Viva a poesia, e os Poetas da Praça,
Viva aos boêmios da literatura,
Aos fumantes e aos que não bebem

E muito menos fumam,
Viva os que protestam e os que manifestam
Por um país, ou quem sabe um mundo
Melhor, viva o povo e toda sociedade

Que dorme, e quando levanta
Mostra que ainda existe esperança
E a sede de mudar é maior,
E a briga pelos direitos continua

Oprimem nossa sociedade,
Agridem nossa sociedade,
Assassinam nossa sociedade,
E temem a nossa sociedade,

Porque a sociedade sustenta-os
E não estamos distante da ditadura,
E muito menos de uma guerra civil,
O poeta escreveu o provérbio,

O hoje tudo vem sendo visto,
O amanhã pouco se sabe o que pode vir,
E o futuro, não bem se sabe se terá crianças
Felizes, brincando descalça pela rua.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


segunda-feira, 30 de março de 2026

Nonsense

   Podem zombar da sua cara pelo fato de você se mostrar sensível diante a certas situações, podem chamá-lo de besta, podem brincarem com a sua ingenuidade e como brincam, assim muitos agem e você nem sempre revida. Você encontrou a sua própria identidade, você encontrou a si mesmo, assim foi observando o mundo e a todos, você aprendeu muito com os outros e consigo mesmo.

   Hoje você rir de tudo, hoje você brinca com todo o passado, você não enxerga em si uma pessoa sábia, você se olha no espelho e busca enxergar o seu lado humano, você fecha os olhos e tenta refletir o cantar dos pássaros, o barulho das cachoeiras... tem que acordar, e acorda, tem que sentir além da fragrância do café novos horizontes ou o coração da amada e a despedida de cada dia. Ao som dos carros, ao som das motos, diante ao ar que já não é tão puro, diante as poluições, diante aos passos e passos, dos seus passos e os passos dos outros, todos andam e andam, cada um seguindo o seu destino. Podem zombar de você, porque você resolveu fazer diferente, porque você não se corrompeu e se limitou a tal padrão, você não se cobra tanto de si, o quanto querem tanto que você venha a se cobrar.

   Você não é um poeta, mas vive a poesia, você não é um escritor e sofre com cada palavra escrita num romance, você é um leitor? Talvez, não seja. Você é humano, você quer ser apenas humano o suficiente para se enxergar na pele dos outros, de respirar e saber que ainda resta vida, esperança.

   Quem saiba pense em mudar, mas mudar? O que mudar? Quem saiba queira mudanças de si mesmo e de tudo que se passa por volta. 

    Mas, também o nada. Apenas um dia simples, que possa respirar, escutar uma música qualquer e ao mesmo tempo o silêncio e vagar por entre as lembranças.



domingo, 29 de março de 2026

Exercício

Subi a ladeira
Desci a ladeira
Subi a ladeira
Desci a ladeira
Salvador, Bahia, Brasil
Faz bem ao coração.
E assim subo ladeiras,
Desço ladeiras,
Entro em becos
Saiu de becos,
Subo ladeira
Desço ladeira
E em cada esquina
Uma música
Um reggae
Um rap
Um funk
Um pagode
Um samba

E vou seguindo
Subindo ladeira
Descendo ladeira
Entrando em uma esquina
Saindo em outra.
Salvador, Bahia, Brasil
Pulsa em meu coração.
Pertenço
A Bahia.

Imagem da Internet 


quarta-feira, 25 de março de 2026

Sobre a Afinidade e a Confiança

   Encontrei uma publicação que fiz em 25 de janeiro de 2019, no Facebook, sobre afinidade e a confiança entre as pessoas e a capacidade de perceber quando nada vai bem (muitas das vezes), e o quanto acabamos ocultando muitas coisas e muitas das vezes não queremos desabafar, falando de afinidade a importância do olhar se faz presente, os olhos pode entregar muitas coisas. 

   Talvez a minha visão hoje em dia não seja a mesma que eu tinha, quando eu fiz essa publicação no Facebook e demais redes sociais:

A gente sempre quer ser positivo mesmo quando tudo não vai bem. A afinidade é algo incrível, porque quando existe a afinidade entre uma ou mais pessoas, a gente percebe que nada vai bem, apenas no olhar. Quem sabe a gente queira mostrar que tudo vai bem, em palavras escondemos muitas coisas, menos em nossas expressões, ações, olhar... A interrogação sempre vai surgir "como você vai?", "tudo bem com você", alguns perguntam apenas por perguntar, e outros não. A gente tem muito o quê aprender com a palavra "afinidade". Quando a gente passa a confiar no outro ou outra, para desabafar, quando a gente se sente com total confiança, e disso saber ser leal.


Valter Bitencourt Júnior, poeta, escritor e blogueiro.


domingo, 22 de março de 2026

Foi forte!

    Olhei para o caderno e veio-me a saudade de lembranças que pensava já terem ido para sempre, não, não existe lembranças que não seja capaz de regressar, pode regressar de forma benéfica ou quem sabe de forma não tão benéfica o quanto não se espera (a lembrança muitas das vezes pode ser traiçoeira).

   Vi as páginas do caderno antes de abrir, sentir cada palavra que ali tenho escrito, regressei ao passado que não era tão distante, lembrei que escrevia com frequência maior, que lia e muito, lembrei do eu que fui deixando para trás. 

  Todas as escritas provavelmente datadas, cada escrita com seus titulos, cada poesia, texto, haicais, sonetos (alguns)... Mas, ao mesmo tempo que eu queria abrir o caderno, parecia que não havia necessidade alguma de abrir como se sentisse a necessidade de simplesmente guardá-lo novamente e não mergulhar mais afundo nessas lembranças, que muito pode acabar me fazendo mal.

  Olhei para a cômoda e vi nada mais e nada menos um livro com poesias reunidas de Carlos Drummond de Andrade, pensei em guardar o caderno e folhear o livro, porém não foi o que eu fiz, desviei o olho do livro e do caderno, olhei para o teto como se estivesse buscando alguma nuvem ou quem sabe alguma estrela.

  "- Desculpa, hoje eu não estou bem, volte amanhã", não, nada disso tem nexo, nada disso é real a ponto de querer mexer com a minha estrutura psicológica ao mesmo tempo. Mas, o que realmente tanto mexe com o meu ser? Esse caderno? É apenas um caderno, mas nesse caderno tem escritas, tem lembranças, dar para sentir a fragrância de quando muitas delas foi escrita, dar para ver a cadência de algumas dessas escritas e escutar como se fosse uma música.

   Acabei decidindo abrir o caderno e para o meu desespero, diante a capa intacta por dentro deparei-me com um grande estrago provocado por cupins, veio-me a lacrimejar os olhos, respirei fundo (soltei alguns palavrões por dentro) e busquei ao mesmo tempo me controlar, muitas das escritas ainda visível e dava para fazer a leitura... fechei o caderno e realmente não era para eu ter aberto, simplesmente guardei para não reabri-lo tão cedo.

Valter Bitencourt Júnior, Salvador, Bahia, Brasil.


Choque

Deixei a música me levar...
Eu Deitado no sofá
Feito um cachorro esparramado...
Quem disse que o sofá não é lugar
Para deitar?
Viajei na música para outro lugar
Que não tenha gente,
Para outro lugar que não tenha
Carro, moto, prédio, casas...
Viajei, viajei para nunca mais voltar,
Viajei sem malas, não peguei o ônibus
Da esquina, não peguei o avião, o metrô,
Muito menos o trem...
Não pagarei a passagem
(Foda-se o imposto de cada dia)
Eu vou embora para nunca mais voltar.
Viajei na música para outro lugar!
Nesse lugar não tem nada,
Eu não quero nada, eu não quero
Nada que venha a ser outra coisa
A não ser o som ligado.
Não quero sentido na palavra,
Não precisa ter ritmo,
Não precisa... Eu só quero fugir
Pela minha imaginação.
Que música gostosa,
Nunca viajei tanto
A ponto de cair do sofá.

Acordei para a minha
Realidade de vida!



Valter Bitencourt Júnior

sexta-feira, 20 de março de 2026

In Memoriam: Homenagem Póstuma ao Jornalista e Editor da Revista Òmnira Roberto Leal

A Fundação Òmnira vai realizar homenagem póstuma ao jornalista e editor Roberto Leal,  o Roberto Leal foi editor e fundador da Revista Òmnira, a homenagem vai acontecer, no dia 10 de abril, na Casa de Angola na Bahia, localizada na Praça dos Veteranos - Baixa dos Sapateiros, a partir das 18h.




Postagem em destaque

Inusitado

Você desfilava E eu aqui parado Na praça, menino Solto. Levantei-me E do nada você vinha… Caderno, livro, lápis, Borracha… Tudo esbarrando-s...